Washington recua e dá sinais de desespero no Irã: a "Operation Epic Fail"
Os ataques sionistas, até o momento, em nada serviram para desestabilizar o fulcro do poder iraniano
Os Estados Unidos recuaram, oficialmente, de seu principal objetivo declarado por trás dos ataques desferidos, em conjunto com Israel, contra o Irã. Em 28 de fevereiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, endereçou uma mensagem direta ao povo iraniano, que há semanas ocupava as ruas em protestos: "Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo; ele estará pronto para ser tomado por vocês". Logo depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ecoou o apelo de Trump, afirmando que os ataques conjuntos criariam as condições para que o povo iraniano definisse seu próprio "destino". A operação de mudança de regime foi por água abaixo, e os próprios comandantes já admitem publicamente seu insucesso. Em 2 de março, o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou: "Esta não é uma chamada guerra de mudança de regime". O assassinato do aiatolá Ali Khamenei nos ataques sionistas tampouco representa um avanço no cumprimento da missão. Sua elevação ao status de "mártir" deu-se, segundo altas autoridades iranianas, da forma como ele próprio talvez desejasse.
Morto em sua residência — e não em um bunker —, Khamenei viveu seus últimos momentos sem medidas excepcionais ou qualquer sinal de desespero, conforme relatou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Em sinais crescentes de desconcerto, autoridades de Washington voltaram atrás mais uma vez: após celebrarem o assassinato, passaram a negar qualquer envolvimento no ataque que eliminou Khamenei. Em outro recuo, o próprio Trump sinalizou, em 1º de março, que os ataques contra o Irã poderiam ser suspensos caso Teerã atendesse às exigências dos EUA nas negociações nucleares. A resposta de Larijani foi categórica: "Não negociaremos com os Estados Unidos."
Os ataques sionistas, até o momento, em nada serviram para desestabilizar o fulcro do poder iraniano. Além de rejeitar qualquer negociação, o Irã não cessa os ataques contra bases e ativos sionistas em toda a região, ao mesmo tempo em que golpeia o território israelense com intensidade. Teerã já deu início, ademais, ao processo de transição para a escolha do novo líder supremo. Ainda que reconhecendo as várias baixas no alto escalão da segurança, o Irã dispõe de um sistema de defesa descentralizado e de múltiplas camadas, composto pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, milícias reservistas e pelo Exército regular. O efetivo total sob o comando da liderança suprema supera um milhão de homens — uma estrutura militar massiva e intrincada, que garante ao país plena capacidade tanto de suprimir dissidências instigadas por pressões externas quanto de desferir golpes contundentes em toda a região.
No quadro presente, evidencia-se o contraste entre a clareza estratégica de Teerã e a opacidade das ações de Washington e Tel Aviv. O conceito de ambiguidade estratégica — frequentemente mobilizado pela administração Trump — não dá conta de explicar o que se observa. Tal conceito tem validade no tabuleiro geopolítico, mas os recuos sucessivos, as contradições e os sucessivos desencontros de informações revelam algo além de um cálculo deliberado.
O Pentágono parece agir, cada vez mais, à beira do desespero.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



