Cássio Vilela Prado avatar

Cássio Vilela Prado

Psicólogo, psicanalista, especialista em Clínica, em Psicanálise e Autismo. Escritor. Servidor público concursado na Prefeitura Municipal de Brumadinho desde 2002

98 artigos

HOME > blog

Vazamentos gramaticais psíquicos

É preciso construir diques e resgatar o verdadeiro dialeto brasileiro corrompido por forças obtusas que obliteram a Democracia e ameaçam a nossa Civilização

Vazamentos gramaticais psíquicos (Foto: Ueslei Marcelino - Reuters)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

Nos pequenos intervalos que se davam durante os meus atendimentos psicológicos voluntários aos familiares das vítimas da tragédia em Brumadinho (MG), era comum o meu acesso às redes sociais para a verificação de novas demandas (WhatsApp, etc.) e para a atualização sobre a situação de calamidade pública na qual se encontrava (e ainda se encontra) o município onde trabalho e resido, buscando colaborar da melhor forma que eu poderia.

Fiz a publicação acima, no Facebook, no dia 27/01/2019, às 12:00 horas, após o misericordioso Presidente Jair anunciar a vinda de 140 soldados israelenses para “ajudar” no resgate de centenas de corpos desaparecidos na lama de rejeitos expelida por uma das barragens da Cia Vale (Córrego do Feijão) – uma de suas menores minas de minério de ferro.

Para um bom leitor, a crítica que faço diretamente no post não se refere a “ajuda” humanitária dos poucos soldados enviados por Israel, mas especificamente às condições trabalhistas em que se encontram os Militares, Civis e o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, este sim, desde o dia 25/01/2019 até o presente momento, não vem medindo esforços humanos, técnicos e profissionais, diuturnamente, para o árduo e penoso trabalho de resgate dos desaparecidos, mesmo com os seus salários constantemente atrasados e o 13º de 2018, recentemente dividido em 11 parcelas pelo também misericordioso governador-empresário do estado de MG, eleito no último pleito na onda bolsonariana.

Após 3 dias de tropeços e atolamentos na lama tóxica da Vale, os soldados israelenses não suportaram mais a situação, pois apesar do alarde sensacionalista de suas técnicas imbatíveis, retornaram ao seu país, deixando na lama centenas de desaparecidos.

Se isso não foi apenas um ato político oportunista de Jair, é melhor pararmos imediatamente de utilizar o pensamento crítico e a razão consciente para guiar as nossas condutas e as nossas vidas, aliás o que já vem acontecendo no Brasil desde a ascensão eleitoral de Messias, incitando e permitindo, de forma especular, o vazamento da nova lama tóxica que invadiu grande parte das mentes brasileiras que se acham no direito de agredir e eliminar os diferentes, não poupando ninguém além de sua claque umbilical.

Se há um dique (barreira) que também precisa ser construído urgentemente, com certeza, será no psiquismo débil e ignóbil de certa parcela nonsense que se acha no direito bolsonita de agredir a Deus dará qualquer um que não apareça nas imagens de sua galeria de espelhos.

É preciso recolher os rejeitos mentais tóxicos denegatórios da castração (condição da existência da Civilização – que sempre aponta para um Outro, para a alteridade).

Tarefa impossível?

Abaixo algumas preciosidades regurgitas por estranhos agentes do “novo” Brasil:

Suellen 3

Suellen 2

Suellen 1

Em respeito à família (avó, irmãs, sobrinho, etc.) da figura logo acima, ainda estou ponderando sobre o que fazer, mas creio que não há como ajudá-la neste momento, pois  parece que a mesma faz parte de um exército de milhões de infectados pela barbaridade gramatical bolsonita.

O mais importante agora é combater as verdadeiras células subterrâneas onde foi editada essa nova gramática brasileira, da qual a figura exaltada acima é uma mera reprodutora ecolálica ressonante conforme o seu arsenal psíquico incontido e vazado em público.

É preciso construir diques e resgatar o verdadeiro dialeto brasileiro corrompido por forças obtusas que obliteram a Democracia e ameaçam a nossa Civilização.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.