Uma piada?



Será que essa piada, publicada nas páginas 72 e 73 da 7ª edição de “As melhores piadas do Planeta... e da Casseta também! - 2” de 1998, do grupo “Casseta & Planeta”, continua sendo uma piada?

“Um sujeito é preso em pleno Pantanal por ter matado uma ararinha azul, um pássaro em extinção. O sujeito foi a julgamento e na frente do juiz se defendeu:

- Eu estava perdido no pantanal há três dias! Eu matei o pássaro pra matar a fome! Era uma questão de sobrevivência! Eu achei que era uma galinha! Por favor, me perdoem!

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O juiz pensou bastante e, apesar do sujeito ter cometido um grave crime ecológico, resolveu inocentá-lo, acreditando em sua história. Depois do julgamento, o juiz não se conteve; aproximou-se do réu e perguntou:

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- E aí, tenho uma curiosidade: qual é o gosto da ararinha azul?

- Ah, é parecido com o do mico-leão dourado.”

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O Pantanal, a Amazônia, e outras regiões do Brasil, ardem em chamas faz tempo e o governo federal faz vistas grossas e fomenta a prática de deixar “passar a boiada” e ainda incentiva a prática do “boi bombeiro”. 

Se esse governo acredita que “a terra é plana” vamos ver a hora que aumentar a erosão do solo, acelerar o transbordamento dos rios pelo assoreamento e diminuir o volume de água nos reservatórios subterrâneos (aquíferos), como vão se defender nos tribunais por deixarem as queimadas correrem soltas.

Nunca é demais lembrar que a vegetação tem um papel fundamental na regulação do volume de água que escoa pelas bacias hidrográficas. Os troncos das árvores funcionam como verdadeiros condutores de água para o interior dos aquíferos e também servem como anteparos na proteção do solo, prevenindo a erosão e o assoreamento dos rios e dos mananciais.

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Nesse cenário, o trecho do texto “Sobre a prática”, escrito para uma palestra em 1937 por Mao Tsé-tung (1893-1976), parece ser bem apropriado para esse periodo que estamos atravessando: “O conhecimento do Homem depende principalmente da sua atividade na prática de campo, pois desta maneira vai compreendendo gradativamente os fenômenos, as propriedades e as leis da natureza, bem como as relações entre ele próprio e a natureza.”

Se estratégia do governo federal é favorecer os poderosos lobbies daqueles que destroem tudo por onde passam, no afã do lucro e da política da terra arrasada, sem dúvida isso é um retrocesso ambiental e, por enquanto, para que essas ações possam ser atenuadas na escala municipal, uma das maneiras de interferência possível é a escolha dos candidatos nas eleições desse ano de 2020, privilegiando aqueles que tenham reconhecida atuação social na preservação do meio ambiente.

“Quando a última árvore for cortada, o último peixe for pescado, o último rio for envenenado, somente então nós vamos perceber que não se pode comer dinheiro.” (Provérbio Indígena).

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo - USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo - USP.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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