Uma reforma estranha: Bolsonaro não entregou o governo para o Centrão e pode estar entre o fechamento e a queda

O jornalista Mauro Lopes escreve sobre a surpreendente reforma ministerial de Bolsonaro: “Todo o cenário não tem cara de entrega de governo ao Centrão. Tem, isso sim, um aspecto sinistro, com o jeito de Bolsonaro. O governo não está ampliando sua base política. Parece estar entre o fechamento e a queda.”

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)


Mauro Lopes

No começo da noite desta segunda-feira (29), o cenário da reforma ministerial é estranho. Ao contrário do que se imaginava, Bolsonaro não está ampliando a base de seu governo entregando o Ministério para o Centrão. 

Só uma das pessoas anunciadas para o Ministério tem ligação evidente com o Centrão: a deputada Flávia Arruda (PL-DF), que vai para a Secretaria de Governo da Presidência, é do Centrão. É casada com o ex-governador e ex-senador José Roberto Arruda e ligada a Arthur Lira.

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O novo ministro da Justiça é um delegado inexpressivo da Polícia Federal, atualmente secretário de Segurança do DF. Foi chefe de gabinete do ex-deputado federal Fernando Franceschini, um fascista de quatro costados. Sua maior “qualidade” para ser nomeado é ser amigo de longa data dos Bolsonaro, notadamente Flávio Bolsonaro.

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O novo chefe do Itamaraty, Carlos Alberto Franco França, é braço direito do bolsonaro, não é ligado ao Centrão. É assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência e tem carreira diplomática inexpressiva, nunca chefiou um posto no exterior. É outro que tem como destaque no currículo a proximidade com os Bolsonaro. 

André Mendonça, bolsonarista radical e fiel ao chefe, levou a Advocacia-Geral da União como prêmio de consolação.

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As trocas militares são as mais estranhas e enigmáticas. Aparentemente, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, foi demitido por recusar-se ao alinhamento incondicional a Bolsonaro, mas ainda é tudo muito nebuloso. Braga Neto, que sai da Casa Civil para o posto, chegou a ser homem forte do governo, por pouco mais de um mês, quando liderava as coletivas sobre a pandemia e chegou a ser festejado como “primeiro-ministro de fato” do governo. Seu balão esvaziou-se rapidamente e ele pareceu nos últimos tempos acomodado e semi-aposentado no Planalto -apesar de ser fiel a Bolsonaro. Deixou o posto para o general que tem voz de comando no atual momento, Luiz Eduardo Ramos, amigo de longuíssima data de Bolsonaro, que é de fato o interlocutor com o Congresso -função precípua do chefe da Casa Civil.

No começo da noite, os três comandantes militares estavam reunidos: Edson Pujol, do Exército, Ilques Barbosa Junior, da Marinha e Antônio Carlos Muaretti Bermudez da Aeronáutica.  Eles estariam discutindo um pedido de demissão coletiva, algo inédito na história da República.

Nos bastidores, Bolsonaro tem dito que não aguenta mais o comandante do Exército, tido como o sustentáculo legalista das Forças Armadas e do próprio agora ex-ministro da Defesa,Fernando Azevedo. 

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Todo o cenário não tem cara de entrega de governo ao Centrão. Tem, isso sim, um aspecto sinistro, com o jeito de Bolsonaro. O governo não está ampliando sua base política. Parece estar entre o fechamento e a queda. 

 

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