Aliados de Lula veem risco eleitoral e defendem domiciliar para Bolsonaro
Temor de comoção com saúde de Bolsonaro levou governistas a apoiar medida que reduz desgaste político, mas reacende preocupação com influência eleitoral
247 - Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a enxergar um risco eleitoral concreto diante da possibilidade de piora no quadro clínico do ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde 13 de março com pneumonia bacteriana. A avaliação, feita nos bastidores do governo, era de que uma eventual deterioração da saúde poderia gerar comoção pública e beneficiar politicamente o campo bolsonarista.
De acordo com o jornal O Globo, integrantes do governo e aliados do PT começaram a defender, ainda que de forma reservada, a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente como forma de mitigar esse cenário. A leitura predominante era de que a manutenção de Bolsonaro em condições mais rígidas de detenção, diante de um quadro clínico delicado, poderia se voltar contra o próprio governo.
O temor central era o impacto sobre o eleitorado indeciso. Governistas avaliavam que uma piora no estado de saúde do ex-presidente poderia fortalecer a narrativa de perseguição política e impulsionar uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Nesse contexto, qualquer agravamento poderia ser associado tanto ao ministro Alexandre de Moraes quanto ao próprio Lula, com reflexos diretos na disputa eleitoral.
A decisão de Moraes, anunciada nesta terça-feira, acabou atendendo a um pedido da defesa e autorizou a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária por 90 dias, contados a partir da alta médica. O objetivo é assegurar a recuperação completa do quadro de broncopneumonia enfrentado por Bolsonaro.
A medida foi interpretada, dentro do governo, como uma forma de reduzir tensões políticas e evitar um desgaste maior. Há o entendimento de que a fragilidade da saúde do ex-presidente é evidente e que o ambiente domiciliar, com maior conforto e proximidade da família, pode contribuir para evitar complicações no quadro clínico.
Nos bastidores, ainda de acordo com a reportagem do Globo, também circula a avaliação de que a decisão pode ajudar a amenizar a pressão sobre Moraes em meio a desgastes recentes. Ainda assim, o gesto é visto sob diferentes prismas dentro do próprio governo.
Isso porque o entorno de Lula também identifica riscos na nova configuração. Com Bolsonaro em casa, cresce a possibilidade de que ele retome contatos políticos mais frequentes e amplie sua influência, especialmente em relação a Flávio Bolsonaro, o que pode fortalecer a articulação eleitoral da direita.
Preso desde novembro do ano passado após tentar romper a tornozeleira eletrônica, Bolsonaro foi inicialmente levado à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Em janeiro, acabou transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, onde vinha cumprindo pena.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente está internado no hospital DF Star, em Brasília, tratando uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração.