HOME > Brasil Sustentável

Operação federal intensifica combate ao garimpo e quase elimina mineração ilegal na Terra Yanomami

Ações integradas reduziram em 98,9% a área de garimpo ilegal, com destruição de acampamentos, prisões e bloqueio da logística criminosa

Protesto do povo Yanomami contra garimpo em suas terras (Foto: Victor Moryama/ISA)

247 - As forças de segurança do governo federal ampliaram, nas últimas semanas, a ofensiva contra a mineração ilegal na Terra Indígena Yanomami, concentrando esforços para impedir a retomada de atividades clandestinas e consolidar o processo de desintrusão do território. A atuação se intensificou a partir da base instalada no Pelotão Especial de Fronteira de Surucucu, que tem permitido respostas mais rápidas e presença prolongada das equipes em áreas sensíveis da floresta, resultando na desarticulação de estruturas ainda ativas do garimpo. 

Batizada de Operação Maamaxi Xawara — expressão que, traduzida para o português, significa “doença do ouro” —, a ação ocorreu entre os dias 16 e 31 de janeiro e envolveu monitoramento e fiscalização em regiões como Rangel, Cascalho Velho, Maloca Paapiu, Surucucu, Xiteí, Homixi e Parima. Sob coordenação da Casa de Governo, a ofensiva reuniu a Força Nacional de Segurança Pública, a Funai e outros órgãos federais, com foco na destruição da infraestrutura utilizada por garimpeiros que tentavam retornar ao território indígena.

Ao longo de quinze dias, foram realizadas 120 ações em campo, que resultaram na inutilização de oito acampamentos, 22 motores, seis geradores, duas embarcações, uma balsa, oito caixas separadoras e três antenas de internet. As equipes também destruíram cerca de 850 litros de diesel, 305 litros de gasolina e aproximadamente duas toneladas de cassiterita. Três garimpeiros foram detidos e encaminhados à Polícia Federal em Boa Vista.

O diretor da Casa de Governo, Nilton Tubino, afirmou que a estratégia adotada para 2026 prioriza o enfraquecimento da logística que sustenta o garimpo ilegal. “Neste ano, vamos intensificar as ações de enfrentamento à logística do garimpo ilegal, tanto dentro quanto fora da Terra Indígena Yanomami. No interior do território, o trabalho seguirá com operações de varredura e monitoramento das regiões mais sensíveis, ampliando a pressão sobre os grupos que ainda insistem em permanecer na área”, declarou.

Segundo o planejamento operacional, a prioridade é impedir que pequenos grupos se reorganizem, cortando suprimentos, comunicação e meios de operação antes que novas estruturas sejam consolidadas. Mesmo com chuvas intensas, que dificultaram deslocamentos e pousos de aeronaves, as equipes conseguiram localizar acampamentos que estavam sendo remontados no interior da mata e promover sua completa destruição.

Durante patrulhamento na região do Rangel, ações conjuntas da Força Nacional e da Funai desativaram estruturas de extração mineral, inutilizaram equipamentos e realizaram prisões. No primeiro fim de semana da operação, uma incursão atingiu o chamado Garimpo do Rangel, onde foram destruídos motores, bomba d’água, caixa separadora, tubulações e cerca de 100 litros de diesel, além de materiais de apoio à atividade ilegal. Todo o equipamento foi inutilizado no local para evitar reaproveitamento.

Nilton Tubino destacou que a base permanente em Surucucu tem sido decisiva para o avanço das operações. “A partir de Surucucu, conseguimos uma atuação muito mais rápida e precisa no combate ao garimpo ilegal. Essa presença permanente nos dá condições não apenas de atingir alvos com agilidade, mas também de permanecer mais tempo dentro do território, impedindo que essas estruturas voltem a se reorganizar”, afirmou.

Além das ações internas, a operação inclui frentes de fiscalização fora da Terra Indígena Yanomami, voltadas ao bloqueio da cadeia logística do garimpo. No mesmo período, foram realizadas 497 abordagens, com fiscalização de 287 veículos e dez postos de combustíveis, resultando em quatro autuações. O objetivo é restringir o acesso a combustível, transporte e apoio externo, ampliando o impacto das ações realizadas na floresta.

A Operação Maamaxi Xawara integra o esforço mais amplo da Operação de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami, iniciada com a instalação da Casa de Governo em março de 2024. Desde então, as ações combinadas somam 9.237 operações de combate ao garimpo ilegal e à sua logística de apoio.

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam que, entre 1º de março de 2024 e 1º de fevereiro de 2026, a área de garimpo detectada no território Yanomami caiu de cerca de 4.570 hectares para aproximadamente 50 hectares, uma redução de 98,9%, segundo monitoramento por satélite. O levantamento aponta o impacto direto das ações permanentes de repressão e do bloqueio logístico imposto pelo Governo Federal.

Nesse período, a presença contínua do Comando Operacional Conjunto Catrimani II, com sub-bases no interior do território e bases avançadas como Waikás, Kayanau e Pakilapi, também foi central para a estratégia. As equipes realizaram patrulhamento fluvial, fiscalização de crimes ambientais, inutilização de pistas clandestinas e garantiram a segurança de servidores da saúde e da Funai.

Com operações aéreas, fluviais e terrestres articuladas, o governo reforça que o enfrentamento ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami é um processo permanente, baseado em rastreamento, destruição de estruturas e vigilância contínua, para impedir que invasores voltem a se instalar em uma das áreas mais protegidas e sensíveis da Amazônia brasileira.

Artigos Relacionados