Um tsunami ideológico

"Espero que esse país, laico é bom lembrar, descubra de novo o caminho para frente", escreve o colunista Miguel Paiva. "Gosto de pensar no meu país feliz e democrático e com essa turma que está ai, que prefere uma ditadura à democracia, fica difícil, mesmo torcendo a favor. Como diria o já citado Jesus Cristo na cruz, 'eles não sabem o que fazem'"

(Foto: Miguel Paiva)

Bolsonaro faz e a justiça ou o Congresso desfazem. Assim vamos vivendo de amor, diria o poeta. Mas na realidade, assim vamos vivendo sem sair do lugar. Como este é um governo que só se dedica a destruir o que foi construído no passado falta tempo para governar. 

Confesso que fico dividido diante das notícias. Se a Economia vai mal e é o que aparece, fico feliz, lá no fundo, principalmente, porque sei que essa política neoliberal não vai resultar. Mas ao mesmo tempo me preocupa o país, o trabalho das pessoas, a sobrevivência desse povo. Queria que estivéssemos vivendo pelo menos um período de erros e acertos e não essa desgraça proposital e retumbante que assola o país. 

Nada avança, nada se desenvolve e o país, tirando o que se move por inércia, vai devagar quase parando, literalmente. 

A economia cantada em prosa e verso pelo governo e pela imprensa de cativeiro, na realidade patina. A produção industrial caiu dois ou três dias depois de anunciarem a retomada da economia. É o mesmo vai e vem. A mentira diz que sim e os fatos contradizem. Isso pode até satisfazer nosso ego político. "Viu, eu avisei!". Pensamos logo assim e esboçamos aquele sorrisinho maroto de quem tem razão.

Mas essa situação tem que mudar. Apesar da quantidade enorme de ideias para charges que esse governo fornece, preferia um outro tipo de realidade. Poderia até ser uma realidade de centro, liberal e não neoliberal, contra a qual pudéssemos exercer nossa oposição criativa e democrática até as próximas eleições. Mas não, vivemos debaixo de uma quase ditadura mal estruturada que tenta se impor, mas esbarra no que ainda resiste de estado democrático no país. 

Ainda bem, mas isso não é viver. É sobreviver a um tsunami político e ideológico que invade todas as ruas, todas as casa e todas as mentes. Temo muito pelo prejuízos que vão ficar. A enchente baixa e as ruas são, mal ou bem, consertadas. O que não dá para consertar é o que fica dentro das pessoas e normalmente, depois de um evento assim tão expressivo e pouco racional, o que fica é o pior, é a luta pela sobrevivência mais tosca e desprovida de princípios. 

Cada um se preocupa com o que é seu e o espírito de coletividade, tão importante para o nosso futuro, fica parecendo coisa de comunista ou de bobo que acredita no próximo. O que vale é esbravejar os princípios éticos da religião mais descabida e agir como criminosos de almanaque. Se deus fosse assim como eles gostam de propagar aí sim, estaríamos na pior mesmo. Quem pregou a justiça social, a capacidade de tolerar e entender o próximo e denunciou os comerciantes não foi nem Marx nem Stalin. Foi Jesus Cristo que anda muito lembrado hoje em dia mas pouco seguido.

Espero que esse país, laico é bom lembrar, descubra de novo o caminho para frente. Não torço a favor, mas torço para que essa situação mude rapidinho. Gosto de pensar no meu país feliz e democrático e com essa turma que está ai, que prefere uma ditadura à democracia, fica difícil, mesmo torcendo a favor. Como diria o já citado Jesus Cristo na cruz, "eles não sabem o que fazem".

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