Uma comédia de erros
A ‘comédia de erros’ encenada camufla mal os interesses da Faria Lima, conjugados a manobras de Alcolumbre em experiências traiçoeiras
Difícil, na realidade, a existência de algo semelhante, Gênios do cinema, com feitos extraordinários, não chegaram tão longe. Stan Lauren, Buster Keaton e Chaplin, com o Carlitos, divertiram levas de espectadores no passado, sem tais estrepolias. René Clair, pensando no assunto, se culparia por não haver desdobrado as leis do pastelão em lances da política, com tortas despejadas na cara de desavisados. O Senhor Flávio Bolsonaro mostrou que, nesse plano, se revela imbatível. Não bastassem as “rachadinhas”, o envolvimento com o escritório do crime (Anderson da Nóbrega & familia), e a mansão adquirida com recursos inexplicáveis – e surge o diálogo, atrás de grana, muita grana, do banqueiro renegado Daniel Vorcaro. Não surpreende que, diante da imprensa, tenha, primeiro, mentido, para, num segundo instante, nervoso, a ponto de estourar, experimentar desculpas inconvincentes. Ficou mal na foto.
A oposição se viu sem pai nem mãe, Lula reinando absoluto e disparado nas pesquisas. Ganhará no primeiro turno. Impossível competir com ele. Ao Flávio, além da folha corrida de quinta categoria, manchada por comprometimentos mal justificados (e um mandato de senador medíocre), falta talento e, depois dos acontecimentos, cara de pau para prosseguir. É possível que largue a campanha e se retire para o ostracismo com medo de perder imunidades parlamentares, sem chances para governar o país. Na extrema direita, com Valdemar da Costa Neto à frente, já imaginando saídas, quem sabe a Michele, para despeito do clã e dos enteados. Ela também não fará boa figura, com as liberalidades de outro tempo lhe prejudicando a imagem, mesmo sem pastelões na cara de ninguém, pelo menos por enquanto.
O contrário do riso não é o sério, é o real, como observava aquele velho senhor vienense, mais do que preparado para nos ensinar verdades. O problema das farsas é que, por trás delas, há uma nação necessitando de quadros para que supere dificuldades. Com Jair na cadeia, o destino nos reservava de repente herdeiros de arrepiar os cabelos. Um, nos Estados Unidos, está à beira da condenação por processos em nossos tribunais. O outro, avança passos em direção ao Senado com chances de ganhar... Que se cuidem os catarinenses, obrigados a receber um carioca que mal pisou em Florianópolis, munido apenas da vontade de se dar bem. Seja como for, na arte do pastelão, aparentemente, a vontade de rir dá a impressão de estar encerrando um capítulo triste da nossa política. Esta gente se esqueceu de que a democracia necessita de quadros talentosos, com reconhecimento popular.
A ‘comédia de erros’ encenada camufla mal os interesses da Faria Lima, conjugados a manobras de Alcolumbre em experiências traiçoeiras. No encontro mudo que teve lugar no TSE, na posse de Nunes Marques, uma coisa ficou patente: o Presidente Lula é simpático, afável e muito habilidoso, mas não tolera acertos espúrios. É bom, saudável, que não o faça. Para golpistas não pode haver perdão.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

