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Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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“Uma fala inconveniente”: Ibaneis Rocha quebra o silêncio sobre as críticas que recebeu da gestão de Celina

Os dois estão abraçados em projeto político no Distrito Federal, mas a sucessora dá sinais de que quer distância

Ibaneis Rocha e Celina Leão (Foto: Abr)

O ex-governador Ibaneis Rocha quebrou o silêncio sobre as críticas que recebeu do novo secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira. Em entrevista à rádio CBN, Valdivino criticou duramente a gestão anterior, classificando-a como uma "máquina desgovernada". O secretário apontou também um rombo de R$ 2,7 bilhões no orçamento, resultado de gastos sem planejamento financeiro.

Para Ibaneis, foi “uma fala inconveniente, mas que não reflete o pensamento do grupo”. Perguntei se considerava a fala do secretário uma indicação de que sua sucessora, Celina Leão, estava se afastando dele. “É melhor perguntar a ela. Eu não tenho qualquer motivo para duvidar da nossa lealdade que, aliás, já perdura a mais de 8 anos”, respondeu.

Questionado se tinha conversado com a governadora sobre a declaração do secretário e também sobre o afastamento de doze dirigentes do BRB, indicados na sua gestão, Ibaneis disse: “Não achei necessário”.

Uma pergunta deixou o governador irritado: “A imagem que passou, no entanto, é que a nova administração procura se afastar do senhor. Por isso, pergunto: O senhor considera que é ingratidão ou teria algum fundamento a fala do novo secretário de Economia?”

“As duas perguntas não passam de especulação. Vocês da imprensa gostam de atiçar discórdias. Não conte comigo para isso. E esse seu site é sabidamente de esquerda. Deve estar a mando do PT”, escreveu, na conversa por WhatsApp.

“Governador, com certeza não”, respondi. “Gostaria de ter uma relação com o senhor baseada na verdade factual”, acrescentei. Ibaneis continuou irritado: “Eu conheço vocês muito bem, a partir do seu chefe (Leonardo Attuch). Vamos parar por aqui”. Expliquei a ele que tinha autonomia editorial, mas ele deixou de responder. 

A irritação de Ibaneis é sintomática, já que, com esses movimentos, Celina tenta passar autonomia em relação ao ex-governador, desgastado pelas informações que o ligam, e o escritório de advocacia fundado por ele, ao caso Master. 

Em artigo publicado nesta coluna, informei que sua recondução ao cargo de governador, depois dos atos golpistas de 8 de janeiro, foi decisiva para a continuidade do golpe do Master, este na área financeira, com a transferência de seu controle para o BRB.

As investigações da Polícia Federal em curso que apuram supostas ilegalidades nessa negociação não estão concluídas, mas o tema é amplamente discutido nos bastidores da política, com repercussão popular.

Publicamente, Ibaneis adotou um tom conciliador com Celina Leão, que é candidata à reeleição e tem como pré-candidato a vice um homem da confiança de Ibaneis, o advogado Gustavo Rocha. Mas o site Vero reproduziu declarações mais contundentes atribuídas a Ibaneis. 

Segundo o veículo, ele teria considerado as declarações do secretário de Economia “desastrosas” e, em conversa com pelo menos três secretários do Distrito Federal, lembrou que Celina foi uma “vice-governadora com total poder”. Ou seja, se a máquina estava desgovernada, Celina também tem responsabilidade nisso.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.