Uma geração*

“Esse governo fascista que se instalou, com o voto de 57 milhões de infelizes, não está para brincadeiras de playground.

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“Esse governo fascista que se instalou, com o voto de 57 milhões de infelizes, não está para brincadeiras de playground.

Vieram para ficar por uma geração (25 anos) e se instalaram para quebrar com tudo e matar quem não estiver de acordo.”

Foi isso que escrevi, nesses dois parágrafos, no democrático blog do Cacá Medeiros Filho, na pequena crônica publicada em 30/11/2019 intitulada “Falta um norte”, quando ainda não se falava (e nem se imaginava) em uma pandemia do coronavírus que iria abraçar e pegar o mundo inteiro de calças curtas [1].

Hoje, poderia ficar desgraçadamente pimpão, cheio da razão, quando leio artigos de sociólogos, cientistas sociais, historiadores e mais gente qualificada do ramo, dizendo que essa é uma possibilidade real, ou seja, a de que os militares vão ficar no poder por uma geração inteira e que o “Bozo” seria apenas o “cavalo”, ou seja, o guia, como diriam algumas seitas e religiões. 

Mas não é isso o que acontece pessoalmente. Como os sinais que vem sendo dados, há algum tempo, apontam para um novo período das trevas, com uma ditadura plena, é com profunda tristeza que volto a falar desse assunto lembrando que de “cavalo” o ex-tenente do exército parece ter muito pouco e que de “burros” os 57 milhões de eleitores que o colocaram no poder não tem quase nada, salvo melhor juízo. 

Nesses tempos de Internet e de redes (anti) sociais acopladas, com a informação rolando solta e divulgada pela grande mídia, fica difícil de dizer que quem votou nessa turma da extrema direita, comandada pelo presidente genocida, não sabia o que estava fazendo. Nesse ponto, a tal da tese dos “analfabetos políticos”, que levou ao caos político atual, cada dia que passa, parece que não se sustenta mais.    

Assim, afinal, que aparência esses “analfabetos políticos” poderiam ter se pudessem ser identificados no elevador do condomínio, por exemplo? Seriam os “analfabetos políticos” os mesmos que já existiam, em “priscas eras”, em estado dormente, antes mesmo do aparecimento do anticristo jabuticaba? Deixo aqui, modestamente, uma sugestão de tema hollywoodiano para outra sequência dos filmes da série “Arquivo X”, que poderia ser rodado em território nacional e com muito “leite condensado” nos efeitos especiais.

Entendo que pode ser difícil agora dizer, mas a pandemia do coronavírus ter ajudado (e muito) o “nosso” anticristo jabuticaba é uma hipótese que não deve ser totalmente descartada. É bem provável que se não fosse essa pandemia ele não teria nada para falar no “cercadinho” do Planalto, sempre com uma postura do “contra”, como vem fazendo o tempo todo e com apoio da mídia familiar que o ajudou a chegar ao poder. 

Por outro lado, o recente mural do artista Eduardo Kobra, feito na lateral de um prédio na cidade de Sorocaba (SP), mostrando livros de vários autores, diz mais do que muitas palavras [2]. 

Que maravilha essa obra!

A educação, a escola e a boa leitura são fundamentais para a formação do cidadão. Por isso, seria ainda pouco justificável se falar em “analfabetos políticos”, com todo o acesso que podemos ter aos tais dos “e-books” hoje pela Internet e poder desfrutar da leitura de bons e humanitários livros disponíveis também nas bibliotecas. Não é mesmo?   

Os caminhos institucionais para que uma geração inteira não sofra com uma “nova” ditadura estão postos: o Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral, o Supremo Tribunal Federal, somente para citar alguns desses caminhos mais conhecidos, dispoem de material suficiente para interromper esse processo autoritário. Aguardamos que se mexam. 

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (Paulo Freire).

[1] http://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2019/11/faltaum-norte-cronica-de-heraldo-campos.html?q=falta+um+norte

[2] https://acessocultural.com.br/2021/01/eduardo-kobra-destaca-a-importancia-dos-livros-em-novo-mural/

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