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A revelação do Cenipa sobre o avião da Voepass que caiu em Vinhedo

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) fez uma recomendação

Investigadores no local do acidente do voo 2283 em Vinhedo (SP) (Foto: FAB/Divulgação)

247 - O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deve recomendar a substituição de um componente em aeronaves do fabricante ATR no relatório final sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, que caiu em agosto de 2024 na cidade de Vinhedo, no interior de São Paulo. A informação foi revelada com exclusividade pela CNN Brasil.

De acordo com a apuração da emissora, a peça está diretamente relacionada ao sistema anti-gelo da aeronave — um dos principais pontos analisados pelos investigadores desde os primeiros momentos da apuração técnica do desastre.

O relatório preliminar divulgado anteriormente pelo Cenipa já indicava possíveis falhas no sistema de degelo das asas, conhecido tecnicamente como airframe de-icing. O mecanismo tem a função de impedir o acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave, condição que pode comprometer a aerodinâmica e a segurança do voo.

Registros da cabine analisados durante a investigação apontam que os pilotos relataram dificuldades com o sistema durante o trajeto. Segundo os dados obtidos, a tripulação chegou a acionar o mecanismo responsável por quebrar o gelo nas asas pelo menos três vezes ao longo do voo.

Fontes com acesso às conclusões técnicas informaram que a recomendação prevista no relatório final terá caráter preventivo. Esse tipo de orientação é comum nas investigações conduzidas pelo Cenipa e busca reduzir riscos operacionais e evitar que falhas semelhantes possam contribuir para novos acidentes.

A CNN Brasil também apurou que o relatório final da investigação deve ser divulgado entre os meses de abril e maio. Após a conclusão dessa etapa técnica, a Polícia Federal — que conduz uma investigação paralela para verificar possíveis responsabilidades criminais — também deverá apresentar seu relatório sobre o caso.

Diferentemente dos inquéritos criminais, o trabalho realizado pelo Cenipa tem natureza exclusivamente técnica e preventiva. O objetivo principal é identificar fatores que contribuíram para o acidente e emitir recomendações voltadas ao aumento da segurança operacional na aviação civil.

Quando as recomendações envolvem componentes estruturais ou sistemas das aeronaves, os impactos podem alcançar operadores em diversos países. O modelo ATR, utilizado no voo da Voepass, é amplamente empregado na aviação regional ao redor do mundo, o que significa que orientações técnicas desse tipo podem levar companhias aéreas e autoridades regulatórias a revisar procedimentos de manutenção ou até mesmo promover a substituição de peças.

Procurada pela reportagem, a fabricante ATR foi contatada pela CNN Brasil, mas não havia se manifestado até o momento da publicação da matéria.

Relembre o acidente

A aeronave envolvida no desastre era um ATR 72-500 operado pela companhia aérea Voepass. O avião realizava o voo 2283, que havia partido de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.No dia 9 de agosto de 2024, a aeronave perdeu altitude e caiu em uma área residencial de Vinhedo, no interior paulista. O acidente resultou na morte de todas as 62 pessoas que estavam a bordo — sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.As vítimas tinham perfis diversos e vinham de diferentes regiões do país. Entre elas estava Liz Ibba dos Santos, a passageira mais jovem do voo, que viajava ao lado do pai. A menina morreu na tragédia, considerada uma das maiores da aviação brasileira nos últimos anos.Desde o acidente, o Cenipa conduz uma investigação detalhada para identificar os fatores que contribuíram para a queda da aeronave e apontar medidas capazes de evitar ocorrências semelhantes no futuro.