HOME > Brasil

Aposentado da PF preso em operação contra Vorcaro recebe R$ 21,9 mil

Marilson Roseno da Silva, citado por André Mendonça como integrante de estrutura paralela ligada a Daniel Vorcaro, recebia R$ 21,9 mil de aposentadoria

Aposentado da PF preso em operação contra Vorcaro recebe R$ 21,9 mil (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil )

247 - Apontado como integrante do grupo “A turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, foi preso nesta quarta-feira (4), em Belo Horizonte (MG), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Marilson recebe R$ 21,9 mil mensais de aposentadoria desde 2022. Antes de deixar a corporação, atuava como escrivão da Polícia Federal, cargo no qual ingressou em 2008 após aprovação em concurso público. Conforme dados do Portal da Transparência do governo federal, em fevereiro deste ano ele recebeu R$ 15.870,13 líquidos a título de aposentadoria.

Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirma que Marilson era um “integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação vinculada ao grupo liderado por Daniel Vorcaro”. Segundo as investigações da Polícia Federal, ele fazia parte do grupo denominado “A Turma”, que teria como objetivo obter, de maneira clandestina, informações sigilosas relacionadas às apurações sobre o Banco Master, além de monitorar “indivíduos considerados adversários do grupo”.

De acordo com as apurações, o policial aposentado utilizava sua experiência e seus contatos na corporação para “auxiliar na obtenção de dados sensíveis e na realização de atividades de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização criminosa”. Ainda conforme a investigação, ele era responsável por coletar informações capazes de antecipar os próximos passos da apuração e por coibir a atuação de jornalistas que cobrem o caso. Entre os alvos de Vorcaro estaria o jornalista Lauro Jardim, colunista do Globo.

O ministro também registrou que há indícios de que Marilson “participava da estrutura logística destinada à execução dessas atividades de monitoramento, contribuindo para a identificação de pessoas de interesse da organização e para a realização de diligências informais voltadas à obtenção de dados pessoais, localização de indivíduos e levantamento de informações estratégicas”. Segundo a decisão, ele estaria sob a liderança de Luiz Phillipi Machado Mourão, que igualmente foi preso na operação.

Mourão, de 43 anos, é conhecido como Sicário e já foi alvo de outra investigação em Minas Gerais. Desde 2021, ele é réu em ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), que apura indícios de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e delito contra a economia popular. Conforme as investigações, Mourão e outros envolvidos teriam estruturado um esquema de pirâmide financeira para captar recursos de investidores em todo o país.

Entre junho de 2018 e julho de 2021, Mourão movimentou R$ 28 milhões em contas bancárias de empresas a ele vinculadas. Na denúncia, o MP mineiro afirma: “A triangulação de valores através de pessoas jurídicas constitui movimento típico de lavagem de dinheiro, in casu com a ocultação dos valores provenientes, direta ou indiretamente dos crimes contra a economia popular perpetrados”.

As apurações também apontam que, antes de integrar o esquema de pirâmide, Mourão atuava como agiota. No fim do ano passado, o setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou o celular apreendido do investigado e concluiu que ele exercia papel de liderança relevante na organização criminosa sob investigação.