43% dos brasileiros enfrentam congestionamentos diários

Estudo do IPEA mostra que a velocidade no deslocamento o fator mais importante para escolha do meio de transporte

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AE - A maioria da população brasileira considera a rapidez a característica mais importante para um bom meio de transporte, de acordo com pesquisa divulgada nesta manhã pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Chamado de Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) - Mobilidade Urbana, o levantamento mostra que quem se desloca a pé, de bicicleta, carro, moto ou transporte público avalia a velocidade como fator determinante de um meio de transporte adequado. Outro dado explica porque o brasileiro dá tanta importância à velocidade. Cerca de 43% deles enfrentam congestionamentos diariamente ao se deslocarem, seja dentro de um carro, seja no transporte público.

Essa característica também é a mais citada como a principal condição para aqueles que não utilizam o transporte público passassem a usá-lo. A maioria das pessoas que se desloca de bicicleta, carro ou moto respondeu que poderia se tornar usuário do transporte público se ele fosse mais rápido. Para quem se desloca a pé, o principal fator para se tornar usuário do transporte público é a disponibilidade.

No caso de uma segunda condição para usar o transporte público, a disponibilidade aparece em primeiro lugar para quem se desloca a pé, de bicicleta ou moto. Só quem se locomove de carro apontou a rapidez como fator determinante. Alguns entrevistados deram a mesma resposta na primeira e na segunda condição, o que gera repetições nos resultados.

Entre os não usuários preferenciais de transporte público, mais de 20% alegaram que não passariam a utilizá-lo em nenhuma condição. Entre aqueles que se deslocam de carro, moto ou bicicleta, o principal motivo para a escolha do meio de transporte está ligado à rapidez. Para os usuários de transporte público, a opção se dá porque ele é mais barato. Quem se desloca a pé cita como motivo o fato de o meio "ser saudável".

Mais utilizado

A pesquisa aponta que o meio de transporte mais utilizado para locomoção nas regiões metropolitanas é o transporte público: 60 05% dos entrevistados afirmaram usá-lo. Em seguida está o carro (22,55%), a moto (7,02%), quem se desloca a pé (6,89%) e os que utilizam a bicicleta (3,48%). Fora das regiões metropolitanas há uma queda brusca no número de pessoas que usam o transporte público: o porcentual cai para 24,55%. O carro, com 25,28% das respostas, é o meio de locomoção mais frequente. Depois aparecem os que se deslocam a pé (19,85%), de moto (18,88%) e bicicleta (11,43%).

O estudo fez esse mesmo questionamento comparando as capitais e as outras cidades. Nas capitais, o transporte público é o mais usado (64,98%), seguido de carro (23,39%), moto (5,57%), bicicleta (3,22%) e de deslocamentos a pé (2,85%). Na comparação com as demais cidades há uma diferença bastante significativa nos porcentuais. Fora das capitais, 16,63% se deslocam a pé, 15 02% utilizam a moto, 8,54% a bicicleta e 35,89% o transporte público. Só o porcentual daqueles que utilizam o carro se mantém: 23,91%.

Por fim, o levantamento solicitou aos entrevistados que avaliassem o meio de transporte utilizado, que foi dividido em três categorias: não motorizado (a pé e bicicleta), motorizado individual (carro e moto) e coletivo (transporte público). De acordo com a pesquisa, o transporte coletivo foi o único que ficou abaixo dos 50% no item "muito bom ou bom". Nessa mesma classificação, o transporte não motorizado obteve mais de 70% e o motorizado individual, mais de 80%.

Metodologia

A pesquisa, que se restringiu ao meio urbano e ao deslocamento de pessoas, foi realizada por meio de entrevistas domiciliares, em um total de 2.786 questionários válidos (com 30 questões), aplicados a maiores de 18 anos, entre os dias 4 e 20 de agosto de 2010, em 146 municípios. O levantamento considerou uma "distribuição pelas grandes regiões do país e por cotas, tendo como parâmetros a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) 2008, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)".

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