Reciclagem de plásticos supera 1 milhão de toneladas em 2024 no Brasil
Levantamento mostra avanço da economia circular, geração de R$ 4 bilhões e fortalecimento da cadeia produtiva com mais de 20 mil empregos diretos
247 - A reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil ultrapassou a marca de 1,01 milhão de toneladas em 2024, um resultado que evidencia a capacidade do país de transformar resíduos em novos recursos produtivos e de gerar valor ao longo de toda a cadeia. O desempenho reforça o papel do plástico como elemento estratégico de um modelo produtivo mais eficiente, conectado aos princípios da economia circular.
Os dados fazem parte do último levantamento do Movimento Plástico Transforma, parceiro da Rede pela Circularidade do Plástico, que aponta avanços consistentes na estrutura do setor e na articulação entre indústria, reciclagem e mercado consumidor. Segundo o estudo, os números de 2024 demonstram não apenas crescimento em volume, mas também maturidade do ecossistema de reciclagem no país.
Esse avanço é sustentado por uma base industrial robusta. A capacidade instalada de reciclagem mecânica alcançou 2,43 milhões de toneladas, indicando que o setor dispõe de condições técnicas e operacionais para ampliar ainda mais sua participação na economia circular. O cenário reforça a versatilidade do plástico e sua aptidão para responder às atuais demandas por sustentabilidade, inovação e competitividade industrial.
“A circularidade começa ainda na concepção dos produtos, incluindo embalagens. Quando o design considera desde o início a reciclabilidade, a escolha de materiais e a integração com a cadeia, todo o sistema ganha eficiência”, afirma Juliana Seidel, líder do Eixo de Design da Rede pela Circularidade do Plástico. Ela destaca ainda que “os dados de 2024 mostram que o Brasil avança evidenciando a conexão entre design, indústria e reciclagem”.
A diversidade dos materiais reciclados tem papel central nesse desempenho. Polímeros como PET, PEAD, PEBD/PELBD e PP concentram a maior parte da produção de resina reciclada pós-consumo, refletindo a eficiência dos processos existentes e a ampla aplicabilidade desses materiais em diferentes cadeias produtivas. Paralelamente, outros tipos de plásticos também avançam, ampliando o alcance da circularidade e abrindo espaço para novas aplicações industriais.
Outro aspecto relevante apontado pelo levantamento é a origem da matéria-prima reciclada, que revela a força de um ecossistema colaborativo. Indústria, varejo, catadores, cooperativas, empresas de gestão de resíduos e sistemas de coleta seletiva e direta junto às fontes geradoras formam uma rede essencial para o funcionamento da cadeia da reciclagem, promovendo integração, geração de oportunidades e impacto positivo em diversas regiões do país.
O valor econômico gerado pelo setor confirma essa relevância. Em 2024, a reciclagem de plásticos movimentou R$ 4 bilhões em faturamento bruto, com valor médio de R$ 2.964,00 por tonelada de resina reciclada produzida. Os números indicam que o plástico reciclado consolida sua posição como insumo competitivo, com desempenho técnico reconhecido pelo mercado.
“Esse crescimento tem reflexo direto na geração de empregos. Mais de 20 mil postos de trabalho diretos estão associados à reciclagem de plásticos no Brasil, abrangendo atividades que vão da coleta, separação e envio a novo processamento industrial, num ciclo que contribui para o fortalecimento da indústria nacional, fazendo com que o plástico pós-consumo seja reinserido na economia”, comenta Seidel.
A presença das resinas recicladas em múltiplos segmentos produtivos reforça essa dinâmica. Setores como alimentos e bebidas, higiene e limpeza, construção civil, agroindústria, automotivo, têxtil e eletroeletrônicos figuram entre os principais destinos do material pós-consumo, incorporando a circularidade às suas decisões produtivas.
Do ponto de vista regional, a produção de resina reciclada apresenta ampla distribuição no território nacional, com destaque para as regiões Sudeste, Sul e Nordeste. “Essa capilaridade contribui para o fortalecimento de cadeias regionais, melhora a logística e amplia a conexão entre produção, consumo e reciclagem”, afirma Seidel.
Para a Rede pela Circularidade do Plástico, os dados de 2024 deixam uma mensagem clara sobre o potencial do setor. “A economia circular do plástico pode e deve agregar valor ao Brasil. Sua capacidade de ser reciclado, reinserido na cadeia produtiva e gerar valor econômico, social e industrial o coloca como parte fundamental das soluções para um modelo de desenvolvimento mais eficiente e preparado para o futuro”, finaliza Juliana Seidel.