Zanin mostra que apressado come cru
"Os apressados, os desatentos e os mal-intencionados se uniram em uma gritaria desnecessária contra o novo ministro e o presidente Lula", diz Eduardo Guimarães
Foi uma gritaria. Nem meia-dúzia de votos do recém-indicado ministro do STF, Cristiano Zanin Martins, bastaram para que um desses linchamentos virtuais descerebrados eclodisse com a força de um furacão.
Os apressados, os desatentos e os mal-intencionados se uniram em uma gritaria desnecessária contra o novo ministro e contra o presidente Lula. Além da estultice, ainda colaboraram com uma extrema-direita que vibrou com esse hábito de certa esquerda de imolar a si mesma achando que está abafando.
Remember 2013...
"Os votos do ministro Zanin, na seara trabalhista, foram excelentes. absolutamente técnicos e na direção correta, afirma o advogado Luís Carlos Moro, do Moro & Scalamandré Advocacia, referência em direito do trabalho", escreve a sempre atenta Mônica Bergamo. >>> Zanin vota em favor de trabalhadores no STF e governo Lula aplaude
Detalhe: nada que ver com o outro Moro, o Sérgio, de triste memória.
Ora, tanto criticamos (acertadamente) Nunes Marques e André Mendonça, os vinte por cento de Bolsonaro no STF, por atuarem milimetricamente de acordo com o capo da quadrilha fascista e, agora, queremos que Zanin seja um robô de Lula?
Há, ainda, mais um teste para o novo ministro do Supremo: o Marco Temporal. Pode ser que ele vote contra a população indígena? Até pode, ainda que seja improvável. Se o fizer, aí haverá motivo mais sério para preocupação.
Só que é improvável. Seria um golpe muito duro para a população indígena e colocaria o novo ministro ao lado do colega "terrivelmente evangélico", produto da mente doentia do chefe da orcrim bolsonarenta. Zanin precisará de muita ginástica retórica para justificar.
Antes disso, porém, a prudência e a inteligência exigem cautela. Até para não levar água ao fétido moinho da extrema-direita, que já ganhou um presentaço da esquerda camicase há exatos dez anos e dois meses.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

