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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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Vilão desdentado

Jair Bolsonaro tem feito ‘de um tudo’ para conseguir aprovar o voto impresso, seja lá como e onde, no pé da orelha do Congresso afagando Arthur Lira, ou no grito no TSE enfrentado os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. 

A Comissão do Voto impresso na Câmara votou e derrubou, por 23 votos a 11, a proposta de instauração do voto impresso nas eleições. Ainda resta a Bolsonaro, a improvável possibilidade, de que a votação vá à plenário. 

Essa derrota impõe a Bolsonaro o plano B, que é piorar ainda mais a sua imagem com o poder judiciário, para que os inquéritos nos quais é investigado, siga em frente e o torne inelegível para 2022, casse a sua chapa, não importa a qualificação, Bolsonaro quer e precisa da vitimização para justificar o confronto. 

Bolsonaro sabe, por antecipação, que será derrotado nas urnas para qualquer um de seus futuros oponentes. Além das diversas pesquisas divulgadas na mídia, o governo tem a sua própria. Em absolutamente todas, Bolsonaro aparece derrotado. 

A verdade libertará uns e levará outros para a prisão. O desespero maior do presidente é que, sem mandato, seus crimes, assim como os de seus filhos, serão investigados sem qualquer tipo de indulto ou perdão.  

Sem apoio da cúpula militar, não resta nada mais a Bolsonaro a não ser assumir que é um vilão desdentado, um asshole que ainda desperta simpatia nos cercadinhos, um protagonista do caos e dos ignorantes descontentes, para que consiga arregimentar um, ou mais de seus braços de apoio, na tentativa patética de repetir a mal sucedida insurreição no Capitólio. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.