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Rosildo Silva

Engenheiro de Petróleo e Petroquímica aposentado da Petrobras e ex-gerente geral das fábricas de fertilizantes - Fafen - da Bahia e de Sergipe.

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Uma proposta para aumentar a produção nacional de fertilizantes

Brasil precisa ampliar produção nacional de fertilizantes para reduzir dependência externa e fortalecer sua soberania alimentar

Agricultor espalha fertilizantes em Brasília (Foto: Adriano Machado / Reuters)
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O Brasil é uma potência agrícola que alimenta o mundo, sustenta sua balança comercial e ocupa posição de destaque no comércio internacional. Mas há um paradoxo evidente: o país não controla os insumos que tornam essa produção possível.

Hoje, o Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes, ao mesmo tempo que figura entre os maiores exportadores de produtos agrícolas. Essa dependência não é apenas econômica — é estratégica, expondo o país a riscos de desabastecimento, volatilidade de preços e choques externos provocados por conflitos geopolíticos e sanções internacionais.

A agricultura brasileira só alcançou seus atuais níveis de produtividade graças à combinação de tecnologia, expansão de área e, sobretudo, ao uso intensivo de fertilizantes. Em solos tropicais, naturalmente pobres, esses insumos são indispensáveis; sem eles, o Brasil simplesmente não seria o gigante agrícola que é hoje.

Por isso, a questão é direta: quem controla fertilizantes controla a produtividade agrícola, e quem controla a produtividade controla preços de alimentos, inflação e estabilidade econômica. Ignorar isso não é apenas um erro — é uma escolha política que mantém o país vulnerável.

A produção de fertilizantes nitrogenados, em particular, está diretamente ligada à cadeia de petróleo e gás natural. Não por acaso, os países que dominam essa indústria são aqueles que integram energia e produção química. No caso brasileiro, essa função recai naturalmente sobre a Petrobras.

A empresa tem capacidade técnica, escala e acesso ao gás natural para liderar a retomada da produção nacional. Mais do que isso: sem a Petrobras, dificilmente o Brasil conseguirá reduzir sua dependência externa de forma consistente. A ampliação da produção de fertilizantes é também uma forma de agregar valor ao gás produzido no país, fortalecendo a integração entre energia e indústria.

O desafio, no entanto, exige mais do que diagnósticos. É necessário agir. O Brasil precisa ampliar significativamente sua capacidade produtiva, com a implantação de novas fábricas e a retomada de projetos estratégicos.

Entre as prioridades estão a conclusão da UFN-III, no Mato Grosso do Sul, e a implantação de novas plantas de amônia e ureia no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Sergipe. Ao mesmo tempo, é fundamental avançar na produção de fertilizantes potássicos, especialmente a partir de reservas como a carnalita em Sergipe, reduzindo a dependência quase total de importações nesse segmento.

Mas há um ponto institucional decisivo: é preciso dar escala e prioridade à agenda de fertilizantes dentro da Petrobras. Isso pode ser feito por meio da criação de uma diretoria específica ou de uma subsidiária dedicada ao setor, com autonomia e foco para conduzir investimentos e projetos com maior agilidade.

A experiência passada mostra que a simples transferência dessa atividade para o setor privado não resolveu o problema. Ao contrário, a dependência externa aumentou, e o Brasil consolidou sua posição como maior importador global de fertilizantes.

O país precisa, portanto, revisar sua estratégia. Fertilizantes não são um setor qualquer: são insumos essenciais para a produção de alimentos, com impacto direto sobre inflação, crescimento e estabilidade social, sendo, portanto, um tema de soberania.

O Brasil tem recursos naturais, mercado e capacidade empresarial para mudar esse cenário, mas falta decisão política e uma estratégia clara de execução.

A escolha é simples, ainda que suas consequências sejam profundas: continuar dependente ou assumir o controle de um setor essencial para o futuro do país.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.