Amorim: Golpe no Brasil é preocupante para vizinhos
Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, o ex-chanceler brasileiro e ex-ministro da Defesa da presidente Dilma Rousseff, Celso Amorim, demonstrou preocupação com as consequências do golpe parlamentar brasileiro para o País e demais países da América Latina; Amorim destacou como grave a mudança de um projeto de visão nacional sem que tenha havido uma votação da população; ele criticou o desprezo de Michel Temer à representação de mulheres, negros e minorias no governo e disse que a política externa, comandada por José Serra, é de causar preocupação aos países da América Latina; "É visível que as prioridades do Brasil estão mudando. Está olhando menos para a região, é uma visão muito mercantilista, muito comercialismo do que é relações internacionais. Isso é preocupante", afirmou
247 - O ex-chanceler brasileiro e ex-ministro da Defesa da presidente Dilma Rousseff, Celso Amorim, deu entrevista ao jornal chileno La Tercera, na qual demonstrou preocupação com as consequências do golpe parlamentar tanto para o Brasil quanto para os demais países da América Latina.
Amorim destacou que em poucos dias, o presidente interino, Michel Temer, implementou uma "mudança total" de governo sem legitimação do povo. "Outro aspecto que torna muito grave é que um projeto de visão nacional que muda sem que tenha havido uma eleição, sem que tenha havido uma votação da população. É uma mudança total, sem uma eleição", afirmou.
Celso Amorim também criticou as prioridades elencadas por Temer. "Por exemplo, um negro não foi visto, não era uma mulher nos ministérios, a importância da cultura de direitos humanos foi diminuída e a importância da segurança é aumentada. Ele vem de uma política econômica totalmente neoliberal, com grandes privatizações do que resta a ser privatizado. Assim que me parece que você não pode fazer isso, porque não é o que as pessoas votaram", citou.
Sobre o dano causado à imagem do País no exterior com o golpe parlamentar, o ex-ministro disse que é "tudo muito negativo". "E porque é visível que as prioridades do Brasil, penso eu, estão mudando, está olhando menos para a região, é uma visão muito mercantilista, muito comercialismo do que é relações internacionais. Isso é preocupante", afirmou.
Leia na íntegra a entrevista de Celso Amorim, em espanhol.