Yuan desbanca dólar no conflito Putin-Biden

Nova geopolítica à vista

www.brasil247.com - Presidentes Joe Biden (EUA), Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia)
Presidentes Joe Biden (EUA), Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia) (Foto: Divulgação)


No confronto Rússia (apoiada pela China) x Ucrânia-EUA-OTAN, que desestabiliza relações internacionais em grau crescente, nessa semana, a jogada, ao que parece, é comprar yuan, moeda chinesa; olhaí o superavit comercial de 676 bilhões de dólares realizado pela China no comércio internacional; isso explica a nervosia de Biden, nesse início de ano, aprontando essa mentiraiada  de que a Rússia está com propósitos imperialistas em relação à Ucrania; é sempre assim, quando Tio Sam está perdendo terreno na economia mundial; logo, logo, começa a agredir os outros; a guerra, bancada por moeda podre, emitida pelo FED americano, é a alternativa para manter o mundo em suspense, à custa da expansão da dívida publica, que, por sua vez, joga o dólar para baixo; a dívida pública, já dizia Colbert, ministro das finanças de Luís 14, "é o nervo vital da guerra".

DEDO NO GATILHO

Com seu cão de guarda(OTAN),  puxado pela funcinheira, Washington quer porque quer incorporar a Ucrania à União Europeia, bem como outros países antes integrantes da União Soviética, para continuar tentando fragilizar Putin; só que, agora, Putin se alia a Jiping na construção da Rota da Seda, que vai ser a grande via comercial do século 20, a deslocar a geopolítica global do Ocidente para o Oriente; nesse contexto, a moeda chinesa se valoriza com diplomacia da cooperação versus diplomaçia da agressão washingtoniana; esta abala estrutura do dólar, fragilizada pela política monetária imperialista expansionista, para tentar segurar inflação capitalista generalizada no ocidente; nesse começo de ano, Washington tenta enxugar a praça de excesso de dólar, mas o tiro está saindo pela culatra; Biden, no desespero, aponta seus canhões para Moscou, manobrando a União Europeia por meio da OTAN, financianda por Washington; Moscou resiste, depois de se fortalecer, visivelmente, com construção de gasodutos para transportar gás natural da Rússia para Alemanha; o líder russo, portanto, está dando as cartas; Tio Sam bronqueia; não quer que o gasoduto, que passa pela Ucrânia, chegue aos alemães; estes, naturalmente, morrerão de frio sem o gás russo, porque a política alemã se nega a apelar para energia nuclear e a oferta de petróleo, que, também, vem da Rússia, está cada vez mais escassa.

BATALHA PELA ENERGIA LIMPA

Washington, que produz o shale gás, mas não o suficiente para abastecer a Europa, pressiona Berlim para não se aproximar de Moscou, de modo a forçar Putin a uma subordinação; não rola essa estratégia imperialista americana, visto que os russos, autosuficientes em energia limpa(gás natural) e energia suja(petróleo), estão, tecnologicamente, até, superiores aos americanos, nas plataformas de lançamento de bombas atômicas e supersônicos, que deixam na idade da pedra a marinha de Tio Sam para as conquistas dos mares; podem ser detonados em segundos; depois da derrota na guerra fria(1991), que destruiu a União Soviética, os russos ganharam oxigênio e resistência para lutar; sobretudo, agora, estão ao lado dos chineses, também, super-armados e cheios de superavits comerciais; formam aliança, não só com China, mas, igualmente, com Irã(cheio de petróleo), que mete medo na Casa Branca; se Biden, fragilizado com a derrota humilhante, no Afeganistão, forçar a barra para OTAN insistir com o discurso de puxar a Ucrânia para a União Europeia, pode levar uma traulitada felomenal, como diria o sensacional ator José Wilker; afinal, Putin está com todo o armamento de última geração nas fronteiras; ocuparia Kiev, capital ucraniana, em menos de 3 horas, com mais de 100 mil homens; Ucrania se fiará no apoio do imperialismo americano, se este, nas reuniões de cúpula, tanto com a OTAN como com os russos, dá mostra de que vê a vaca ir para o brejo? 

MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA GLOBAL

A grande mídia internacional faz, claro, o jogo do império americano, e quem agora está comendo capim, mas arrotando leitão, é o velho império britânico, campeão mundial de intrigas, desde quando mandava no mundo com a libra esterlina, no século 19; os microfones de Londres vociferam que Putin está a um passo de invadir a Ucrânia; manipulados pela narrativa ocidental, leitores e leitoras engolem o argumento de Washington-Londres, primos entre si, de que Putin é que é o imperialista interesssado em desestabilizar o mundo; por trás de toda essa guerra da retórica está, sem dúvida, o medo de Biden quanto à inevitável união China-Rússia, autosuficientes em grana e armas, para deslocar a nova geopolítica global para a Eurásia, na Rota da Seda, conduzida pelos chineses, com total apoio dos russos e dos países asiáticos; o século da Ásia está à vista e o poder midiático ocidental não consegue convencer o mundo de que o império do lado de cá está abrindo o bico.

COMO FICA BRASIL NESSA?

Para o Brasil, evidentemente, a jogada é fortalecer os BRICs, aliando-se à Rússia e China, sem, pragmaticamente, desdenhar  Washington, que perdeu capacidade de articular, cooperativamente, com o ocidente, para a luta econômica contra a China, em sua caminhada para a Rota da Seda, responsável por atrair os olhares para o Yuan, moeda candidata a ser nova referencia global, se não pintar guerra atômica;  para ser ator decisivo nesse novo cenário global em marcha, Lula-lá, se vitorioso, em 2022, certamente, será, novo peão geopolítico latino-americano, junto com Argentina e Venezuela; os três países, ricos em grãos, minérios, petróleo e biodiversidade, para abastecer China e Rússia, terão, em contrapartida, acesso aos avanços científicos e tecnológicos, para construirem a infraestrutura continental; estará ou não dobrando os sinos da mudança para a América do Sul, que o império americano não deixa prosperar, com suas políticass neoliberais bolsonaristas fascistas? Marchará ou não para nova realidade = à nova verdade, como diria Peron? Seria ou não rompida a Doutrina Monroe, de 1823, de que, para Washington, a América é dos americanos? Um novo porvir à frente deixaria para trás o não-vir que o imperialismo tenta, desesperamente, preservar? Nesse cenário, a nova moeda mundial hegemônica não seria mais o dólar, mas o yuan, como estão conversando os novos poderosos da Ásia.

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