Venezuela sob cerco: defendendo a Revolução Bolivariana contra o imperialismo norte-americano
Sanções, ameaças militares e guerra híbrida dos EUA colocam a soberania venezuelana no centro da solidariedade internacional
Diante dos recentes acontecimentos na Venezuela sob cerco imperialista, os ativistas solidários internacionais devem adotar uma postura que não reforce involuntariamente a busca de dominação por parte de Washington. Nossa responsabilidade central não é julgar cada decisão tática tomada sob condições de cerco, mas sim nos opor à agressão imperialista que cria essas condições.
A enorme estrutura da guerra híbrida dos EUA contra a Venezuela permanece intacta, continuando a sufocar a recuperação econômica do país e a minar sua soberania. Washington continua exercendo pressão decisiva sobre a principal fonte de receita nacional do país, o setor petrolífero. Utiliza sanções, coerção financeira e domínio dos sistemas bancários globais, como fez contra outros países alvo, como Iraque e Síria.
Ao mesmo tempo, a ameaça de escalada militar direta continua sempre presente, um perigo reforçado por persistentes implantações militares, retórica agressiva e ameaças reiteradas.
O que alguns podem considerar como compromissos injustificáveis do governo venezuelano não se compara às nossas obrigações como ativistas solidários internacionais: defender a Venezuela e Cuba contra as políticas do imperialismo. Os EUA continuam a intensificar bloqueios, sanções, esforços de desestabilização e ameaças militares contra esses processos revolucionários, ao mesmo tempo que travam campanhas de desinformação contra a liderança chavista e a Revolução Cubana.
Tanto Fidel Castro quanto Hugo Chávez identificaram o imperialismo estadunidense como o principal inimigo da humanidade. Nosso foco político principal deve, portanto, permanecer na oposição à dominação imperialista, em vez de permitir que discordâncias secundárias obscureçam a contradição central.
As responsabilidades dos internacionalistas
Em primeiro lugar, o golpe principal deve ser dirigido contra o imperialismo estadunidense. Qualquer discussão sobre deficiências, compromissos ou concessões deve ser compreendida dentro do contexto da agressão externa implacável, dos esforços de desestabilização e das ameaças militares.
É por isso que os internacionalistas fazem campanha vigorosa tanto pelo retorno seguro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores à Venezuela quanto pelo levantamento imediato e incondicional de todas as sanções.
As escolhas políticas feitas pela liderança venezuelana devem, em última análise, ser resolvidas dentro da própria Venezuela. O papel dos internacionalistas é se opor ao imperialismo em seus próprios países, não instruir os venezuelanos sobre como defender sua revolução.
O apoio à Venezuela contra o imperialismo estadunidense não exige concordância com todas as decisões tomadas sob condições de coerção. Compreender decisões políticas tomadas em tais circunstâncias é situá-las dentro das realidades impostas pelo poder militar imperialista. Isso inclui a deportação de Alex Saab.
Um objetivo de longa data da política estadunidense tem sido fraturar a unidade da liderança chavista, das Forças Armadas e da base popular. Apesar da imensa pressão, essa unidade tem se mantido em grande parte. Tentativas de contrapor a solidariedade à base popular à solidariedade à liderança, embora bem-intencionadas, fortalecem objetivamente os objetivos imperialistas.
As condições enfrentadas pela Venezuela
Não sabemos a extensão total das pressões exercidas sobre o governo venezuelano, nem a gama de alternativas realisticamente disponíveis nas condições atuais. A liderança venezuelana opera sob severas restrições geopolíticas. Os EUA ameaçam abertamente com retaliação nos moldes da Líbia ou do Irã. Uma nova escalada militar importante permanece inteiramente possível.
Diferentemente de períodos anteriores, a Venezuela hoje carece de aliados regionais fortes, enquanto, no contexto do genocídio em curso em Gaza, a chamada "lei internacional" oferece pouca restrição significativa ao poder dos EUA.
Dada a enorme assimetria militar entre os dois países, as consequências de um confronto militar direto seriam catastróficas para a Venezuela, incluindo potencialmente a destruição de infraestruturas vitais e a devastação de longo prazo da indústria petrolífera da qual o país depende.
Se os EUA conseguirem colocar a oposição de extrema direita no poder, o resultado provável seria uma devastadora repressão política dirigida contra o chavismo e os setores mais vulneráveis.
Realidades estratégicas e continuidade política
Embora continue a contar com a base chavista, o governo também reconhece a necessidade de construir um bloco patriótico mais amplo, capaz de resistir à pressão imperialista de forma mais eficaz.
Mesmo em meio a compromissos forçados, as conquistas centrais do processo bolivariano permanecem significativas: a preservação da liderança revolucionária, a sobrevivência contra os esforços de desestabilização e a prevenção de uma invasão em grande escala.
Anos de sanções e guerra econômica degradaram severamente a infraestrutura petrolífera da Venezuela. Restaurar a capacidade produtiva, restabelecer o comércio e atrair investimentos tornaram-se, portanto, imperativos vitais.
As transições políticas de Chávez para Maduro e para Rodríguez refletem em grande parte mudanças no cenário geopolítico internacional. No entanto, houve uma continuidade política substancial dentro do chavismo, evidente na solidariedade contínua com Cuba, na vitalidade do sistema comunal e na resistência do movimento revolucionário de massas.
Em conclusão, sob condições de guerra econômica, ameaça militar, isolamento diplomático e esforços perpétuos de desestabilização, as contradições da Venezuela não podem ser analisadas abstratamente ou fora das realidades do poder imperialista. A tarefa primordial dos movimentos de solidariedade dentro dos centros imperialistas continua sendo o que sempre foi: opor-se à agressão das nossas próprias classes dominantes.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

