Aldo diz que venda de mineradora é vergonhoso episódio de perda de soberania
Negócio de US$ 2,8 bilhões envolvendo terras raras em Goiás reacende debate sobre controle de recursos estratégicos no Brasil
247 - O ex-ministro e pré-candidato à Presidência da República Aldo Rebelo criticou a transferência do controle da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth, classificando o episódio como uma perda de soberania nacional. A operação, avaliada em US$ 2,8 bilhões, envolve ativos estratégicos ligados à exploração de terras raras em Goiás, fundamentais para setores como tecnologia, energia e defesa.
A manifestação de Rebelo ocorreu nesta terça-feira (21), data em que se celebra o feriado de Tiradentes. Em publicação nas redes sociais, ele associou o negócio a um cenário mais amplo de influência externa sobre o país. “Em pleno dia 21 de abril, quando celebramos a memória de Tiradentes, vemos com tristeza o Brasil sofrer ataques de todos os lados”, afirmou.
O ex-ministro também declarou que o país vive um momento de fragilidade diante de interesses estrangeiros. “Hoje, somos um país ocupado por forças econômicas e culturais estrangeiras”, disse, ao mencionar o contraste com o ideal de independência defendido por Joaquim José da Silva Xavier.
Ao comentar diretamente a operação, Rebelo foi enfático. “O acordo de fusão que torna a Serra Verde Pesquisa e Mineração uma propriedade da USA Rare Earths, concluído ontem, é por si só mais um vergonhoso episódio de perda de soberania”, afirmou.
Os controladores da Serra Verde passarão a figurar como principais acionistas da companhia norte-americana após a conclusão do acordo, que inclui pagamento em dinheiro e emissão de ações, consolidando a incorporação da mineradora brasileira ao grupo estrangeiro.
A mina de Pela Ema, localizada em Goiás, é considerada uma das mais relevantes fora da Ásia na produção de terras raras pesadas — insumos essenciais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. O controle desses recursos tem ganhado importância estratégica no cenário internacional.
Rebelo alertou ainda para possíveis impactos futuros. “Serra Verde terá sido apenas o primeiro assalto às terras raras brasileiras, se não fizermos nada para assumir o controle e direcionar o uso de nossas reservas dos minerais do futuro”, declarou.
Segundo ele, o caso reflete um processo mais amplo. “A verdade é que o caso da mina de terras raras em Goiás, que agora é propriedade de uma empresa dos EUA, ilustra uma ocupação do Brasil que tem escala muito maior”, disse.


