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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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Velha direita patrocina o caos de um 8 de janeiro permanente

“Jornalões, institutos de pesquisa, Faria Lima e a estrutura golpista precisam fingir que Bolsonaro sobrevive”, escreve o colunista Moisés Mendes

Atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os brasileiros não querem saber de anistia para os golpistas do 8 de janeiro. Não querem que Bolsonaro seja beneficiado por eventuais atenuantes de penas para os manés e terroristas da invasão de Brasília.

E querem que Bolsonaro seja preso. É o que dizem as pesquisas. Mas outras amostragens que se repetem, essas sobre as intenções de voto para 2026, colocam Bolsonaro em condições de se manter na disputa, e como candidato competitivo.

Se os desejos mais urgentes de Bolsonaro não são os mesmos da maioria dos eleitores, o que explica os resultados das pesquisas sobre 2026, algumas produzidas por institutos terrivelmente estranhos? 

O Datafolha, que há três semanas quase tirou Bolsonaro do jogo (perderia para Lula por 49% a 40%), está tão errado em relação a Atlas e Paraná, que devolvem o sujeito ao embate do qual, por ser inelegível, ele nem pode participar? 

As performances da UTI fizeram bem a Bolsonaro? Confirma-se que, em quaisquer circunstâncias, o que importa hoje é a superexposição? Mesmo que seja a da degradação física? 

Tentem encontrar pesquisas semelhantes depois da condenação de Lula pela Lava-Jato. Com Lula a caminho do cárcere político, em situação irreversível, e sendo apresentado como candidato. Essas pesquisas não existem.

Com Bolsonaro é diferente. O líder do golpe é mantido na vitrine, todos os meses, porque a velha direita precisa ganhar tempo. Porque Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho não são fortes como deveriam ser. 

O esforço é para que Bolsonaro se mantenha aparentemente vivo para dizer qual deles terá a sua bênção. Os jornalões e os institutos de pesquisa terrivelmente estranhos fazem, a seu modo, o seu 8 de janeiro. 

É preciso produzir caos, a partir de informações confusas e do ataque sistemático a Lula, a Haddad e a tudo o que representa o poder a ser destruído. As corporações de mídia fazem, do seu jeito, com suas 'notícias', o que os invasores fizeram no ataque a Brasília.

Precisam manter e se possível ampliar um cenário caótico, para que Bolsonaro seja visto como um ser ainda vivo e assim o imponderável se manifeste. O imponderável seria a aparição de alguém com o perfil que antigamente definia um tucano.

No imponderável de 2018, a criatura produzida acabou sendo Bolsonaro. Em 2022, deveriam ser João Doria ou Simone Tebet. Mas eles não conseguiriam vencer Lula. E Bolsonaro foi escalado de novo.

Hoje, a velha direita aceita um Tarcísio de Freitas, fingindo não saber o que ele será no poder, mesmo sabendo que estará amarrado do pescoço aos pés ao bolsonarismo. Mas Tarcísio vacila e não é confiável.

Por isso é preciso prolongar a sensação de confusão, sugerindo que um Bolsonaro inelegível e doente ainda está no jogo. Batendo no que se mexer no governo. Desqualificando Lula e Janja. E vaiando o PIB e o emprego.

Esse é o 8 de janeiro permanente do que chamavam de elites e que hoje é uma coisa disforme que junta Faria Lima, fazendeiros, grileiros, garimpeiros, milicianos, os 300 das facções do Congresso, a Globo, a Folha, o Estadão e os institutos Paraná da vida.

Cada um faz a sua parte na quebradeira que atinge, como foi no 8 de janeiro, os três poderes. É preciso depredar o que resta de bom senso nas instituições e o que ainda temos da resistência e da bravura de Alexandre de Moraes. A velha direita golpista não para de trabalhar para o novo fascismo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.