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Brasil

19 anos, 12 mortes e livre

Serial Killer de Novo Hamburgo (RS) que confessou 12 assassinatos em 2008, quando tinha apenas 16 anos, ganha a liberdade. Violncia juvenil pipoca em vrias regies do Pas e expe a fragilidade do sistema de correo penal

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247 – Ele põe no chinelo serial killers famosos, como o Zodíaco, da Califórnia, cujos horrores ganharam as telas dos cinemas em 2007. Tudo indica, aliás, que deverá superar em breve Albert de Salvo, que estrangulou 13 mulheres em Boston, nos anos 1960, e poderá se aproximar da marca os também norte-americanos John Wayne Gacy e Ted Bundy, que assassinaram, no total, cerca de 60 mulheres e garotos na década de 1970. Que ninguém duvide de “Antônio” (nome fictício), pois o jovem de 19 anos, que acaba de ser libertado em Novo H amburgo, no interior Rio Grande do Sul, confessou 12 assassinatos em 2008, quando foi detido.

Ele deixou o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), no bairro Canudos, às 6 horas do último dia 18. Seguiu em direção ao centro da cidade com a mãe e dois irmãos pequenos. "Para bem longe", informam parentes. A casa da família, no Loteamento Kephas, foi vendida e está em reforma. Antônio acabou condenado por seis assassinatos, um deles com tortura e mutilações, e acertou suas contas com a Justiça. Cumpriu os três anos de internação – tempo máximo permitido por lei – e saiu sem nenhum antecedente. "Só podemos ficar na torcida para que a instituição tenha recuperado esse rapaz. Se ele voltar a delinquir, agora responderá como maior de idade", declara o juiz da Vara da Infância e Juventude de Novo Hamburgo, João Carlos Grey.

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O serial killer teen, como ficou conhecido, receberá acompanhamento de seis meses do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, do Ministério da Justiça. "É uma medida para casos excepcionais, no sentido de orientar e proteger o jovem em situação extrema de risco", assinala Grey.

O mentor de Antônio foi o presidiário Juliano dos Santos, o Manão, de 28 anos. Preso um mês depois do menor, ele foi condenado em dezembro de 2009 a 20 anos de prisão pelo homicídio de Bruna Tatielle Vieira Rodrigues. Man ão e o menor, conforme a Polícia, torturaram a jovem para obter alguma informação referente a desafetos. "Ele tem outros oito anos por um roubo que nada tem a ver com o serial killer e ainda será julgado pelos outros homicídios como comparsa", conta o delegado Enizaldo Plentz.

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Os fatos

A Polícia começou a desconfiar de “Antônio” no início de 2008. Em 28 de março daquele ano, agentes detiveram o adolescente franzino sob suspeita de um assassinato. Ele assombrou a opinião pública ao revelar que cometera não um, mas 12. "Eu não mato por dinheiro. Só mato quem faz alguma coisa para mim ou para minha família", declarou ele, com frieza, ao Jornal NH, antes de ser internado n o Centro de Atendimento Sócioeducativo (Case) de Novo Hamburgo

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A entrevista ganhou repercussão internacional. A 4ª Delegacia de Polícia apurou, no entanto, que os homicídios não eram motivados apenas por desavenças. "Alguns ele executou sozinho, mas há dois homicídios já confirmados com um cúmplice e ainda casos de assaltos à mão armada praticados pelo menor", declarou Plentz

Quatro dias após a internação de “Antônio”, a Polícia encontrou o corpo de Bruna Tatielle Vieira Rodrigues, 20, no Rio dos Sinos, em São Leopoldo (RS). A moça apresentava mutilações e sinais de tortura. "Ele abriu ela do tórax ao abdome com uma faca, cortou o mamilo de um seio e arrancou dedos com um alicate", descreveu Plentz

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O menor acabou indiciado por seis homicídios em Novo Hamburgo e um em Dois Irmãos, também no interior gaúcho. O Judiciário o condenou em seis e o absolveu pela morte de um carroceiro, por falta de provas. “Antôn io”, de início, rebelou-se na internação: foram registradas brigas e uma tentativa de fuga. Depois, se acalmou. Tornou-se instrutor de bordado, recusando-se a ser chamado de serial killer.

Nesta sexta-feira, 25, o limite legal de três anos de internação chegaria ao fim. O juiz Grey, no entanto, decidiu liberar o jovem uma semana antes, a pedido do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, do Ministério da Justiça. Para o delegado Enizaldo Plentz, o jovem liberado é perigoso e representa riscos à sociedade. "Não acredito na recuperação dele. Foram vários crimes e um deles com tortura. Essa crueldade toda não se cura em três anos", ressalta. "Há registros policiais de lesões lá dentro (no Case) e tentativa de fuga. A pena pode ter ficado no passado, mas não a personalidade e o caráter."

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Alagoas e Pará

A libertação de “Antônio” coindice com outros dois bárbaros crimes cometidos por jovens. O mais grave foi cometido por Jackson Willams Felix Gomes da Silva, de 18 anos , que matou o pai, Antônio Jorge Gomes da Silva, de 41, esquartejou seu corpo e o cobriu com cimento no quintal de casa, em Maceió. Segundo as investigações, Jackson sentia ódio porque era agredido para não sair de casa e o pai também não admitia que ele vivesse em farras, porque sentia medo que o filho se envolvesse com drogas.

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O jovem se entregou à Polícia na noite de quarta-feira. Ele contou que cometeu o crime sozinho, tendo primeiro efetuado dois disparos contra o pai e, em seguida, esquartejado o corpo e ocultado o cadáver. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, o músico foi ferido na testa com instrumento contundente, possivelmente uma barra de ferro. A versão de Jackson não convenceu a Polícia, que trabalha com a hipótese de o jovem ter contado com a ajuda de amigos para praticar o crime, mesmo que somente na ocultação do cadáver. Como não havia decreto de prisão contra o rapaz, apesar da solicitação da delegada Maria Aparecida Araújo à Justiça, e o acusado escapou do flagrante, Jackson não ficou preso. Foi advertido, porém, que não deve deixar Maceió.

Enquanto Jackson era interrogado em Maceió, a Polícia paranaense deteve em Cambé, a 16 quilômetros de Londrina, um adolescente de 15 anos, acusado de ser o responsável por dois homicídios. Segundo informações dos piliais, o garoto confirmou a participação nos dois crimes. O primeiro ocorreu no início de fevereiro, quando um menino de 13 anos foi morto com um golpe de faca pelo acusado e mais dois amigos, na beira de um córrego. O outro crime foi o assassinato de Márcio Rogério dos Santos, de 36, espancado com tijoladas e pauladas pelo jovem de 15 anos e o seu irmão de 17.

 Os dois irmãos estava detidos na Delegacia da Polícia Civil de Cambé. Eles seriam levados na tarde desta quinta-feira para a Vara da Infância e Juventude. A mãe dos garotos está presa por tráfico de drogas em Cambé.

 Panorama nacional

Os casos de Novo Hamburgo, Maceió e Cambé não são isolados. Os jovens brasileiros, além de serem as maiores vítimas da violência (o País ocupa o quarto posto no ranking internacional de mortalidade na faixa de 15 a 29 anos, com uma taxa de 49,7 óbitos por 100 mil habitantes), ocupam também lugar de destaque na criminalidade. De acordo com relatório do Projeto Juventude e Preveção da Violência, lançado em agosto do ano passado pelo governo federal, indivíduos entre 18 e 29 anos compõem cerca de 60% da população carcerária do país. “Mesmo que se admita que o retrato do Sistema Prisional pode não representar fielmente a dinâmica criminal do país, evidencia-se um cenário que merece atenção ao se refletir sobre a juventude no Brasil hoje”, avalia o documento .

 Os adolescentes privados de liberdade, por conta de infrações, somam hoja cerca de 17 mil, de acordo com o relatório. O número é preocupante, mas não é a violência juvenil a grande responsável pelo aumento dos índices de criminalidade no Brasil, segundo o documento. “Os adolescentes em conflito com a lei praticam, apenas, cerca de 10% do total de delitos em território nacional, sendo a maioria desses atos de natureza patrimonial. Infrações de maior gravidade, como homicídios, representam uma porcentagem muito pequena (menos de 5%) do conjunto de delitos praticados por adolescentes”.

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