Voltar à filosofia com os paraujanos

O preconceito surge da utilidade política de segregar, descartar ou subjugar outras mentes, sem remorso moral e sem refletir se essas informações são sérias ou falsas, ou se é uma opinião construída com objetivos estratégicos

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Por que quero voltar à filosofia? Porque todos vimos como parentes e amigos se perdem imitando uma visão trivial da mídia que os inválida e anula. Essas pessoas sofreram lavagem cerebral dos meios de comunicação social.

Quando eu estava ensinando espanhol em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, um aluno meu me pediu para falar sobre a América Latina, e eu respondi a esse pedido com outra interrogação, e perguntei: O que ele sabia sobre os países vizinhos? Então ele começou a me contar horrores da Venezuela, naquela ocasião eu perguntei: De onde você tira essa informação?

Foi assim que, na aula seguinte, ele me trouxe muitas revistas Veja que criticavam a Venezuela, indaguei, fingindo inocência: Por que essa revista tem essa obsessão por esse país? Por que essas revistas não falam sobre os problemas no Haiti ou em Honduras?

O examinei se ele não suspeitava que esse interesse emperrado e político não estaria relacionado ao petróleo da Venezuela?

Também queria saber se ele já sabia que essa mesma campanha já havia sido financiada há anos pelos diferentes governos dos Estados Unidos.

Também questionei se ele não estava cansado de ler uma leitura tão previsível, tão monótona, tão temática e tão frequente.

Perguntei-lhe: você sabe quem financiou essa notícia no Brasil há décadas, aqueles que repetem constantemente a mesma tendência e visão de mundo a ponto de ficarem fartos?

Então questionei se ele calculava quanto custa em dinheiro sempre falar da mesma coisa para um meio de comunicação.

Meu aluno nunca ouviu uma parecer dessa natureza, ele teve naturalizado a visão do mundo como uma forma de pertencer a um grupo social, seus preconceitos estavam embutidos em sua subjetividade e ele não tinha respostas para minhas perguntas estranhas.

A função dos jornalistas da direita é alimentar o preconceito, a fim de fazer sobreviver ao sistema financeiro e aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos.

O jornalista comercial é um funcionário que não tem personalidade, está lá para vender, anunciar e promover preconceitos que ordena o chefe.

O preconceito surge da utilidade política de segregar, descartar ou subjugar outras mentes, sem remorso moral e sem refletir se essas informações são sérias ou falsas, ou se é uma opinião construída com objetivos estratégicos.

Aceitar a notícias da revista Veja sem questioná-la foi para o meu aluno uma maneira agradável de sentir-se identificado com a visão hegemônica e de pertencer a um grupo da classe meia, ele imaginou estar mais astuto. Ele nunca suspeitou que tivesse sido reduzido e vulgarizado como muito jovens na latino-americana.

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