URGENTE: Rodrigo Pilha inicia greve de fome e denuncia violações de direitos humanos

A carta escrita por Rodrigo Pilha deve ser lida, repassada e transformada em documento histórico. É a prova de que vivemos uma ditadura com prisões meramente políticas

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Em 19 de março de 2021 (isso mesmo senhoras e senhores, 2021) o ativista Rodrigo Pilha foi preso, espancado e teve diversos de seus direitos violados por estender uma faixa na Praça dos Três Poderes em Brasília com o dizeres: “Bolsonaro Genocida”. 

Há tantos erros nessa prisão que é preciso  lembrar que o ativista Rodrigo estendeu a faixa junto com outros cinco manifestantes no dia 18 de março. Foram todos detidos e liberados no mesmo dia, 6 horas depois. Entretanto, no dia 19, Rodrigo foi levado ao Complexo Penitenciário da Papuda sob a desculpa de não ter sido encontrado para intimação em um processo por desacato em 2014. 

Rodrigo Pilha segue preso até a presente data e sua prisão não pode ser esquecida. Nem podemos permitir que as trapalhadas diárias e as grosserias proferidas pelo Presidente Jair Bolsonaro sirvam de cortina de fumaça para tamanho desrespeito aos direitos humanos. Um homem está preso e sendo torturado por dizer que um presidente que se recusou a comprar vacinas para uma doença altamente letal é genocida.

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Rodrigo Pilha estendeu a faixa com o lamento de mais de 530 mil famílias brasileiras que sentem na pele o descaso do presidente, que choram com o luto, sem contar milhões de famílias que choram de fome pelo desemprego e impossibilidade de trabalhar porque o presidente se recusou a comprar as vacinas. Recusa essa que tem motivos muito mais escusos como tem sido mostrado na CPI. 

Ontem foi divulgada uma carta escrita por Rodrigo Pilha e esta carta deve ser lida, repassada e transformada em documento histórico. É a prova de que vivemos uma ditadura com prisões meramente políticas e uma denúncia à situação carcerária no Brasil. Segue a transcrição da carta:

Brasília, 9 de julho de 2021

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Queridos familiares e amigos, após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar.

Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar ,conceder entrevistas, e agora me mantém preso , mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF, por conta do autoritarismo policial e judicial.

Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.

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Ameaças de castigo e agressão, xingamentos e maus tratos por parte de policiais penais, seguem ocorrendo, e inquirições de apenados SEM a presença da defesa (fato que só comigo , já ocorreu em três oportunidades),são práticas corriqueiras.

As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões.

O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas.

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Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios.

A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos , mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados.

Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto.

Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia, a fim de que o maior número de pessoas saibam da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF.“… podem me prender, podem me bater, podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…”

Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”, Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui.

Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!!

Com carinho,

Rodrigo Pilha.

Liberdade para Rodrigo Pilha já!

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