Vacinar é preciso

Crianças e adultos dependentes não podem ficar a mercê de adultos que atentam contra a sociedade impedindo com que sejam vacinados

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Por Mauro Nadvorny

Quando olhamos para o passado e voltamos ao presente, vemos o quanto evoluímos desde que descemos das árvores e começamos a andar. Não foi um caminhar fácil, as vezes limitado, mas sempre em frente. Chegamos aos dias de hoje muito melhor preparados para enfrentar os desafios da sobrevivência.

Eu gostaria de que o mundo tivesse se desenvolvido por igual, que não existissem fronteiras, que as únicas cores que importassem fossem as do arco-íris, que não houvesse mais fome e todos tivessem garantidos saúde e educação. Um mundo com justiça social, igualitário e solidário. Um mundo mais humano onde o amor e a felicidade fossem a base do sistema, um planeta aberto as religiões, mas que acima de tudo incentivasse a ciência. Sonhar é preciso.

Evoluímos muito, é verdade, mas não chegamos a tanto. O ser humano continua praticando crimes contra outros seres humanos, e apesar de conhecer a Declaração dos Direitos Humanos, mesmo depois de duas grandes guerras mundiais, nossa situação como raça é lamentável. As guerras ainda existem.

A pandemia continua nos desafiando dia a dia. Ela vai e vem em ondas. Em um dia achamos que estamos livres, para no outro ver ela ressurgindo como uma Phoenix. O vírus parece rir de nossas ações para exterminá-lo.

O que já se sabe é que ele surge devagar, se propaga rapidamente. Combatido diminui sua presença para ressurgir em uma nova onda. Uma pior do que a outra nos países que ainda insistem em manter a economia funcionando, mesmo que parcialmente. A China é um exemplo disso. Onde o vírus dá as caras, é Lockdown no restrito significado da palavra. Lá onde tudo começou o número de óbitos é de um país mediano, e se comparado pelo número de habitantes, fica na base da tabela.

Agora estamos assistindo a segunda onda bater na Europa. Em seguida vai bater nas Américas. Os números são assustadores. Da noite para o dia milhares de novos casos de infectados brotam em todo lado na Espanha, Itália, França, Alemanha , Inglaterra etc. Países que reabriram criteriosamente suas economias com o maior cuidado.  Não adiantou.

Muita coisa ainda está sendo estudada sobre o vírus, mas numa coisa todos concordam, ele é transmitido pelo contato entre pessoas infectadas. Se um único doente estiver em uma sala com outras pessoas sadias, provavelmente todos naquela sala vão ficar doentes. Dito de outra forma, a única maneira de impedir a propagação do vírus é impedindo o contato das pessoas pelo período do ciclo de vida dele. É o que faz a China.

A boa notícia é que estamos no limiar da chegada das vacinas. Eu sou do tempo em vacina era dada no braço com um agulhão que deixava uma marca por alguns anos. Era fácil de saber quem já havia sido vacinado para determinada doença, quem não, só olhar quem tinha a "marca". E havia também o método alternativo para resolver o problema das doenças que não tinham vacina. A gente era levado para ficar na companhia de quem estava doente com a finalidade de pegar a doença. Era sabido que nós crianças enfrentávamos com mais facilidade. Melhor sofrer pouco enquanto criança, do que muito quando adulto.   

A vacina só é eficaz para aqueles que são vacinados. Parece o óbvio, mas existe uma corrente que prega o contrário e diz que as vacinas fazem mal, que é a própria doença, que as crianças vão ficar autistas ou ter outras sequelas. Tudo isso sem nenhuma base científica contrariando anos de sucesso com doenças graves como a Poliomielite (paralisia infantil) e a Varíola, por exemplo. 

Se vacinar é um ato de amor a si mesmo e ao próximo, especialmente contra o Covid-19, já que a doença também pode ser fatal em pessoas jovens e perfeitamente saudáveis. Não se vacinar é um ato de extremo egoísmo e insensatez.

Crianças e adultos dependentes não podem ficar a mercê de adultos que atentam contra a sociedade impedindo com que sejam vacinados. A vacina tem de ser obrigatória, ela salva vidas que são preservadas e permite com que todos possam retomar suas rotinas com o restabelecimento da economia. Escolas podem ser reabertas, assim como o comércio em geral e a cultura sem riscos. Podemos voltar a ter uma vida normal outra vez.

Quando um presidente diz que não vai obrigar ninguém a se vacinar, e que sequer vai comprar vacinas de determinado país, deixando a população a mercê de seus infames intempestivos desígnios, ele  coloca todo o país de joelhos e ameaça a sobrevivência de toda a nação.

Bolsonaro é um desastre sob todas as óticas, mas agora se trata de preservar vidas e o país como nação viável e independente. Até quando vamos suportar este inepto?

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