Uma crise anunciada
As atitudes e a crise atual explodem por um presidente de direita que resultou da instabilidade da esquerda
Por Danilo Catalano - O crescimento de governos à direita tem aumentado progressivamente desde a vitória de Daniel Noboa no Equador, seguindo à risca um movimento ao lado de Donald Trump, com uma visão bukelista contra o narcotráfico e a violência no continente, que se mantém firme entre Brasil, México e Colômbia, com uma expressiva proteção dos direitos humanos e sociais, defendendo-se constantemente dos ataques dos países vizinhos.
Expressivamente, e como resultado deste movimento, a Bolívia resultou em uma virada eleitoral à direita, devido às desestabilizações internas do partido de Luis “Lucho” Arce e Evo Morales, que consolidaram a existência histórica da esquerda nas eleições nacionais. Resultado este que, quando foi protagonizado, estive constantemente respondendo, quando perguntado, que haveria um descontentamento social no país, o que resultaria em sua desestabilização e poderia até causar uma onda de violências.
Desde que entrou, Rodrigo Paz havia prometido diálogo com as bases sociais consolidadas durante os governos de Evo Morales e todos os povos indígenas do país, mas, com o decorrer dos dias de seu governo, começou a mudar de atitude e a agir em benefício da elite branca boliviana, aproximando-se desta pequena parte da população, aceitando o aumento dos combustíveis para enriquecê-los, sem se preocupar com a alta nos preços que poderiam advir destes resultados.
Como indicou o meio de notícias Pagina12, da Argentina, um dos principais pontos que fizeram surgir o descontentamento foram as promessas que não estão sendo cumpridas, pois, no segundo turno, poderia ter ganhado um ultradireitista muito pior que Paz e, com as promessas, a militância de esquerda optou pelo voto no atual presidente em vez de anulá-lo.
As atitudes e a crise atual explodem por um presidente de direita que resultou da instabilidade da esquerda, que tem sua parcela de responsabilidade por ter perdido tempo com desavenças pessoais ao invés de preparar um candidato forte, o que fez com que a esquerda nacional aceitasse o “menos pior”, para não acabar voltando ao contexto pós-golpe de 2019, mas acaba por entrar em um descontentamento generalizado, que nada mais faz do que violentar e acabar com as massas populares.
A Bolívia hoje é um exemplo de luta contra as mudanças à direita latino-americana, mas também é resultado expressivo dos movimentos políticos que não seguem os movimentos sociais e as massas populares, não mais tendo uma compreensão que nos mostrou Álvaro García Linera com os governos de Evo Morales. Parece que aquela antiga relação com as raízes e a realidade popular está se esvaindo das mãos dos políticos irresponsáveis.
Parece que as classes populares bolivianas perceberam que o seu poder é mais forte do que o dos políticos, sejam eles quais forem, o que garante a sua soberania ao impor as suas vontades e intenções, o que é fundamental para que toda a região possa imitar e se colocar contra os atos atrozes dos atuais presidentes e da nova política regional
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

