“Você tira Khamenei e quem vai entrar? É um mistério.”
Moisés Rabinovici, em entrevista ao “Cessar-Fogo”
Nessa entrevista ao programa Cessar-Fogo, apresentado na TV 247 toda sexta-feira, às 21h00, o jornalista Moisés Rabinovici revela bastidores do Jornal da Tarde - “era uma monarquia onde ninguém se respeitava” - de sua vida no kibutz de Israel, que ele por pouco não trocou pelo jornalismo, e de sua trajetória como correspondente internacional, quando viu, dentre outros episódios de guerra e de cessar-fogo, Trump comentar, quando as tôrres gêmeas foram derrubadas:
“Agora meu prédio é o mais alto de Nova York”.
EU: Olá, sejam bem-vindos a mais um programa Cessar-Fogo, programa de entrevistas da TV 247. O meu convidado de hoje é é um jornalista que é uma referência, é um dos grandes jornalistas brasileiros, vocês vão conhecer mais de perto, com histórias incríveis, no Brasil e lá fora, e continua na ativa, com seus oitenta anos, eu estou com setenta e seis, ele está com oitenta, mas continua na ativa, hoje na Band News, ele se chama Moisés Rabinovici, mais conhecido no meio como Rabino, o Rabino do Jornal da Tarde. Rabino, tudo bem?
RABINO: Tudo ótimo. Eu estou vendo o nome do programa, Cessar- Fogo, e me lembro agora do Cessar-Fogo em Gaza, que é totalmente violado todos os dias, e hoje o Departamento de Estado, reagindo sobre as questões que surgiram, mas que cessar-fogo é esse? Tem quinhentos e trinta mortos já, isso é normal, nós vamos ver isso daqui a pouco.
EU: Por que não cessa o fogo lá? Já não acabou a guerra?, parece que acabou a guerra.
RABINO: Acabou, mas o cessar-fogo tem uma linha chamada linha amarela. Mas essa linha amarela existe no papel, não existe demarcada no chão, que já é meio marrom, amarelo, areia do deserto. Então, toda hora, o palestino avança pela linha amarela, porque ele não sabe onde fica, e Israel atira nele. Agora... O último cessar-fogo foi rompido porque o oficial israelense foi ferido gravemente. E aí, como os que atiraram fugiram, Israel resolveu atacar alvos que já tinham preparado com antecedência. E aí deu vinte e oito mortes mais. Todo dia esse número de mortes aumenta em nome do cessar-fogo, o que é uma contradição. Eu lembro que… vou falar um pouquinho mais, eu lembro que quando eu estava no Líbano, no cessar-fogo de 1984, que foi costurado pelo Felipe Habib, um americano libanês, Israel não parava de bombardear, continuava bombardeando, e quem era o ministro da Defesa era o Ariel Sharon. Então, as reclamações chegaram à Casa Branca, e o presidente da época, Ronald Reagan, pegou o telefone e ligou para o Menachem Begin, que era o primeiro ministro, e gritou “Shalom”, e desligou o telefone. Quer dizer, ele deu uma ordem de paz, que chegue a paz. E aí os aviões voltaram para Israel, o silêncio tomou conta do Líbano e a gente pôde ouvir o repicar dos sinos das igrejas, anunciando o cessar-fogo, que se tornou então o cessar-fogo definitivo. O Líbano foi reconstruído em cima dele. E hoje é um país, outra vez, maravilhoso, reconstruído, uma pena que ainda tenha ameaças de destruição por parte dos ataques do Hezbollah a Israel.
EU: Bom, já que você entrou nessa pauta do cessar-fogo, você é que manda na pauta, o entrevistado é que manda, quantos cessar-fogo você viu na sua vida?
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“Eu acordava de madrugada
para arar as terras do kibutz
que faziam fronteira com Gaza”
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RABINO: Eu vi esse do Líbano, eu vi um de El Salvador, das Guerrilhas do Farabundo Marti, eu vi a queda do Muro de Berlim, que pode ser considerado um cessar-fogo também e o cessar-fogo no massacre dos Tutsis em Ruanda. Então, são cinco, quatro séries. E vi também assinaturas de paz, né? Na Jordânia, em Washington, entre Israel e o Egito, entre Israel e depois a OLP. Mas eu vi também muitas guerras, né? Todas essas com cessar-fogos de paz, vieram ao fim de guerras que eu participei como repórter.
EU: Ainda bem que foi como repórter. Você não provocou nenhuma guerra.
RABINO: Nenhuma. Mas eu tinha, na Guerra de Israel, uma barba comprida, até quase o umbigo, e tinha um militar que me escoltava. Então, eu parecia parte da guerra, parecia um israelense indo para o fronte, mas não ia, não.
EU: Essa foi o quê? A guerra dos seis dias?
RABINO: Não, não sou tão velho assim. Quer dizer, eu fui para Israel com a Guerra dos Seis Dias, mas não participei dela. Eu fiquei, vivi num kibutz lá por quase um ano, arando a terra e vivendo uma outra vida que eu poderia ter levado como agricultor. Adorei, adorei. Eu acordava de madrugada para arar uma parte das terras do kibutz, que faziam fronteira com Gaza, acompanhado de um druso, porque o druso enxerga de noite, e era uma época de “fedaíns”, “fedaín” é terrorista. Eles saíam de Gaza e nos atacavam. E eu pude, então, preparar a terra, depois eu pude semear, depois eu pude regar. E quando eu saí de Israel, porque a minha licença no JT estava acabando, o trigo estava do meu tamanho. E eu me perguntei mais de uma vez, será que eu quero voltar? Será que eu vou para a máquina de escrever outra vez? Ou é melhor ficar no trator? Era uma vida muito saudável, era uma vida socialista, “kibutznik”. O kibutz era marroquino, o que me agradava bastante. E me ensinou a fazer enxertos em ameixa, colher laranja e trabalhar a terra. O festival de música onde começou a invasão do Hamas em Israel, em outubro de 2023, começou no kibutz em que eu vivi, em 1967, que era o kibutz Reim. Hoje está grande, já não é mais a mesma coisa que na minha época. E eu tenho saudades dessa vida, Alex. Mas eu também estou feliz sendo jornalista.
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Minha “mãe” marroquina
despertou em mim complexos
de Édipo violentos
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EU: Então, explica o que é um kibbutz. As pessoas não sabem direito. O que é um kibbutz?
RABINO: O kibutz é uma vida comunitária. Você tem a sua função, você compartilha o trabalho no restaurante uma vez por semana, uma vez por mês, dependendo do tamanho do kibutz. As crianças são levadas para uma escolinha onde elas vivem, separadas dos pais. Elas veem os pais como realmente pais. Em fins de tarde, nos feriados, eles vão visitá-las, levam para passear. Então, eles são realmente pais. Educação, alimentação, é tudo por conta desse kibutz mirim. E as crianças vivem ali. À medida em que você trabalha, você vai ganhando quilometragem nos carros do kibutz. Então, você pode pegar um carro e rodar o tanto que você conquistou com o seu trabalho. Os kibutzim, kibutzim é plural de kibutz, têm piscinas. Então, como eu trabalhava de madrugada, eu encostava o trator, passava o trator para outra pessoa, dormia um pouco e depois ia para a piscina. Tinha o resto do dia livre. E no kibutz você deixa as portas do seu quarto abertas. Então, esse druso que me acompanhava de noite entrava no meu quarto e levava todo dia o meu rádio. E o rádio eu usava para ouvir o que estava acontecendo. Eu ia no quarto dele e buscava de novo. Porque ninguém é dono de nada. Você compartilha tudo.
EU: Não circula dinheiro, não é?
RABINO: É, você tem um armazém no kibutz, onde você vai comprar seu cigarro, se você é fumante, e você abre lá uma conta. porque você tem uma quantia por mês para gastar. E o kibutz é isso, é uma vida compartilhada. Eu escolhi um kibutz pequeno, porque eu estive num grande e ninguém se comunicava, no Norte do país, perto da fronteira do Líbano. E eu fui, então, para o Sul, no deserto do Neguev, ao lado de Gaza. Ah, e uma coisa importante, você entrando no kibutz, você sendo novo no kibutz, você ganha uma mãe. Uma mãe para te orientar. Na verdade, você ganha pais. Mas eu tinha mais contato com minha mãe, que era uma linda marroquina, que despertou em mim complexos de édipo violentos. Mas ficamos como filho e mãe, e ela me introduziu ao kibutz, e eu adorei a vida lá. Mas o problema é que eu gosto muito de ser jornalista. Então, quando eu recebi o telegrama do Murilo Felisberto, que era então o meu chefe no Jornal da Tarde, dizendo, sua licença está acabando, volte para o Brasil, eu bambeei. Tive uma semana para decidir. E aí eu peguei o avião, voltei para o Brasil e retomei o meu posto de repórter no Jornal da Tarde. O bravo Jornal da Tarde.
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O crânio de 10 mil
anos virou um crânio
de 1 milhão de anos
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EU: Pois é, então. Foi um momento mágico da imprensa. O Jornal da Tarde foi um acontecimento, em plena ditadura, não é? Mas era um jornal em que todos os jornalistas queriam escrever lá.
RABINO: Mas tinha tudo para dar certo, porque, veja, era a época dos Beatles nascendo, era a minissaia, eram os cabeludos, era uma liberação geral do sexo, e das drogas também. O Jornal da Tarde surgiu nesse momento em que o mundo descobria novidades e as desenvolvia. O Jornal da Tarde foi isso. Ele nasceu num momento de grande inspiração mundial e soube aproveitá-la. O jornal veio com uma linguagem nova, o jornal acabou com aquilo de atrair o leitor com o “lead”, aquela coisa de quem, quando, onde, por que, e passou a atrair o leitor com a emoção, um texto que pescava ele com a emoção e levava ele até o fim, até o ponto final do... Os jornais que existiam viram aquilo e também foram modificando, foram se refazendo. E o Jornal da Tarde fez escola, realmente, fez escola. Era um grupo de repórteres escolhidos, no começo em Minas, depois no Rio Grande do Sul, depois que o JB levou para o Rio de Janeiro os primeiros mineiros do celeiro que depois abasteceu São Paulo. O celeiro acabou, o próximo centro de repórteres passou a ser Porto Alegre, de onde veio o Marcão (Marcos Faerman) e outros tantos jornalistas. Você falou do jornal do Hamiltinho, o ex-, ele também era do Marcão. Os dois fizeram ali juntos. Então, grandes repórteres passaram pelo JT. Aquela coisa de que era um jornal mineiro acabou logo, porque nós tínhamos lá o Portela (Fernando Portela), pernambucano, tinha o Hamiltinho de Almeida, que era paulista. Não era... verdadeiramente mineiro. Era engraçado o linguajar dentro da redação, as brincadeiras.
EU: Você sabe que, com o Fernando Portela, eu tive um incidente... Eu era “foca”. Tinha lá os “focas” do Laerte Fernandes, que cuidava dos estagiários. A primeira matéria que eu datilografei, entreguei para o Fernando Portela, ele começou a ler, amassou a lauda e jogou no lixo. Foi a minha estreia. Mas já que você falou em Minas, onde você conheceu o Murilo Felisberto, vale a pena você contar a história do crânio de mais de mil anos, foi o começo da tua vida no jornalismo. Como é que foi essa história do crânio?
RABINO: Eu estudava no Colégio Anchieta, onde havia um professor de francês, Moacir Vasconcelos, que teve a ideia de partir para o interior e fazer pesquisas em cavernas. Na verdade, a gente fazia as pesquisas e ele ficava nas cidades fazendo a reforma agrária. Ele ia lá inflamar o povo. Para as nossas pesquisas, veio um professor de arqueologia chamado Hélio Diniz. E o Hélio Diniz tinha uma paixão por um dinamarquês ou holandês. Dinamarquês, professor Lund. Ele andou por Minas e mapeou grutas e locais que poderiam ser explorados. E nós fomos no rastro do Lunge. Era muito bom passar fim de semana em grutas. A gente aprendeu bastante, tinha que escavar embaixo de pinturas rupestres, descobrimos tatus gigantes, mas um dia nós descobrimos um crânio. E esse crânio, o professor Diniz tinha o hábito de pôr um osso na língua. Se o osso colava, é porque ele tinha pelo menos dez mil anos. Ele fez isso com o crânio e disse, olha, nós fizemos uma descoberta importante. Então, o crânio foi submetido a testes de carbono 14 e deu mais de dez mil anos. Esse crânio, com dez mil anos, podia mudar a história pré-colombiana de Minas. Mas, com os rumores da descoberta que circulavam em Belo Horizonte, cidade pequena, então, a Última Hora mandou um repórter me entrevistar, porque eu era o presidente da Associação de Arqueologia do Colégio Anchieta. E eu contei tudo para ele. E ele, no dia seguinte, saiu com uma manchete no jornal de que nós tínhamos descoberto um crânio de um milhão de anos. Um milhão de anos não muda a história pré-colombiana de Minas, muda a história do mundo! Então, os arqueólogos, antropólogos, organizações do mundo todo começaram a ligar para o Colégio Anchieta, querendo mais detalhes do crânio de um milhão de anos.
EU: Ele se enganou ou foi de propósito?
RABINO: Eu nunca quis perguntar isso para ele. Eu já chego lá no meu conhecimento com ele. Quase falei o nome dele, mas não quero falar. Eu fui escolhido pelo colégio para ir desmentir a notícia. Eu me muni de livros e cheguei ao balcão da Última Hora, que ficava numa sobreloja da Praça Sete, em Belo Horizonte, botei os livros no balcão e falei assim: “exijo a verdade, a bem da ciência”. A porta que estava logo na minha frente começou a tremer. E eu fui levado para o José Wainer, irmão do Samuel Wainer, que chefiava a Última Hora nacional desde São Paulo. O Zé Wainer ouviu o que eu contei e disse, vai na redação, senta e escreve. Foi o que eu fiz e entreguei o texto para o Alberico Souza Cruz, que era o repórter de polícia que estava sendo promovido para outro posto do jornal. E era preciso ter um outro repórter de polícia. E ele me perguntou assim, na lata, quer ser repórter de polícia? Eu falei, quero. No dia seguinte, comecei a trabalhar e logo cobri o julgamento de um crime desses de Minas, das irmãs Poni que mataram o marido infiel. E conheci o autor, conheci bem o autor, da reportagem do um milhão de anos, que era um anti-lacerdista radical. Quando um dia anunciou-se a passagem do Lacerda, do Carlos Lacerda, pela Avenida Afonso Pena, ele começou a estudar um jeito de se jogar em cima dele do sobrado, quando o carro passasse. Mas ele não ia passar em carro aberto, então o repórter achou melhor desistir. Então, ele era essa figura fantástica.
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E a mulher me deu a calça
com todos os planos
de invasão do quartel
dentro de um bolso
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EU: Era um repórter performático, então?
RABINO: Muito. Ele disse para mim um dia, o que me leva a crer que ele fez propositadamente, para que a notícia fosse a manchete do jornal, como foi: “só acrescentei alguns zeros”. Isso mudou a história do mundo e me deu acesso ao jornalismo, pelo que sou muito grato. E aí fiquei, na Última Hora... A Rádio Patrulha, que era, na época, como a gente chamava o carro de polícia, passava lá em casa, porque sem repórter não tinha para eles nenhuma emoção desvendar um crime, prender uma pessoa. Então, eles iam buscar o repórter em casa para acompanhá-los nas diligências. E eu fui esse repórter por muito tempo. O professor que fazia a reforma agrária nas cidades foi preso quando a gente pichava a Praça Sete com a frase “revolução é a solução, PC do B”. Então, a gente pichava lá. Mas havia um circo junto. E o circo pichava bem nesse fim de semana. Chegou um agente do DOPS, um policial, e perguntou para um dos caras, o que vocês estão pichando não é proibido? “Pergunta lá para o seu chefe”. Mas ele não avisou ninguém. Em pouco tempo, a Praça Sete foi cercada, fomos todos presos para o DOPS. A Última Hora me liberou no dia seguinte. Mas o professor ficou preso e me pediu, porque ele tinha resistido à prisão e a calça dele estava rasgada. Então ele me pediu para pedir à mulher dele que levasse uma calça nova para ele. E eu fiz isso. E a mulher me deu a calça com todos os planos de invasão do quartel de Belo Horizonte dentro de um bolso. Ele acabou tendo que sair do Brasil e foi dar aulas de português, aqui no Brasil ele dava aulas de francês, foi dar aulas de português na Faculdade de Rouen, a cidade da Joana D’Arc, onde eu o visitei uma vez, ele ficou muito feliz, até me fez ler um texto em português para os alunos verem o sotaque perfeito. Eu não sei, mas ele já deve ter morrido, ele era bem mais velho que eu. Ele era comunista e, durante todo esse período de escavação, ele desenterrava o comunismo nas cidades em que nós vivíamos, nas grutas, na cidade. Essa foi a minha chegada ao jornalismo e a perda de um amigo querido, que se chamava Moacir Vasconcelos, professor Vasconcelos.
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Meus copidesques, os redatores
que modificam os textos se
precisar, eram uns insubordinados
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EU: Foi aí que você conheceu o Murilo Felisberto também, foi nessa época?
RABINO: Eu não conhecia o Murilo. O Murilo foi com o Hamiltinho de Almeida para Belo Horizonte, com uma lista de nomes. E foi aí que eu conheci ele. Ele me procurou... Comigo ele falou muito pouco. Ele disse assim, você vai, não sei o quê e tal. Me ofereceu o dobro do que eu ganhava. E aí ele conversou mais, foi com o Mitre, com Carmo Chagas, com Ivan Ângelo, os principais mineiros que tiveram postos influentes no começo do Jornal da Tarde. E eu fui para ser repórter. E fui repórter. Fui repórter, depois fui repórter especial, depois passei a editor, secretariei a redação algumas vezes. Quando eu era editor, meus copidesques, os redatores que modificam os textos se precisar, eram uns insubordinados. Marcão Faerman, Fernando Morais, Fernando Portela e mais alguns. Eu sei que era muito difícil passar uma ordem para eles, porque eles desvirtuavam tudo. Eu não tinha o respeito deles. Aliás, ninguém tinha respeito por ninguém lá dentro. Era todo mundo igual. Então, eu passei um tempo aprendendo com eles também. Depois eu secretariei a redação, dirigi o jornal por algum tempo. Aí, um dia, quando a Guerra dos Seis Dias estava acabando, o jornal me perguntou se eu topava ir para Israel. Ah, não, desculpe, desculpe. Quando a guerra estava acabando, eu conheci o Naum Sirotsky, que era o adido cultural de Israel em Tel Aviv. E foi justamente para o lugar dele que o jornal me convidou quando Anuar Sadat foi visitar Jerusalém, numa iniciativa histórica que mudou o Oriente Médio. Então, o Naum Sirotsky tinha saído, estava no lugar dele um repórter que escrevia em inglês e o jornal queria alguém que escrevesse em português. E eu topei. Então, Laerte Fernandes, que você conheceu, que era o chefe de reportagem do JT, ligou para a Embaixada de Israel em Brasília e anunciou que o jornal estava mandando o Rabino para Israel. O embaixador, muito assustado, perguntou, por que mais um? Aí o Laerte caiu na real e disse, não, não, não, Rabino é o apelido dele, Rabinovici é metade do nome do apelido. E assim foi.
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Ele agia como numa monarquia.
E dava origem a fofocas, porque
para ele o jornal tinha que ter vida
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EU: E por que o Murilo Felisberto era chamado de “Rainha”? A rainha. Não era nada em relação a sexo, evidentemente.
RABINO: Não, não. Ele era branco, a sala era branca, o carro Opala dele era branco, com estofados brancos. Era uma rainha. E agia como tal. Ele agia como numa monarquia. E dava origem a fofocas, porque para ele o jornal tinha que ter vida. E ele, então, insuflava rumores, mas tudo numa brincadeira saudável.
EU: Jogando um contra o outro, é isso?
RABINO: Dizia que eu estava apaixonado por uma mulher que o outro já estava namorando. E criava essa tensão criativa dentro do jornal. Mas, como correspondente, acabei passando para o Grupo Estado. O correspondente trabalhava para o Estadão, para o Jornal da Tarde, para a Rádio Eldorado e para a Agência Estado. A Agência Estado revendia o que eu escrevia para o Estadão. Eu falava na Eldorado quase todos os dias e os meus textos eram publicados no Estadão, com algumas mudanças no Jornal da Tarde, para não ficar tudo igual. E foram assim oito anos de correspondência em Israel. Depois eu fui para Washington e depois, quando eu recebi um convite para a revista Época ser correspondente em Paris, eu topei na hora. E aí eu saí do Jornal da Tarde, mas voltei depois para o grupo quando, depois de dois anos, a correspondência acabou, porque já tinha William Wack em Londres, tinha eu em Paris, e a revista queria ter um só na Europa toda. E ficou o meu colega William Wack. Eu voltei para dirigir a Agência Estado, para fundar, para reunir num só site, que então se chamaria Portal, os sites da Eldorado, do JT, do Estadão e da Agência Estado. Cada um tinha o seu site. E a ideia era juntar todos num portal. O que eu fiz?
EU: Você agora é um correspondente internacional sem sair do Brasil. Nem precisa. Você é a melhor fonte de notícias internacionais, não só na Band News, onde você trabalha hoje, você trabalha no Grupo Band, que, aliás, faz o melhor jornalismo da televisão hoje, muito à frente do Globo News. A Globo News, eu acho que é um jornal para adolescentes, para estudantes, não sei, eu vejo aqueles comentários deles, todos iguais, todos bonitinhos, aquelas meninas todas bonitinhas, mas não parece jornal para adultos, assim como a Folha, a Folha também, e o UOL, que explica o que é reportagem, reportagem é uma série de acontecimentos… Então, parece coisa para criança, não sei, para estudante. E o Estadão, que eu assino, é jornal de adulto. O Estadão é um jornal de adulto, com assuntos sérios e tudo, assim como a Band, né? E por coincidência é dirigida hoje pelo Mitre, né?
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Ninguém está bom das pernas
no mercado, na indústria
de jornalismo, de notícias
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RABINO: Ele saiu do JT para a Band, voltou para o JT, voltou para a Band, ele transitou frequentemente nas duas redações. Mas o que a gente pode ver é que ninguém está bom das pernas no mercado, na indústria de jornalismo, de notícias. Veja o Washington Post. Está demitindo um terço dos seus oitocentos jornalistas. Acabou com todos os correspondentes. O que... o que mostra que ser correspondente internacional sem sair do próprio país é possível. É melhor. Eles terminaram com todos os correspondentes. Ser correspondente internacional... sem sair do seu país? É possível, sim, porque hoje as comunicações ficaram bastante ágeis. Quando eu comecei, você passava telex. Hoje você tem whatsapp, meios diferentes de comunicação. Agora, tendo sido correspondente, eu continuo a conversar com amigos que ficaram e que são jornalistas importantes em todos os lugares onde eu passei. Então, a diferença, o diferencial talvez seja esse, é que eu, tendo uma dúvida aqui, eu ligo para um amigo meu ou, às vezes, até para alguém do governo, alguma fonte que ficou e incluo no meu texto as informações que só eu vou ter e nenhum outro jornal vai conseguir. Não são tão importantes, porque as minhas fontes não são mais... tão importantes, mas são informações exclusivas. Isso recheia o texto, isso dá vida ao texto. E tem as memórias. Eu contei para você no começo da nossa conversa do cessar-fogo do livro. Ontem eu pus no texto sobre mais uma violação do cessar-fogo, essa história para mostrar que o cessar-fogo é sempre violado, desde que não tenha... um lado obrigando o respeito, como foi o Reagan em 1984 e como deve ser o Trump agora, nessa época, nesse cessar-fogo, que, aliás, segue um plano de paz dele. Está meio que de lado, esquecido, enquanto ele ameaça uma guerra com o Irã.
EU: O mundo está muito estranho, porque países democráticos têm eleito presidentes que não são nada democráticos. Então, os Estados Unidos elegem o Trump. A gente vê, tem várias contradições. Muito estranho. Claro que, apesar de o cessar-fogo estar nessa instabilidade toda, mas ele foi importante para acabar com a guerra em Gaza. Então, ele faz algumas coisas inesperadas, mas ele age como um ditador, um monarca. Da Groenlândia, parece que ele já desistiu. Ele queria anexar a Groenlândia, a Venezuela já transformou em colônia.
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Ele aceita um avião de presente
de quem está negociando
com ele importantes decisões
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RABINO: Ele é um ególatra. Ele é um ególatra, mas tem uma estatura.
EU: Ele quer transformar Cuba em colônia também.
RABINO: Muitos dizem que ele é maluco e tal. No primeiro mandato dele, pelo menos dois livros saíram com quarenta psiquiatras diagnosticando que ele era um doido, com vários outros nomes da psiquiatria. Mas como nenhum deles teve uma conversa pessoal ou um exame pessoal, ninguém levou em conta. Mas ele é um ególatra, ele é vaidoso. Ele colocou o nome dele antes do nome do Kennedy no anfiteatro de Washington, que sempre foi o Kennedy Center. Agora ficou sendo Trump e Kennedy Center. Ele colocou na frente do nome da família Kennedy, que não gostou nem um pouco. Ele aceita um avião de presente de quem está negociando com ele importantes decisões… E ele agora ficou muito envolvido com Dubai, com os Emirados, com Qatar e com a Arábia Saudita. Mas é o único homem, como você há pouco disse, capaz de impor a paz a Israel, porque ele detém o poder de abrir a torneira da ajuda financeira e militar ou fechar. Então, ele levou o premier Benjamin Netanyahu, que é astuto, a uma armadilha em que agora ele está preso. Jamais Benjamin Netanyahu aceitaria a paz sem desarmar o Hamas. Jamais Benjamin Netanyahu aceitaria uma paz em que o Hamas não estivesse totalmente liquidado. E ele continua belicista. Ele quer continuar o ataque que começou em junho contra o Irã para acabar com as usinas nucleares que não foram destruídas. O único homem que tem condições... de impor respeito a Benjamin Netanyahu é Donald Trump. Donald Trump também tem o poder financeiro. Ele usou as tarifas para conseguir negociações que beneficiaram os Estados Unidos. Ele põe uma armada fantástica diante do Irã, e diz, vem aqui conversar, e vamos conversar nesses termos. A guerra contra o Irã, segundo fontes em Israel, só não sai esse fim de semana, porque tem o Super Bowl nos Estados Unidos, no domingo. Então, depois que passar o Super Bowl, tudo pode acontecer. Ou então, Trump não vai ligar para o Super Bowl, como também já estavam dizendo que ele não ia atacar enquanto estivessem em desenvolvimento as Olimpíadas de Milão. Mas ele não vai ligar para isso. Ele pode ligar para o Super Bowl, porque milhões de americanos assistem e vão parar o domingo para ver. Mas é um homem perigoso. Perigoso porque está imbuído de um poder gigantesco e eu não conheço nenhum amigo meu que votou nele nos Estados Unidos. A gente não consegue contato com “trumpistas”. Eu sei que eles estão no interior, estão em zonas rurais, sei dos estados em que ele é majoritário, mas ainda não consegui falar com um “trumpista” verdadeiro, só com opositores. E eles estão uma arara. Eles têm vergonha do que está acontecendo com o papel dos Estados Unidos no mundo hoje.
EU: Ele só não consegue acabar com a guerra na Ucrânia. Como está o negócio na Ucrânia?
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É melhor para Putin lutar
com mercenários que
não são enterrados em Moscou
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RABINO: Hoje, ontem e anteontem, houve negociações em Dubai. A Ucrânia está quase cedendo os territórios que o Putin quer, porque não aguenta mais a guerra. Da parte da Ucrânia morreram até agora, até agora, 55 mil… da parte da Rússia, fala-se em um milhão, mas a Rússia contratou muitos mercenários, agora tem muito africano na frente de batalha. Teve antes afegãos, teve antes gente do Cazaquistão. Putin parou de mobilizar os jovens porque fica muito visível para os russos que a guerra está consumindo muitos soldados. Então, é melhor ele lutar com mercenários que não são enterrados em Moscou, não têm homenagens oficiais, não tem país para mandar de volta. Então, foram lá nos campos de batalha. É o que os Estados Unidos fizeram também no Iraque, contrataram muitos mercenários, porque estava num ponto delicado a chegada de corpos e sacos aos Estados Unidos. Então, a guerra com a Ucrânia, ela continua. A Rússia está bombardeando sem dó os... serviços de calefação, energia, luz. Acaba com a energia em cidades inteiras. As pessoas vão dormir nas estações de metrô que são profundas e servem como bunkers. E a Ucrânia ontem bombardeou uma cidade russa em que os russos viveram um dia de Ucrânia, sem energia para esquentar o inverno rigoroso. Não tem fim, a não ser que realmente os ucranianos cedam, o que é muito difícil, porque para isso é preciso passar pelo Parlamento. O Parlamento não se reúne há algum tempo. A guerra continua. Então, Trump tentou tudo o que podia com o Putin. Dizem que Putin tem alguns vídeos que comprometem o Trump nos tempos em que ele ia lá como apenas um agente imobiliário. E aí ele produzia festas no seu quarto de hotel. Isso teria sido filmado pela KGB e esse material estaria em mãos de Putin, que então tem essa possibilidade de chantagem com o Trump. Não sei se isso é verdade. Isso é uma história que se conta, e que Putin é muito capaz de usar. Mas a guerra da Ucrânia com a Rússia é muito difícil acabar agora, porque ele não tem a mesma... importância que tem para Benjamin Netanyahu, e assim ele acaba com a guerra em Gaza, acaba no Líbano, acaba no Síria, e vai fazer uma mudança geral no Oriente Médio, e se possível reconstruir Gaza em moldes que ele próprio desenhou como um agente imobiliário, o Steve Witkoff, que é o representante dele para as negociações, também vem da área imobiliária. E o Jared Kushner, que é o genro dele, também trabalha na área imobiliária. Então, eles apresentaram um vídeo em que, na costa de Gaza, no litoral, você viu perfilados vários prédios pomposos com a intenção de se tornarem a Dubai do litoral, a Dubai do Oriente Médio. Tudo isso está suspenso. O seu programa Cessar-Fogo é o único cessar-fogo que realmente vale, porque o cessar-fogo na Ucrânia, em Israel e nos Estados Unidos com Trump vivem muito frágeis.
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O seu programa Cessar-Fogo
é o único cessar-fogo
que realmente vale
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EU: É impressionante, porque a China trabalha em silêncio. Você não ouve nunca o Xi Jinping, ninguém sabe que ele existe. Os chineses não falam, ao contrário do Trump, que fala o dia inteiro. É engraçado isso, porque ele tem pinta de ditador, de monarca, E, ao mesmo tempo, ele conversa com a imprensa o tempo todo como um presidente democrata. Ele pega o avião e está conversando com a imprensa, e fala qualquer loucura. Eu fico impressionado com isso, porque a gente não vê mais aqueles presidentes positivos, assim, Nelson Mandela e tal, é o Netanyahu, é o Trump, é a Meloni na Itália, Macron parece um cara totalmente perdido, um garoto que não sabe o que faz. Onde estão os líderes? Os estadistas sumiram? Acabaram os estadistas?
RABINO: Eu conheci o Trump em cima de um ringue de boxe anunciando uma luta, num cassino dele em Las Vegas, ou num cassino dele em New Jersey. Eu várias vezes cobri boxe quando eu era correspondente, porque as lutas eram de boxeadores famosos, e ele subia no ringue para anunciar as lutas. Depois, eu o vi mais de perto, quando o Collor esteve em Nova York, hospedado no hotel dele. E o Trump ficava de papagaio de pirata, nas televisões querendo aparecer. E tínhamos muito acesso a ele. Conversávamos sobre o hotel, sobre providências com o Collor. O Collor saía correndo pelo Central Park, ia toda a imprensa atrás. E ele ficava, eu acho, com inveja de ver todo mundo correndo atrás de um homem. Depois, quando houve a derrubada dos dois prédios do World Trade Center, foram perguntar para ele o que ele achava, qual era a reação dele diante do ataque terrorista. Ele respondeu, sabe o que, Alex? Ele disse assim, agora o meu prédio é o mais alto de Nova York. O importante era agora ser o mais alto. Ele não reagiu às mortes, à guerra que ia começar logo em seguida. Ele se vangloriou de ter o mais alto prédio de Nova Iorque. Esse é o Trump. E o povo escolheu ele para presidente, o que é impressionante, acreditando nas promessas dele, que começam agora a se esvaziar. Nada está dando tão certo quanto era esperado, e ele está retrocedendo, está tirando os agentes do ICE de Mineápolis, ele está tirando as tarifas que impôs, ele está voltando atrás em muitos aspectos, mas sempre dizendo que é ele que está decidindo, não há ninguém decidindo por ele. E agora ele dizia que não sentaria na mesa com o Irã só para negociar os aspectos do programa nuclear, mas tinha que também discutir os mísseis balísticos e o tratamento do próprio povo. Agora vai sentar amanhã para discutir o programa nuclear, como queria o Irã. E ele está com uma armada colossal diante do Irã, pronto para atacar.
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Tá bom, vamos derrubar o
Khamenei. E aí? Vai ficar
que nem a Líbia? O Iraque?
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EU: O Irã está completamente enfraquecido. É evidente também que o Trump sabe muito bem da correlação de forças. E o Irã está numa situação catastrófica, econômica, social, uma inflação enorme. É mais fácil derrotar o Irã agora do que há algum tempo atrás, quando era aquele império persa e tudo isso.
RABINO: Pois é, você tira o aiatolá Ali Khamenei, e quem vai entrar? É um mistério. Ninguém acha que será o Xá Reza Pahlevi, filho do Xá que governou o Irã. Ele tem insuflado bastante os manifestantes em todo o território iraniano. Mas o problema é, tá bom, vamos derrubar o Khamenei. E aí? Vai ficar como a Líbia? O Iraque? Vai ser mais um país desestabilizado no Oriente Médio, que é mais perigoso do que... mal estabilizado com a República Islâmica, tem essa incógnita. O que será do Irã se os Estados Unidos atacarem para derrubar o aiatolá Khamenei? Então, por enquanto, pensa-se que os Estados Unidos vão atacar a guarda revolucionária, mais sites nucleares, mas não o regime. Então, é preciso esperar para ver o que vai acontecer. É realmente uma incógnita, Alex, porque se houvesse um substituto, alguém que vai levar o Irã para a estabilidade, para eleições no futuro... seria mais simples. Talvez o aiatolá já tivesse sido derrubado. Agora, o Trump não tem como derrubar, né?
EU: Por mais loucuras que ele faça, ele continua lá. Agora tem essa coisa do Epstein. Mas o negócio do Epstein aconteceu quando ele era jovem. Hoje ele está com oitenta anos. Então, esses crimes... Esses crimes que ele cometeu e tudo, acho que já estão prescritos. Aquilo foi a juventude dele, quando ele tinha trinta anos, sei lá, quarenta anos. Hoje está com oitenta anos. Então, é outra coisa impressionante que a gente vê hoje, a gente vê na imprensa, sabe? Todo dia tem Epstein, está lá, não sei o que com Epstein, Bill Gates está com Epstein. Não sei o que está acontecendo. Mas qual é a consequência disso? É só uma exposição do escândalo. Olha o escândalo, porque a mulher do Bill Gates se separou, porque ele participou lá das orgias e com as prostitutas russas. É como você falou, os vídeos do Putin e tal, que tem os vídeos do Putin. E daí se o Putin mostrar os vídeos? Também não vão derrubar o Trump. A única chance do Trump não acabar seu mandato é ser assassinado.
RABINO: Isso acontece nos Estados Unidos. Agora, o Trump é vingativo. Os crimes mais recentes dele... estão vindo à tona outra vez porque ele passou a perseguir quem o processou. Então, ele está processando um promotor, está processando quem... quem tentou derrubá-lo com impeachment. Então, tem esse retrocesso nos Estados Unidos. Todo mundo que estava na crista da onda contra o Trump, agora está no banco dos réus. E ele está querendo dinheiro, está tentando pegar... E ele está perdoando todos que lutaram por ele e foram condenados. É uma reviravolta. Esse é o mundo que nós estamos vivendo.
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Não há mais acordo com
limites de uso nuclear
entre Rússia e Estados Unidos
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EU: E assim vai até 2027, né?
RABINO: Se não acontecer o que você há pouco verbalizou, um assassinato. Ele já teve duas tentativas ou três, e ele está muito bem protegido, mas algum louco que não esteja aguentando mais viver sob o regime de Trump pode tentar. Nos Estados Unidos todo mundo tem arma. O próprio Trump é a favor de que todos estejam armados. Mas não quero ser um urubu voando em cima do Trump. Eu quero que ele seja destronado, que ele seja punido por todos os excessos que ele tem cometido e que as coisas voltem ao normal. Não que eu fosse favorável à normalidade que existia, mas é que é preciso crescer a partir dela, não das loucuras que foram implantadas.
EU: Rabino, só para terminar, uma coisa que me deixa perplexo também é essa história do relógio do juízo final, que está chegando lá, não sei, faltam quantos segundos. O que é isso? Para que é isso? Para apavorar a gente?
RABINO: Para apavorar quem deveria lutar agora por um novo acordo nuclear, porque o antigo está sendo extinto hoje, justamente hoje. Então não há mais acordo com limites de uso nuclear entre Rússia e Estados Unidos. Então, esse relógio serve para mostrar que o perigo está aumentando. O relógio que estava na praça em Teerã, mostrando quando Israel acabaria, horas, minutos, segundos, foi bombardeado, não existe mais. Agora existe só esse relógio que conta o... minuto final. Mas ele, quando chega perto das badaladas terríveis, ele é atrasado.
EU: É, porque... Como é que vai ser? Agora chegou à meia-noite e a gente está vivo... Não dá para acreditar que mesmo... As ogivas, está certo? A Rússia tem milhares e milhares... E o Putin também, com toda a calma, anuncia, daqui a pouco posso usar meu arsenal, não sei o quê. Ele vai jogar as mil ogivas?
RABINO: Agora, se você quiser pensar em termos de fé, religião, o Oriente Neto está cheio de cataclismas e prenúncios do minuto final também, quando o Messias chegará, e o mundo vai acabar, quem está enterrado no Monte das Oliveiras vai ressuscitar. Então, tem uma porção de profecias aí que estão par a par com as ameaças nucleares. Pode escolher como será o seu fim.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
