Vergonhas

A perplexidade nos entorpece à lembrança de um fato esmagado pela dinâmica de ação e de comunicação do GOLPE: não vimos, por fundamental exemplo, NENHUMA PROVA incriminando Lula e Dilma pelo que são acusados e sentenciados na mídia

A perplexidade nos entorpece à lembrança de um fato esmagado pela dinâmica de ação e de comunicação do GOLPE: não vimos, por fundamental exemplo, NENHUMA PROVA incriminando Lula e Dilma pelo que são acusados e sentenciados na mídia
A perplexidade nos entorpece à lembrança de um fato esmagado pela dinâmica de ação e de comunicação do GOLPE: não vimos, por fundamental exemplo, NENHUMA PROVA incriminando Lula e Dilma pelo que são acusados e sentenciados na mídia (Foto: Zê Carota)

nos últimos 2 anos, a cada crime extraordinário cometido pelo FASCISMO alimentado e adestrado pela mídia GOLPISTA – e por ela tornado ordinário, naturalizado, assim levando à mimetização de mais crimes –, nos limitamos a dizer "é, já vi de tudo...".

sem lideranças populares progressistas justificando seu status – ou seja, exercendo seu poder de mobilização do Povo para resposta aos ataques do Phoder –, nos resignamos, e mesmo nos redimimos, com esse mantra "é, já vi de tudo...".

num breve histórico, em ordem mais ou menos cronológica, foi assim quando:

- na abertura da Copa, no Itaquerão, mandaram Dilma no "tomar no cu!";
- após a reeleição de Dilma, e com o início dos "vazamentos" da Lava Jato alvejando Lula, série de ataques a bomba em sedes do PT país afora;
- em 2015 e 2016, nas micaretas FASCISTAS do "quero meu país de volta", dentre outros ódios, vimos: bonecos de Dilma e Lula enforcados num viaduto de Jundiaí; em São Paulo, uma senhora segurando cartaz com os dizeres "Dilma, Pena Que Não Te Enforcaram no DOI-CODI. Fora Dilma e PT"; em Brasília, vestindo a camisa da seleção, "cidadãos de bem" esticaram os braços emulando saudação nazista;
- no desfile do 7 de setembro de 2015, foto feita por um ângulo que sugeria um tanque apontado para Dilma foi estampada nas capas de TODOS os jornais e portais;
- em BH, do lado de fora do velório do ex-senador José Eduardo Dutra, uma blitzkrieg verde e amarela distribuía panfletos com os dizeres "Petista Bom é Petista Morto";
- ganhou ruas e manchetes um grotesco adesivo para tanques de automóveis, no qual uma montagem com Dilma de pernas abertas receberia a pistola de combustível;
- em bares e restaurantes, os ex-ministros de Lula e Dilma, Alexandre Padilha, Patrus Ananias e Guido Mantega foram ameaçados por "cidadãos de bem", culminando num cerco hidrófobo a Mantega no hospital em que sua esposa estava sendo operada;
- nascido o segundo neto de Dilma, um advogado de Brasília, nas redes sociais, manifestou seu desejo de quebrar as pernas do recém-nascido;
- na sessão de admissibilidade do GOLPE na câmara, naquele 17 de abril de 2016, bolsonaro dedicou seu voto ao torturador de Dilma, ganhando destaque por isso.

e a todas essas, nenhuma ação efetiva nossa, comandada por nossas lideranças, para pressionar firmemente e obrigar à ação os responsáveis por punir esses crimes previstos em leis, assim contendo um FASCISMO ainda em seus primeiros vômitos.
nada, e a gente aí, murmurando: "é, já vi de tudo..." – e o FASCISMO crescendo.

não, não vimos de tudo.

a perplexidade nos entorpece à lembrança de um fato esmagado pela dinâmica de ação e de comunicação do GOLPE: não vimos, por fundamental exemplo, NENHUMA PROVA incriminando Lula e Dilma pelo que são acusados e sentenciados na mídia.

e é justamente isso que GOLPISTAS e FASCISTAS, os das "instituições que estão funcionando" e os da agora silenciosa Orquestra Sinfônica de Panelas, não perdoam em ambos – e todo esse ódio precisa de uma catarse qualquer, que, não encontrando gatilho nos fatos, se alivia com a ida à porta de um hospital maldizer e desejar o pior a uma mulher contra a qual, tal como Lula e Dilma, não há um só crime que se prove.

se há alguma serventia nisso, a de escancarar o verdadeiro desejo de todos esses "cidadãos de bem": não querem o fim da corrupção coisa nenhuma, querem tão e somente a morte – por sádica preferência, sofrida – de quem foram adestrados a odiar.

se avançam com desfaçatez, a razão é simples: o escárnio bandido é sempre inversamente proporcional à resistência e à resposta que damos a seus portadores.

fiz um levantamento rápido do total de filiados de nossos movimentos, partidos e sindicatos progressistas, e apurei algo em torno, por baixo, de 20 milhões de pessoas.
se não se conseguir mobilizar não digo nem 10% desse total, mas 5%, ou 1 milhão de pessoas – que é gente o bastante para um início da mudança necessária –, então não nos convidem mais para atos e passeatas, mas para seus simbólicos velórios.

ter poder e não usá-lo é ainda pior que o mal uso do poder, uma vez que este só se estabelece – como agora – em razão da apatia daquele.

é o que temos pra hoje.
do contrário, num breve futuro, estaremos todos irmanados em vergonhas.
uns, pelo que fizeram, outros, pelo que não fizeram.

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