Uma leitura dos protestos de domingo

Ao destinar todo os seus ódios e preconceitos contra um único partido, como se a corrupção não fosse endêmica no Brasil, os manifestantes desconfiguram as manifestações

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Embora financiada por partidos e movimentos de direita, as manifestações do dia 16 de agosto não surtiram o efeito que a oposição almejava e enfraqueceram-se. Contudo, nem assim é plausível excluir as vozes que se manifestam e as demandas que surgem das ruas, independente de classes sociais.

Essência da democracia, a população nas ruas, historicamente, representou mudanças expressivas na sociedade, avanços de direitos e movimentos sociais, projetos populares, a redemocratização e garantia ao voto, mas também, a instauração e legitimação de um regime ditatorial.

Manifestar-se contra a corrupção não somente é legítimo, como ainda é compartilhada pela expressiva maioria dos brasileiros, das mais diversas classes sociais e escolaridade, que dividem o sentimento de impunidade e frustração. O risco está nos interesses escusos que se escondem nas manifestações, ameaçando conquistas sociais adquiridas com muita luta.

Ao destinar todo os seus ódios e preconceitos contra um único partido, como se a corrupção não fosse endêmica no Brasil, os manifestantes desconfiguram as manifestações, transformando o ato em um manancial de agressões e equívocos, que apenas reitera a disputa de classes.

Palavras ofensivas, machismo, sexismo, assim como, convocar os militares de volta ou refundar a União Democrática Nacional (UDN), ascende um conservadorismo, muito além dos dogmas defendidos pelo PSDB, repleto de fundamentalismo, fascismos e intransigência.

Na essência, um número expressivo de manifestantes, "esquecem" de se manifestar contra a corrupção no judiciário, legislativo, executivo municipal e estadual. Assim como, em nenhum momento, condenam a sonegação de impostos, um crime que também afeta em bilhões de reais os cofres públicos, em diferentes esferas.

Infelizmente, uma manifestação legítima contra a corrupção passa a ser desconfigurada por uma parcela que se orienta pelos interesses próprios, criminalizando partidos e pessoas, colocando em risco a ordem democrática e direitos humanos.

É hora de unificar as forças entre aqueles que querem uma mudança estrutural a partir do combate a corrupção e o fortalecimento da democracia brasileira para que o período de crise política e econômica seja afastada, retomando a pujança do desenvolvimento social, econômico, educacional, que o brasileiro se acostumou.

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