A um passo da liberdade

Pelo menos 50 mil presos podem ser soltos em So Paulo

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Fernando Porfírio_247 - Pelo menos 50 mil presos podem ganhar as ruas nos próximos cinco meses no Estado de São Paulo. A partir desta quarta-feira, começa um mutirão de juízes, promotores e defensores públicos. A força tarefa vai avaliar a situação de 94 mil condenados em regime fechado e que cumprem pena em presídios paulistas. Parte desses presos poderá ganhar o direito à liberdade.

Coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça, o mutirão envolverá uma estrutura sem precedentes. O conselheiro Walter Nunes, do CNJ, afirmou que a expectativa é a de que a operação leve cinco meses. Dezessete juízes e 50 funcionários do Judiciário vão analisar cerca de 94 mil processos. Também estão previstas inspeções em 149 presídios do Estado de São Paulo.

“Isso vai ser um trabalho longo. São Paulo é o maior desafio a ser enfrentado em termos de mutirão”, afirmou Nunes. O conselheiro disse que não é possível ainda fazer estimativas sobre quantos presos poderão ser beneficiados pela operação. Os presídios paulistas têm a maior população carcerária do País: cerca de 170 mil.

De 2008, quando os mutirões foram criados, até agora, o CNJ já analisou 276 mil processos no Brasil. De acordo com informações do conselho, foram liberados nos mutirões ao todo 30,5 mil presos, número que representa 11% do total de processos avaliados. Outros benefícios foram concedidos a 56,1 mil presos.

Nunes disse que a resistência inicial de parte dos juízes ao mutirão já foi resolvida. “Às vezes alguns juízes ficam mais melindrados. Depois que se faz uma reunião interna, se explica a metodologia, a resistência desaparece. Inicialmente fica se pensando que vem juiz de fora para rever as decisões. Mas isso não acontece”.

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