Vai dar PT (Paraíso de Tuiuti)

Tuiuti renovou o espírito crítico do Carnaval. Ainda há liberdade a ser guerreada. Parabéns à Tuiuti por estar no mesmo ritmo da batida do coração do povo brasileiro. A escola de samba fez lembrar que nosso sangue é vermelho e que o coração bate do lado esquerdo do peito

Tuiuti renovou o espírito crítico do Carnaval. Ainda há liberdade a ser guerreada. Parabéns à Tuiuti por estar no mesmo ritmo da batida do coração do povo brasileiro. A escola de samba fez lembrar que nosso sangue é vermelho e que o coração bate do lado esquerdo do peito
Tuiuti renovou o espírito crítico do Carnaval. Ainda há liberdade a ser guerreada. Parabéns à Tuiuti por estar no mesmo ritmo da batida do coração do povo brasileiro. A escola de samba fez lembrar que nosso sangue é vermelho e que o coração bate do lado esquerdo do peito (Foto: Deivison Souza Cruz)

A mesma injustiça que fizeram à Beija-Flor em 1989 fizeram hoje à Paraíso de Tuiuti (PT).

Agora à tarde assisti novamente novamente ao desfile e ouvi o samba enredo da Paraíso do Tuiuti. Lembrei-me de como escolhi a Beija-Flor como minha escola de coração em 1989. E como não associar os momentos das duas escolas. O 2º lugar da G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti hoje equivale ao 2º lugar da própria Beija-Flor em 1989.

Beija-Flor em 1989 levou a Sapucaí o samba enredo Ratos e Urubus não Rasguem Minha Fantasia. Naquele ano venceu o desfile a Imperatriz Leopoldinense com o samba enredo "Liberdade! Liberdade! Abra as Asas Sobre Nós". Qual o dilema? Como dar o prêmio a Beija Flor que levou a feiura a passarela? Impossível.

"Mesmo proibido, olhai por nós", essa foi a frase pintada sobre cobertura na estátua de Cristo Redentor. A agenda do Carnaval, o maior espetáculo da terra não teria espaço para tamanha ousadia. O caos social da década de 1980 teve como contraponto ali, naqueles dias, teve tanto a necessidade de uma projeção de esperança quanto de enterrar a realidade e o passado.

A derrota no confronto das notas dos jurados deu-se entre "transformar a realidade em arte e fantasia sem desprender-se dela" ou a "projeção fantástica de um futuro aberto a democracia racial, apesar do passado brutal". Embora supremacistas brancos dos trópicos neguem as cotas e o racismo, quase três décadas após 1989, a realidade deu razão a Beija Flor de 1989. Um futuro cada vez mais aterrador se abre ao presente.

Não por surpresa que a Beija Flor foi sensível ao momento atual e buscou voltar ao clima de 1989. Entretanto, sua coragem de apontar os problemas sociais e o caos que se transformou o RJ não chegou ao ponto de apontar quem os agravou no momento atual. Pontuou a fotografia do RJ como um cenário macabro, mas não foi capaz de ir além disso.

Diversamente, com mais coragem e ousadia, Tuiuti descreveu uma epopeia do Brasil, delineando o circulo que vai da escravidão ao neoliberalismo e o retorno do Brasil a neo-escravismo bancário e a manipulação de massas. Esse é o ponto de retorno onde o escravismo e o mercado se reencontram e se abraçam no atual governo.

No topo da pirâmide um presidente sustentado pelo capital financeiro internacional e a ditadura do dólar como parte de sua plumagem. Impossível uma síntese melhor acabada do que um vampiro como presidente da república, com o retorno da escravidão, o fim dos direitos sociais e a favelização dos brasileiros. Tuiuti é o quilombo da favela.

Em ano eleitoral, a agenda do Carnaval é, em parte, a agenda do ano. Definido esse ponto, os jurados confrontaram-se com o dilema de reconhecer o clima de protesto cujos alvos vão as três esferas federativas e os três poderes de governo, ao empresariado e de não dar o prêmio a G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti. Que seja.

O coração do povo já tem sua campeã.

Vão enterrar o Carnaval na quarta-feira de cinzas. Se os fragmentos de consciência política furtivamente brilharam nesses desfiles é outra coisa, pois acendeu o sinal de alerta na intelligentsia golpista da Rede Globo. A "bomba semiótica" ainda terá efeitos de eco nesse início de ano. Precisarão dispersar a crítica ao alvo certo com a crítica generalista de tudo é ruim e nada presta. O reconhecimento pelo 2º lugar é um remendo para o assunto não render.

É assim que chegamos a Beija-Flor campeã com a "oposição chapa branca". Assim como há o funcionalismo chapa branca e o escravismo nas agendas da grande mídia, ficou claro o vexame dos bastidores caso a Tuiuti não tivesse um local de destaque. E o prêmio para a Beijar Flor será usado para chancelar a oposição chapa branca, ao qual contra tudo e todos é a oposição a nada.

Eu e muitos de nós não esquecemos o papel vergonhoso que Neguinho da Beija Flor fez ao se colocar em favor do golpe e contra as lideranças políticas que mais fizeram em favor dos pobres. A verdade é que a postura atual da escola não redime.

Se restou algo, ao menos o aprendizado servirá de consolo. A Beija-Flor sabe que esse primeiro lugar é desmerecido, do mesmo modo que o seu segundo lugar em 1989 também o foi. Todos sabem que a Beija Flor mereceu o 1º lugar à época, e o 2º hoje.

Tuiuti renovou o espírito crítico do Carnaval. Ainda há liberdade a ser guerreada. Parabéns à Tuiuti por estar no mesmo ritmo da batida do coração do povo brasileiro. A escola de samba fez lembrar que nosso sangue é vermelho e que o coração bate do lado esquerdo do peito.

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