Veja e Vorcaro não têm credibilidade
Colunista Jorge Folena critica reportagem da Veja, questiona Daniel Vorcaro e aponta tentativa de desviar o foco das suspeitas contra o clã Bolsonaro
A revista Veja, na edição deste final de semana, estampa em sua capa matéria com o título “Os segredos de Vorcaro". Lendo a reportagem principal da revista, pode-se concluir que se trata de manobra diversionista, cujo intuito é tirar da cena política as graves acusações que pesam contra a família Bolsonaro por evasão de divisas, a partir de milhões de dólares transferidos por Daniel Vorcaro, que podem ter sido empregados em atividades políticas ilícitas e, até mesmo, para enriquecimento pessoal dos integrantes do clã fascista, nos Estados Unidos da América do Norte.
Importante destacar que a revista suavizou muito todas essas suspeitas, especialmente ao afirmar que o aúdio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, com o pedido de dinheiro do primeiro para financiar (em tese) o filme “Dark Horse”, constituiu mero “constrangimento”, afirmando também que (sic) “a princípio, esses personagens não praticaram nenhum crime.” A Veja, como sempre, deixa bastante clara sua opção política, mesmo diante de tudo que tem sido revelado por outros veículos de informação, a partir de provas documentais.
Porém, a Veja tenta envolver ardilosamente o governo Lula no escândalo conhecido como Bolsomaster, sob a alegação de que Vorcaro “desembolsava fortunas para ter ao seu lado pessoas que lhe abrissem caminhos”. É com essa premissa que aponta para o ex-ministro Guido Mantega, de governos anteriores do PT; para Rui Costa, o ex-chefe da Casa Civil do atual governo; e para Gabriel Galipolo, presidente do Bacen, por terem participado de reunião com Vorcaro no Palácio do Planalto (episódio que já tinha sido bastante explorado pela mídia tradicional, quando o assunto veio a público; e que favoreceu o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, de Dezembro de 2025 até abril de 2026, sem que ele tenha apresentado nenhum projeto de governo).
O seminário prossegue, sugerindo que o banqueiro, preso preventivamente por graves fraudes, “pode esclarecer esses e outros episódios, envolver em suas revelações essas e outras autoridades”, pois haveria forte “torcida de alguns para que o caso seja abafado.” Ou seja, é a Veja sendo a Veja.
Todavia, qual a credibilidade de Daniel Vorcaro para tornar-se um colaborador premiado? Nenhuma! Tanto é que ele foi desmoralizado pela Polícia Federal em sua primeira tentativa, na qual omitiu o seu “amigão” Ciro Nogueira, senador que, no mesmo dia em que foi protocolada a proposta de colaboração, teve pedido de busca e apreensão formulado contra si, diante de farta documentação obtida a partir do celular do banqueiro, um playboy que se acha mais esperto que todo mundo.
Naquela ocasião, foi sepultada a possibilidade de qualquer acordo para beneficiar o ex-CEO do Banco Master, que, inclusive, tentou fazer de idiotas as autoridades investigadoras e judiciais.
Conforme está sendo informado, a proposta de colaboração premiada de Vorcaro está sendo rejeitada pela segunda vez, pois ele continua a mentir, a omitir e a não apresentar nada além do que a polícia já apurou nas suas investigações, o que o desqualifica para firmar qualquer acordo judicial visando ter benefícios em sua provável condenação.
Não tenho dúvidas (e até as pedras das calçadas do país sabem) de que há políticos como Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Cláudio Castro e outros, envolvidos com Daniel Vorcaro e suas falcatruas. Mas a Veja tenta, neste momento de desespero para a candidatura de Flávio Bolsonaro, colocar todos os políticos brasileiros no mesmo estágio de contaminação da candidatura bolsonarista, a preferida pelo mercado financeiro controlador dessa revista e de tantas outras mídias.
Assim, a tática da Veja é colocar todos os políticos como iguais para, desta forma, criar uma esperança de recuperação da candidatura de Flávio, na expectativa de que consigam abrir o caminho para a família Bolsonaro retornar à presidência do país e prosseguir com a nefasta política neoliberal posta em curso por seu pai contra a soberania e o futuro do Brasil e contra as necessidades do povo brasileiro.
Portanto, na visão da revista (conforme a construção em curso), se todo mundo é ruim, Flávio Bolsonaro pode disputar a eleição presidencial sem nenhum problema, mesmo que esteja envolvido em falcatruas e tenha se aproveitado de dinheiro decorrente de fraudes bancárias.
Ps: Durante o governo Lula III, o país saiu do mapa da fome, a economia cresce a cada dia e melhora a distribuição de renda para a classe trabalhadora; por outro lado, temos generais na cadeia, a polícia federal revelou que o crime organizado atua também na Faria Lima e um banqueiro, metido a esperto, está preso, o que jamais aconteceria num governo de qualquer Bolsonaro ou outro preposto da classe dominante neoliberal.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




