A psicologia por trás dos caça-níqueis

As máquinas caça-níqueis chegaram tarde nos casinos, onde os jogos de mesa eram a verdadeira ação.

A psicologia por trás dos caça-níqueis
A psicologia por trás dos caça-níqueis (Foto: Divulgação)

As máquinas caça-níqueis chegaram tarde nos casinos, onde os jogos de mesa eram a verdadeira ação. Se antes da década de 70 elas representavam menos de 50% da receita dos casinos, atualmente elas dominam os locais, chegando inclusive à internet com os jogos online, em onlinecasinosportugal.pt. Mas por quê?

Bem, a resposta está na psicologia. O desenvolvimento dos caça-níqueis foi feito com algumas teorias psicológicas por trás, o que tornou o jogo tão popular entre os apostadores. Não é a toa que agora o Vale do Silício também está tomando conhecimento dessas táticas e adotando estratégias semelhantes para fazer com que jogos e aplicativos de todos os tipos atraiam os usuários.

Caça-níqueis e psicologia

Em meados do século 20, os slot machines eletromecânicos começaram a aparecer e substituíram os modelos mecânicos anteriores. Nos anos 50 houve, uma corrida para construir o maior caça-níquel possível e o resultado foi o "Big Bertha". Era uma máquina de 2 por 3 metros com oito bobinas, alimentadas por um motor de cinco cavalos. Em 1963, a Bally Manufacturing desenvolveu os primeiros caça-níqueis completamente eletromecânicos intitulados "Money Honey". Tinha grandes diferenças em relação aos seus antecessores, os mecanismos internos eram agora partes eletrônicas em vez de molas e ainda tinham sons, luzes, a opção de apostar moedas múltiplas e um funil para moedas.

O vício das máquinas caça-níqueis é o que as torna tão populares entre os jogadores e os proprietários de casinos. Suas interfaces digitais, muitas vezes com grandes telas curvas, cheias de cores e músicas divertidas, são projetadas para atrair pessoas. Mas é a maneira como distribuem recompensas que realmente faz a diferença, e os fabricantes de máquinas, como a Novomatic, dominam esses elementos invisíveis.

Para manter as pessoas jogando, todos as máquinas contam com os mesmos princípios psicológicos básicos descobertos pelo pesquisador B.F. Skinner nos anos 60. Skinner é famoso por um experimento no qual ele colocou pombos em uma caixa que lhes dava uma bolinha de comida quando pressionavam uma alavanca. Mas quando Skinner alterou a caixa para que cada vez a comida saísse em saídas aleatórias — um sistema apelidado de aplicação de taxa variável — os pombos pressionavam a alavanca com mais frequência. Assim nasceu a caixa de Skinner, que o próprio pesquisador comparou a um caça-níquel.

A caixa de Skinner funciona misturando tensão e liberação; a ausência de um resultado imediato depois que a alavanca é pressionada cria expectativa no pombo que encontra liberação quando a recompensa é dada. Pouca recompensa e o animal fica frustrado e pára de tentar; muita e ele não vai empurrar a alavanca com tanta frequência mais.

Encontrar este ponto ideal é o objetivo de todos os criadores de caça-níqueis. Desde o advento dos cartões magnéticos que os jogadores podem usar para obter recompensas extras, como quartos de hotel gratuitos, descobrir a fórmula mágica se tornou mais fácil. Esses cartões rastreiam o comportamento dos jogadores e permitem que os proprietários de casinos ofereçam as recompensas exatas que os dados mostram para mantê-los jogando.

O conceito de "fluxo"

Outro conceito psicológico que se tornou um pilar da indústria é a ideia de “fluxo” do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, o estado em que uma perfeita tempestade de atividade e desejo se aglutina para produzir um estado mental em que as horas parecem passar em minutos. Natasha Schüll, professora do MIT, aplicou esse conceito ao mundo das máquinas caça-níqueis.

Durante o “fluxo”, o tempo acelera (as horas parecem minutos) ou desacelera (as reações podem ser feitas instantaneamente) e a mente atinge um estado de equilíbrio quase eufórico. Schüll, em seu livro, descreve os quatro critérios de fluxo de Csikszentmihaly: “Primeiro, cada momento da atividade deve ter um pequeno objetivo; segundo, as regras para atingir esse objetivo devem ser claras; terceiro, a atividade deve dar feedback imediato; em quarto lugar, as tarefas da atividade devem ser equiparadas ao desafio”.

Durante a maior parte de sua história, os caça-níqueis preencheram facilmente os dois primeiros critérios; depois de um tempo, passaram a cumpri o terceiro, e com a introdução de várias linhas, rodadas de bônus sem fim e o ocasional mini-jogo, eles finalmente preencheram os quatro critérios.

É fácil entender porque a combinação de uma interface altamente viciante e dados detalhados do consumidor atraiu o Vale do Silício. Vários grandes casinos e marcas de jogos adquiriram recentemente jogos de azar para smartphones e Schüll diz que ela é frequentemente abordada por pessoas de tecnologia que querem usar seu livro para quebrar o segredo da máquina caça-níqueis. O Tinder, em particular, vem sendo citado como um exemplo desta abordagem de máquina caça-níqueis.

Usar a psicologia da recompensa para fazer com que os clientes retornem não é novidade em nenhum mercado, mas com dados mais quantificáveis ​​disponíveis para apoiar essas hipóteses e estudos, nossas experiências com tecnologia podem se tornar mais como um vício do que nunca.

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