15/11: Não à corrupção! Vale para Ophir também?

Terceiro brado tico de brasileiros indignados ocorre em 36 cidades brasileiras, com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil; manifestantes vo dirigir crticas ao presidente Ophir Cavalcante, que ganha do Estado sem trabalhar h 13 anos

15/11: Não à corrupção! Vale para Ophir também?
15/11: Não à corrupção! Vale para Ophir também? (Foto: FABIO MOTTA/AGÊNCIA ESTADO)
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247 - Brasileiros descontentes com o histórico recente de corrupção no Brasil preparam-se para mais uma mobilização nesta terça-feira - no terceiro feriado seguido de brados éticos, após o 7 de setembro e o 12 de outubro. No dia em que se celebra a Proclamação da República, seis movimentos apartidários querem proclamar uma transformação na política nacional, ancorada em transparência e retidão no uso do dinheiro público. Os atos em 36 cidades brasileiras são dirigidos principalmente aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. No entanto, os manifestantes do 15 de novembro vão estender o coro de cobranças e críticas à instituição que mais se posiciona em debates sobre ética na política e que tem apoiado, inclusive, as marchas contra a corrupção. A Ordem dos Advogados do Brasil vai ser o novo alvo dos protestos, depois de revelado que o atual presidente da entidade recebe gordo salário há 13 anos como procurador federal sem trabalhar.

Ophir Cavalcante argumenta que os vencimentos dele estão dentro da lei. A remuneração foi autorizada pelo procurador-geral do Pará. Mas o período da licença dele e o valor do salário - R$ 20 mil mensais - mostram como até o arauto da ética parece ter um entendimento bem flexível sobre como deve ser a utilização adequada de dinheiro público. "Se tiver corrupção dentro do movimento contra a corrupção, a gente vai buscar e acabar com isso", defende Carla Zambelli, fundadora do movimento Nas Ruas, que organiza a manifestação de São Paulo. "Mas é importante dizer que o apoio da OAB às nossas ações é sempre muito superficial e bem localizado, como em Porto Alegre", esclarece.

"Todas as denúncias têm que vir à tona. Temos que cortar o mal pela raiz", sublinha Cristina Maza, da entidade Todos Juntos Contra a Corrupção, que está organizando o protesto no Rio de Janeiro. Apesar de não opinar especificamente sobre o caso de Ophir, Cristina enfatiza que protestar é a arma eficaz contra qualquer ato ilícito ou imoral das autoridades. "Sou uma pessoa indignada. Todos nós podemos reclamar e, assim, fazer nossa parte como cidadãos".

Em algumas das páginas dos movimentos no Facebook, há referências ao Observatório da Corrupção, órgão da OAB que recebe denúncias de corrupção. No site, a mensagem assinada por Ophir Cavalcante diz: "O Observatório da Corrupção será um instrumento para que a sociedade exerça seu insistente interesse no rápido julgamento de casos de corrupção, acompanhando os andamentos e pleiteando os julgamentos em todas as instâncias. A Ordem dos Advogados está de olho no Brasil".

E o Brasil está de olho na Ordem dos Advogados, Ophir!

Feriado emendado: vai ter quorum?

Com a articulação dos manifestantes pelas redes sociais, as duas primeiras marchas tiveram partipação expressiva de brasileiros. Dezenas de milhares de pessoas indignadas com corrupção e impunidade participaram. Como esta terça-feira é feriado emendado para muita gente, a direção dos movimentos considera difícil estimar como será o nível de adesão. Mas a força do movimento não irá se dissipar, acreditam os organizadores. "Em todos os estados, estamos falando a mesma língua, solicitando as mesmas coisas", resume Cristina Maza, do Todos Juntos Contra a Corrupção. As três principais reivindicações são: implementar o Ficha Limpa para as próximas eleições, acabar com o foro privilegiado para políticos e mudar a legislação brasileira para tornar corrupção em crime hediondo.

No Rio de Janeiro, foi montado um grande varal na Cinelândia para que todas possam "pendurar" a própria indignação. Os participantes devem levar recortes de jornal sobre desvios de recursos ou objetos que representem ações que condenam. O ato no Rio começou às 13 horas.

Em São Paulo, a vigília do Nas Ruas começou na madrugada desta terça-feira. Os manifestantes se reúnem em torno de caixões que simbolizam o enterro da saúde e educação pública. O ato está sendo organizado em frente ao Museu de Arte de São Paulo. Clique aqui para conferir o calendário completo das manifestações em todo o Brasil.

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