Uma educação para o século XXI

Outros protagonistas, como alunos e gestores, interferem cada vez mais no processo de aprendizagem. E isso, em grande medida, se tornou possível graças à utilização generalizada de ferramentas digitais

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Outros protagonistas, como alunos e gestores, interferem cada vez mais no processo de aprendizagem. E isso, em grande medida, se tornou possível graças à utilização generalizada de ferramentas digitais (Foto: Gilberto Alvarez)


A educação contemporânea não é mais monopólio do professor. Outros protagonistas, como alunos e gestores, interferem cada vez mais no processo de aprendizagem. E isso, em grande medida, se tornou possível graças à utilização generalizada de ferramentas digitais. Estaríamos, desta maneira, trilhando definitivamente o caminho da educação do século XXI?

De fato, computadores e aplicativos aparecem como alternativas aos tradicionais quadros-negros e livros impressos. Notebooks, tablets, lousas eletrônicas, jogos interativos, podcasts seduzem gestores, educadores e estudantes. Por essa razão, muitos já consideram as tecnologias digitais como a panaceia para os grandes problemas da educação contemporânea.

Mas será mesmo assim?

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A atração dos recursos tecnológicos é mais evidente sobre crianças e jovens, que já nasceram na era digital. Além disso, não se pode negar a relevância desses recursos. As novas tecnologias economizam mão de obra; dispensam locomoção e vários procedimentos logísticos; dispõem de recursos audiovisuais mais sofisticados; ampliam opções de cursos sem que, para isso, sejam necessários elevados recursos financeiros.

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Como exemplo, basta imaginar os custos de construção e manutenção de um prédio para alojar uma escola e pode se ter uma ideia da economia que representam as aulas virtuais. Para a maioria dos professores, a ampliação de opções de material pedagógico também é bem-vinda.

O desafio está em identificar os possíveis limites para o uso de alta tecnologia na educação e o conteúdo mais apropriado para a formação escolar nesse contexto. É que, por mais maravilhosa que seja, essa tecnologia, por si só, não consegue transformar métodos e pedagogias ultrapassadas. Às vezes, a tecnologia até os reforça, fazendo aprofundar o conflito entre o velho e o novo. É a típica situação em que o velho está morrendo, mas o novo ainda não pode nascer, para usar a expressão do político e pensador italiano Antonio Gramsci. Então, tem-se um cenário que, além de contraditório, é desigual é combinado: temos um aluno do século XXI, um professor do século XX e uma escola do século XIX...

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Um exemplo dessa contradição bateu à nossa porta bem recentemente: 529 mil alunos tiraram nota zero na prova de redação do último Enem. De um universo de seis milhões de candidatos, apenas 250 conseguiu tirar nota dez. E este, diga-se, é apenas um exemplo dos problemas atuais da educação em seu ciclo mais delicado: o ensino médio.

E qual a origem desse problema? A meu ver, é a incapacidade de escolas e professores em compreender a realidade e o mundo dos jovens de modo a motivá-los e, por meio do diálogo, atraí-los para o aprendizado. Em resumo, a dificuldade em se construir a travessia entre o velho e o novo.

A missão de educar exige uma ligação com o cotidiano dos alunos. E isso não pode ser obtido apenas pela oferta, em sala de aula, do que há de mais moderno em tecnologia da informação e da comunicação.

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A inovação não vem necessariamente da implantação de ferramentas tecnológicas – embora não as dispense. Ela requer principalmente coragem dos professores para mudar velhas atitudes, dando lugar a aulas mais participativas, nas quais o aluno seja ouvido e haja interação entre ambos, de maneira que ele se sinta uma peça fundamental no processo de aprendizagem.

Afinal, como dizia o mestre Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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