Acredite: este é carro mais caro do mundo

Brasil lidera o ranking de impostos sobre automveis. Mdia de inciso de tributos sobre os preos dos veculos de 30,4%

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247, com informações do site Motor Dream – Todo mundo sabe que ter carro no Brasil custa caro, mas será que o brasileiro tem noção do que está embutido no valor que ele paga por um veículo? Uma rápida comparação do preço dos automóveis no mercado interno com os mesmos modelos em outros países mostra uma desvantagem imensa para o consumidor brasileiro. A disparidade do valor cobrado por aqui chega, algumas vezes, a 80%. Nem mesmo com relação aos nossos vizinhos, membros do Mercosul, pagamos menos. O mistério dessa equação chama-se imposto. Dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que a média de participação dos tributos sobre os preços dos automóveis no Brasil é de 30,4%, uma incontestável liderança mundial – a Itália e o Reino Unido, segundos no ranking, têm 16,7%. Em seguida vem a França com 16,4% e a Alemanha com 16%.

A exemplo do manifesto Preço Justo, comandado pelo colunista Felipe Neto, com apoio de Brasil 247 que colheu mais de meio milhão de assinaturas e fez o governo federal cortar os impostos sobre produtos eletrônicos, é chegada a hora de olhar de perto os impostos cobrados na venda dos carros no País.

Faça as contas. Quando se adquire um veículo, no preço dele já vem embutido o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), uma taxa federal que varia de acordo com o tamanho do motor do veículo: 7% até um litro, 13%, para motores a gasolina e 11% para flex, entre um e dois litros, e 25% acima de dois litros. Depois, vem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que para complicar a vida, varia de estado para estado. Além disso, tem ainda o PIS e o Cofins.

O princípio de “essencialidade” é o que define o tamanho da alíquota cobrada em cada tributo, ou seja, qualquer produto no Brasil contém impostos proporcionais a sua necessidade para o cidadão. Para o governo federal, automóvel se enquadra na categoria de bem supérfluo, embora a infraestrutura de transportes coletivos ainda não atenda a demanda.

Somente no caso de marcas com fábricas instaladas no País, o governo federal facilita a importação de autopeças, visando a fabricação em território brasileiro. Alguns tributos federais referentes àquela peça só são pagos no momento da venda do automóvel e não quando ela entra no país. Além disso, a fabricante ganha um desconto nessas taxas.

Para os automóveis importados – com exceção dos que vêm de outros países do Mercosul e do México, com os quais o Brasil possui acordos de isenção de tarifas alfandegárias – ainda é cobrado o Imposto de Importação, em média 35%.

A situação do consumidor que compra fora ficou ainda mais difícil depois do dia 12 de maio, quando o governo decidiu dificultar o acesso de veículos importados no País. A partir desta data, quem comprar um automóvel vindo do exterior terá que passar por uma licença prévia para a liberação de guias. Isso implica em uma maior demora na chegada desses produtos ao mercado brasileiro. A medida é parecida com a que o governo argentino fez para proteger o mercado interno. Com isso, milhares de carros ficaram barrados na fronteira entre os dois países.

Válida para todos os países, a decisão atingiu diretamente a indústria automobilística da Argentina, que responde por mais da metade dos veículos importados pelo Brasil.

Os importadores de veículos estão apreensivos diante das medidas do governo para dificultar a entrada de produtos do exterior. José Luiz Gandini, presidente da Abeiva, que reúne as importadoras de automóveis, acredita que os modelos vindos da Argentina vão começar a rarear nas lojas do País. Agora, os importadores precisam pedir licenças de importação, que antes eram concedidas automaticamente. As licenças somente são expedidas após a análise de técnicos do governo e podem demorar até 60 dias. “É correta a decisão do governo de reagir a medidas protecionistas que contrariam acordos bilaterais. Mas não se pode afetar empresas, que, em seu conjunto, recolherão mais de R$ 5 bilhões em impostos. São 27 mil trabalhadores brasileiros empregados em 771 concessionárias associadas à Abeiva”, disse Gandini.

Ele calcula que as importadoras asiáticas terão dificuldades de abastecimento dentro de 30 dias. “Demora em média um mês para os carros chegarem ao país. E não podemos deixar navios parados em portos espalhados pelo mundo, pagando pelo custo diário desse transporte, sem saber em quanto tempo o governo brasileiro começará a liberar as guias de importação.” Ele também diz que os portos não têm capacidade para ficar “estocando produtos”. “Ou você embarca os produtos e despacha ou vai começar a causar problemas nos portos.”

 

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