Vou ver de camarote os ratos se digladiarem
"Moro provou, outra vez, que é traíra e que provas não são o seu forte" escreve Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia. "Eu, de minha parte, vou ficar um tempo de camarote, vendo esses ratos se digladiarem"
Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia
A coletiva de Jair Bolsonaro, na verdade, uma encenação bizarra da Santa Ceia, serviu para mostrar ao País que, a partir de agora, está aberta a temporada de caça a Sergio Moro pela milícia virtual comandada por Carluxo, o 02.
O problema é que Moro já começou no tabuleiro de War com a Ásia, a Europa e a Oceania, enquanto Bolsonaro continua na obrigação permanente de destruir o exército vermelho.
A edição de ontem do Jornal Nacional, a qual assisti, na íntegra, contrariando ordens médicas, foi o resgate de Moro pelo Grupo Globo. Até então, a família Marinho vivia o dilema de preservar a imagem do ex-juiz, ao mesmo tempo em que travava uma guerra particular com Bolsonaro.
A partir de ontem, a Globo sentiu-se liberada para voltar a amar Moro louca e incondicionalmente. William Bonner quase teve um orgasmo. Não quero nem pensar como vai ser essa loucura, daqui em diante, naquela bancada hormonal da Globo News.
A coisa foi tanto e de tal forma, que as provas que o JN "exigiu" de Moro sobre as acusações de Bolsonaro, no tocante ao imbroglio do STF, vieram em forma de telas de WhatsApp.
Sim, como aquelas da #VazaJato, liberadas aos borbotões, a partir de conversas no Telegram, pelo The Intercept Brasil, as quais Moro e a Globo se apressaram em desqualificar.
Em uma delas, o presidente insiste na troca do diretor geral da PF, por conta de uma matéria de "O Antagonista" - não por acaso, porta-voz oficial do morismo e da supremacia branca tupiniquim.
Em outra, Moro dedura Carla Zambelli, deputada neofascista, bolsonarista tresloucada, de quem o ex-juiz foi, recentemente, padrinho de casamento, com direito a discurso e tudo.
Em suma, nada de novo no front. Moro provou, outra vez, que é traíra e que provas não são o seu forte.
Eu, de minha parte, vou ficar um tempo de camarote, vendo esses ratos se digladiarem.
Aconselho à esquerda fazer o mesmo.
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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

