Apesar de baixa adesão à greve, caminhoneiros dizem que "esse governo não vai nos cansar"
Apesar da adesão à greve nacional dos caminhoneiros ser menor que a esperada, um dos líderes do movimento, Marconi França, afirmou que a mobilização perdeu força devido ao anúncio do Ministério da Infraestrutura de discutir algumas das reivindicações do movimento. Segundo ele, a categoria seguirá mobilizada. "Esse governo não vai nos cansar, nem vai nos enterrar vivos",disse
Sputnik - Nesta segunda-feira (16), uma paralisação de caminhoneiros foi deflagrada, porém a adesão é menor do que a esperada. Uma liderança do movimento falou à Sputnik Brasil.
O caminhoneiro Marconi França, uma das lideranças dos autônomos da greve, afirmou que no Nordeste há pelo menos 8 pontos de paralisação no momento. França, porém, considera que a mobilização perdeu força devido ao anúncio do Ministério da Infraestrutura de discutir uma reivindicação do movimento. Tal medida teria feio com que muitos caminhoneiros decidissem aguardar a posição do Ministério.
"O fluxo está pequeno ainda mas começamos e estamos aqui na rodovia [BR 101] falando da nossa insatisfação com esse governo", disse o caminhoneiro em entrevista à Sputnik Brasil.
Os caminhoneiros se posicionam contra o aumento no preço do diesel, que teve 11 altas seguidas no ano, e por melhores condições de trabalho, além de correções nas tabelas de frete que, segundo a liderança, vem sendo desrespeitada.
França afirma que a categoria já não confia mais no ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, que prometeu discutir as reivindicações - o que a liderança dos caminhoneiros chamou de estratégia para desmobilizar os motoristas.
As reivindicações que serão avaliadas são a implementação de uma multa para quem descumprir a tabela de fretes e também a implementação do Código de Identificação da Operação de Transporte (CIOT) para toda a categoria. O CIOT tem como função servir de instrumento para fiscalizar o pagamento do frete de acordo com o preço tabelado.
"A gente não está querendo nada demais, a gente só quer o justo para trabalhar, para a gente continuar levando o que o Brasil produz nas costas", diz.
Segundo França os caminhoneiros têm sofrido com baixos pagamentos e altos custos nas viagens. Há cerca de 10 dias, a liderança anunciou que 70% dos caminhoneiros autônomos poderiam aderir ao movimento e parar o Brasil na semana anterior ao Natal, como divulgou o site Correio Braziliense através de um vídeo. Nas imagens, França aparece ao lado de lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a quem pediu apoio ao movimento.
"Eu acho que esse governo não tomou ciência da importância que nós caminhoneiros temos para a economia desse Brasil. De nada adianta o agronegócio plantar e produzir, de nada adianta a indústria produzir se nós não distribuirmos o que eles produzem", aponta.
França alerta que caso a adesão siga baixa, os caminhoneiros vão aguardar a posição do governo, mas aponta que a categoria seguirá mobilizada.
"Esse governo não vai nos cansar, nem vai nos enterrar vivos", conclui.