Altman: ideia de que extremistas se moderam não tem lastro histórico

Em análise à TV 247, o jornalista Breno Altman afirma que num hipotético governo de Jair Bolsonaro, a extrema-direita não será moderada no poder, podendo se tornar mais agressiva ainda, com características semelhantes às de Adolf Hitler; "É uma ideia sem lastro histórico, Hitler governante foi muito mais extremista do que quando candidato", aponta; para Altman, a resistência nas ruas "terá que ser fruto de muita mobilização popular"; "O mundo não acaba em 28 de outubro de 2018"

Altman: ideia de que extremistas se moderam não tem lastro histórico
Altman: ideia de que extremistas se moderam não tem lastro histórico

TV 247 - Como lidar com o crescimento desenfreado do fascismo no Brasil e a omissão das instituições? Essa foi a principal pauta da análise política do jornalista Breno Altman, concedida à TV 247, nesta segunda (22). Na opinião do jornalista, em um hipotético governo de Bolsonaro, a extrema-direita não será moderada no poder, podendo se tornar mais agressiva ainda. "O mundo não acaba em 28 de outubro de 2018, e a resistência nas ruas terá que ser fruto de muita mobilização popular", projeta.

Altman inicia sua análise dizendo que o grande objetivo do partido do golpe era derrotar a esquerda brasileira, incluindo o PT. No entanto, esclarece, o resultado foi oposto."O País foi guinando mais à direita e arrastou a base eleitoral de centro-direita para Bolsonaro", elucida. 

Ele afirma que, para a centro-direita, o mais importante continua sendo rifar a esquerda do poder. "O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é pusilânime em relação a Bolsonaro, chegando ao ponto de dizer que o candidato não representa o fascismo, neutralizando-se no processo", observa.

O jornalista ressalta que se perdeu no Brasil o compromisso com a ordem institucional, relembrando a recente declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro dizendo que "irá fechar o STF". "Apenas um ministro reagiu com força contra tal comentário. Tal episódio só reforça que nossa democracia foi rasgada", alerta.

Além da fala de Eduardo, Altman também rechaça a fala de Bolsonaro, proferida neste domingo (21), de que seus opositores serão presos ou terão que sair do País, dizendo que seu discurso possui "todas as características do fascismo".

Dando sequência à sua explanação, ele acrescenta que "os ministros do TSE também fecham os olhos para a fraude eleitoral cometida por Bolsonaro". 

Bolsonaro moderado é farsa

Observando um hipotético governo da extrema-direita, Altman não considera que Bolsonaro irá se tornar mais moderável ocupando a presidência. "É uma ideia sem lastro histórico, Hitler governante foi muito mais extremista do que quando candidato", aponta.

Ele segue desconstruindo a extrema-direita, dizendo que sua política internacional será submissa ao império estadunidense. "O Brasil voltou a ser o quintal dos EUA, Bolsonaro ruge para Bolívia, Venezuela, mas é um gatinho na mão de Trump", condena.

Por mais que o cenário esteja nebuloso, Altman afirma que, "enquanto há luta, não há consolidação de nenhuma das barbaridades propostas pelo Bolsonaro", incluindo a taxação do MST como "organização criminosa".

"O mundo não vai acabar em 28 de outubro de 2018, haverá muita luta e resistência", projeta o jornalista.

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