Vacina e impeachment para salvar o Brasil

A negligência e o deboche do presidente da República elegeu o Brasil como o mais incompetente dos países no combate à pandemia

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Temos vacina, apesar dos inesgotáveis esforços do presidente da República para sabotar a imunização da população. Desde o início da pandemia, Bolsonaro foi quem deu voz aos negacionistas de toda ordem, dos terraplanistas aos antivacinas. Chamou a pandemia de gripezinha e a segunda onda de conversinha. Questionou os dados científicos que embasam a eficácia das vacinas e negligenciou a compra, tanto da vacina quando de seringas e agulhas. Praticou charlatanismo quando recomendou um suposto tratamento precoce com medicamentos de ineficácia cientificamente comprovada. Como um comediante de quinta categoria, sugeriu que a vacina transformaria as pessoas em jacarés. Afirmou que não se vacinaria e brigou para que a vacinação não fosse obrigatória. Enfim, o presidente foi o principal líder da reedição da Revolta da Vacina. Contudo, apesar de todo o trabalho contra a imunização, Bolsonaro decretou um sigilo de 100 anos sobre o seu cartão de vacinação. O que ele tem para esconder das pessoas que confiam nele?

Em 2021, a conscientização do brasileiro de que o desgoverno Bolsonaro é um macabro desastre para a nação pode salvar o Brasil de retrocessos ainda mais profundos que os já produzidos por um presidente que regozija de ser um pária. Seria desnecessário dizer que o País e sua gente são muito maiores que essa escória que dilapida e destrói patrimônios materiais e culturais cuja construção leva-se décadas, quando não séculos. O desgoverno não vai mudar sua direção no sentido de transformar esta rica e importante nação numa feitoria mundial a serviço do mercado financeiro. A mudança terá de vir da sociedade, de todas as classes e instituições, com muita pressão sobre o Congresso Nacional para votar o impeachment de Bolsonaro, antes que ele mate o Brasil. Todos os dias, nos campos político, econômico, cultural, diplomático, entre outros, as barbaridades que ele diz e faz testam a capacidade do Brasil e do mundo de se estarrecerem.

O presidente da República do Brasil disse, para 60 bebês prematuros, que o problema do caos da falta de oxigênio, em Manaus, para o qual ele foi alertado quatro dias antes, é um problema do prefeito e do governador. Não é falta de visão política ou de noção das competências do Estado, mais uma muito bem acabada expressão do menosprezo pela vida alheia. É o ódio aos brasileiros que o elegeram; o escárnio com a dor do outro, enfim, a desumanidade. Nem Hitler, com quem Bolsonaro se identifica, deixaria bebês alemães recém-nascidos sem oxigênio. Esse é apenas um dos inúmeros crimes de responsabilidade que ele comete desde que tomou posse. Segundo o Código Penal, charlatanismo pode dar até um ano de prisão e multa. Porém, mesmo contestada pela Associação Médica Brasileira e denunciada como publicação enganosa, numa rede social, o Ministério da Saúde mantém sua infame campanha à revelia, ou com a anuência dos órgãos de fiscalização, controle e repressão.

O bolsonarismo arrastou o Brasil para uma conjuntura na qual o absurdo não mais o é. O desgoverno é formado por pessoas que se comportam como bem querem, subvertendo a institucionalidade ao personalismo dos mandatários do momento. Torna-se ainda mais patético o afastamento da presidenta Dilma, quando se observa o rol de crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente e ignorados pelas instituições. Nenhum dos cerca de 60 pedidos de impeachment contra ele foi aberto. Eleito internacionalmente um genocida, seria difícil compreender o apoio que ele tem no Congresso Nacional. Contudo, é muito simples. Toda a distopia produzida por Bolsonaro é tolerada para manter o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele é o porta-voz dos banqueiros que financiaram o golpe de 2016. Guedes já teria entregado ao sistema financeiro os recursos energéticos e as empresas brasileiras estratégicas, não fossem as trapalhadas do desgoverno. Enquanto o presidente é um sinistro bobo da corte, que distrai a população com a ajuda de parte da imprensa, o País é dilapidado em tenebrosas transações do atabalhoado Guedes.

Ao todo, a oposição tem cerca de 130 votos. Falta convencer mais de 380 parlamentares. Além dos alinhados às pautas ultraliberais, há os identificados com os assuntos de costumes. A pressão sobre deputados federais e senadores virá da população de seus respectivos estados. Os eleitores devem exigir um posicionamento claro dos parlamentares sobre à análise de um pedido de impeachment de Bolsonaro. Quando a população quiser pressionar o Congresso, o presidente será informado da perda de apoio. A negligência e o deboche do presidente da República elegeu o Brasil como o mais incompetente dos países no combate à pandemia. O resultado não são meros e, ao mesmo tempo, estarrecedores números, como mais de 200 mil ou de 8,3 milhões de mortos e infectados. São vidas, amigos, mães, pais, filhos, maridos, esposas, primos, profissionais. Enfim, sonhos e o amor de alguém que, para Bolsonaro, não passa de estatística de um processo contra o qual, como ele já disse, não sabe o que fazer. Disso, o Brasil e o mundo já sabem. Então, saia.

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