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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Vorcaro vira cabo eleitoral de Lula graças à mídia neoliberal

Lula só tem a ganhar dando novo grito de independência, à lá D. Pedro I, para faturar seu quarto mandato

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A midia corporativa transformou executivos finaceiros em deuses, oráculos aos quais recorre para tratar de economia.

Os agentes da economia financeirizada neoliberal ganharam uma respeitabilidade que não  possuem para flar de tudo com a mais profunda irresponsabilidade.

Depois que o Consenso de Washington passou a determinar as linhas básicas da política econômica,  nos anos 1990 em diante, com Collor, seguido por FHC, foi desmontado o antigo Conselho Monetário Nacional(CMN).

Até final da ditadura(1964-1984), o CMN era amplamente representativo em relação às  classes sociais antagonicamente divergentes no cenário econômico. 

Conviviam conflitivamente capital e trabalho, dentro do Conselho, para fixar salários,  inflação,  juros, câmbio, enfim, as metas orçamentárias. 

O FMI e Banco Mundial, as vozes de Washington, dava as cartas, especialmente, na fixação do salário mínimo, reajustado como média  da inflação, em nome do controle inflacionário. 

Depois, da ditadura, rasgou-se a fantasia.

O CMN, no ambiente do Consenso de Washington, pós 1989, queda da União  Soviética, passou a ser composto, apenas, pelos Ministérios da Fazenda, do Planejamento e Banco Central.

O neoliberalismo passa a dar as cartas com o tripé  neoliberal: metas inflacionárias, câmbio  flutuante, superavit primário. 

Eram as novas ordens do império depois que Paul Volcker puxou a taxa de juros de 5% para 20% para enxugar a liquidez mundial que havia crescido demais depois que Washington descolou o dólar do ouro e deixou a moeda flutuar.

A farra do dólar barato produziu dívidas externas impagáveis  que passaram a ser cobradas a juros altos pelos banqueiros americanos.

Resultado: inflação, quebradeiras, privatizações, enxugamentos econômicos e financeiros, desemprego, sucateamento industrial etc.

Nova República neoliberal

A ditadura militar caiu e se iniciou a Nova República neoliberal democrática coordenada pelo Centrão, que enquadra a esquerda, impondo-lhe característica conciliatória, anti-revolucionária, levando-a ao conservadorismo, onde se encontra, atualmente.

Economicamente, a política monetária passa  mirar as ordens do Banco Central dos bancos centrais(BIS), sediado em Basileia, Suissa, coordenado, em última instância,  pelo Banco Central dos Estados Unidos - o FED, dominado, fundamentalmente, por Wall Street, pelo mercado especulativo.

A banca, e não  o tesouro, imprime o dólar. 

O novo status quo, no cenário histórico neoliberal, expressa-se, na prática   na ampla financeirização economica global, descolada da economia real.

Ele sofre o primeiro revés na crise financeira especulativa de 2008.

O Banco Central FED salva, precariamente, o sistema, aumentando, brutalmente  a oferta monetária, trocando dívida velha por dívida nova, derrubando a zero ou negativo a taxa de juros.

Evita, dessa forma, estouro hiperinflacionário da divida pública,  oxigênio do Pentagono para fazer guerras, que puxa a demanda global imperialista americana.

A lei neoliberal de que inflação decorre do exesso de demanda, do descontrole monetário, foi desmoralizada pela crise de 2008.

Diante do aumento da oferta de moeda na circulação, a inflação não subiu, mas caiu.

Periferia estrandulada

Desmoralizou-se as bases neoliberais, que continuaram validas, apenas, para a periferia capitalista, escravizada pelo rentismo bancado por arcabouço fiscal imposto por Wall Street.

A bancocracia impõe a lei do dinheiro.

A financeirização  especulativa é a parteira da Faria Lima e dos seus escandalosos penduricalhos, que se articulam com organizações  criminosas, como comprovam investigações da Polícia Federal sob comando do Governo Lula.

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, centro do escândalo financeiro que abala o Brasil, neste momento em que inicia campanha eleitoral, é o retrato do colapso neoliberal, aprofundado pelo Banco Central, descolado dos Ministérios  da Fazenda e do Planejamento, no processo de total desmoralização do CMN.

O que se vê, portanto,é  o esgarçamento do fio da história neoliberal que se rompe e que puxa para o fundo do abismo a direita e a ultradireita fascista, que deram o golpe em 2016, levando a economia ao impasse político antidesenvolvimentista.

Autoengano midiático tupiniquim

O autoengano da mídia conservadora neoliberal, trapaceada pelos filhotes da Faria Lima, levados, até agora, a sério como intérpretes da política econômica por repórteres  alienados, como Oinegue e cia ltda, é o retrato da tragédia nacional.

Até quando?

O fascismo econômico midiático,  que cria power points falsos, como fez a Globo, para tentar envolver Lula no escândalo  vorcarista, é aliado do trumpismo, que colhe derrota fragorosa no Irã, ao se afogar no Estreito de Ormuz, no simbolismo neoliberal que vira lixo da história. 

Lula só tem a ganhar dando novo grito de independência, à lá D. Pedro I,  para faturar seu quarto mandato.

É a receita nacionalista para conquistar verdadeira soberania nacional, ameaçada pelo rentismo neoliberal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.