Urnas eletrônicas contra urnas funerárias

"Por que num momento caótico como este, com o país mergulhado num caldeirão de desemprego, fome e pandemia, o mandatário da nação joga no ventilador a questão do voto impresso? Acho que a resposta tem a ver com a CPI da Covid", analisa Alex Solnilk

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Urnas eletrônicas (Foto: Bruno Kelly/Reuters)


Por que num momento caótico como este, com o país mergulhado num caldeirão de desemprego, fome e pandemia, o mandatário da nação joga no ventilador a questão do voto impresso e aproveita para ameaçar com o cancelamento das eleições, multiplicando o caos?

Eu acho que a resposta tem a ver com a CPI da Covid. A CPI jogou na mesa de jantar dos brasileiros a estarrecedora realidade. O presidente da República, em vez de atuar para proteger a população, atuou ao lado do vírus. Devido à sua atuação, ou à falta de, milhares morreram. E continuam morrendo.

E esse prato indigesto se refletiu nas pesquisas, sua popularidade caindo devagar e sempre a um ano das eleições. Por mais que ameace com golpe ele sabe que haverá eleições e terá de ir para casa ou para o xadrez se perder.

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Alguma coisa ele tinha de fazer. Parar as mortes não podia mais, seja para manter a fama de mau, seja porque não fez campanhas nem comprou vacina na hora certa. Também não tinha como empastelar a CPI. Nem censurar a imprensa. Mas podia tirar a CPI das manchetes produzindo um fato mais bombástico.

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Daí denunciou as urnas eletrônicas, misturou com ditadura, e incendiou o país.

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Claro, sem medir as consequências de seus atos, como sempre, fornecendo mais lenha para a fogueira do impeachment.

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