BNDES firma parceria com Embrapa para ampliar pesquisa agropecuária e enfrentar crise climática
Instituições assinam protocolo para desenvolver inovação, reflorestamento e sustentabilidade com foco na agricultura familiar e nos biomas do país
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) oficializaram nesta quarta-feira, 7 de maio, uma parceria estratégica voltada à inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar no Brasil. A informação foi divulgada pelo BNDES, durante evento em comemoração aos 52 anos da estatal, realizado em Brasília (DF).
Com a presença do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o protocolo de intenções estabelece iniciativas conjuntas nas áreas de reflorestamento, desenvolvimento de sementes resistentes às mudanças climáticas, bioeconomia, cadeias produtivas sustentáveis e incentivo à agricultura familiar.
“Estamos construindo uma parceria com grande potencial de impacto. O BNDES vai contribuir com recursos e inteligência para que a Embrapa amplie sua capacidade de gerar inovação, apoiar a agricultura familiar e liderar a resposta do Brasil aos desafios climáticos”, afirmou Mercadante. Para ele, a iniciativa marca uma nova fase da estatal de pesquisa. “Viemos aqui para quebrar o pires e pensar o futuro da Embrapa, com protagonismo, estrutura e sustentabilidade financeira.”
Silvia Massruhá destacou o alcance da colaboração como resposta aos desafios da agropecuária nacional. “A parceria com o BNDES é fundamental para que possamos atender os novos desafios da agropecuária brasileira, tais como o reflorestamento na Amazônia, o recaatingamento no Nordeste Brasileiro, bem como a inovação de máquinas e implementos agrícolas para agricultores familiares”, afirmou. Ela também ressaltou o papel do acordo na modernização da gestão e no fortalecimento do ecossistema de inovação: “É uma atenção ao ecossistema de inovação, atuando próximo a startups que se dedicam ao setor agropecuário, fortalecendo as parcerias público-privadas.”
Um dos eixos principais da parceria é a estruturação de um fundo de investimentos em pesquisa e inovação, o desenvolvimento de bioinsumos e a criação de modelos produtivos resilientes nos biomas Amazônia e Caatinga. Também estão previstos estudos para valorização do patrimônio da Embrapa e a busca por novas fontes de financiamento que garantam retorno institucional às tecnologias desenvolvidas.
A assinatura do protocolo contou ainda com a presença da diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler; da diretora de Administração, Selma Beltrão; e do presidente do Conselho de Administração (Consad), Carlos Augustin.
O acordo também prevê iniciativas conjuntas para fortalecer o papel da Embrapa em ações de enfrentamento aos extremos climáticos e desastres naturais, com destaque para a restauração de florestas e biomas brasileiros. Segundo Mercadante, desde 2023 o BNDES já destinou mais de R$ 650 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos de restauração ecológica, com foco em uma área de 9,2 milhões de hectares — equivalente ao território de Portugal.
“Estamos atuando na restauração de florestas no Brasil. A Embrapa precisa estar nesse processo, na definição de espécies, nas adequações necessárias”, defendeu Mercadante. Ele também mencionou o papel da empresa em contextos de emergência climática, como o enfrentado pelo Rio Grande do Sul. “Precisamos da Embrapa para termos resiliência na produção e que a agricultura continue sendo pujante no Estado”, completou.
Com essa aliança, BNDES e Embrapa buscam fomentar um modelo de desenvolvimento agrícola mais sustentável, inovador e inclusivo, priorizando a geração de renda no campo, o fortalecimento da agricultura familiar e o protagonismo do Brasil no enfrentamento à crise climática global.
