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Ariel Goldstein: uma batalha que acabou de começar

"Com a entrega do ex-presidente à Polícia Federal, um novo capítulo da incerteza brasileira começa", avalia o sociólogo argentino Ariel Goldstein; "É uma jogada não sem riscos para os fatores de poder, que tentam excluir este líder popular de sua influência e participação nas eleições deste ano. Agora, a prisão pode ofuscar o Lula do cenário político ou preservar ou aumentar a sua influência diante da disputa eleitoral?", questiona

"Com a entrega do ex-presidente à Polícia Federal, um novo capítulo da incerteza brasileira começa", avalia o sociólogo argentino Ariel Goldstein; "É uma jogada não sem riscos para os fatores de poder, que tentam excluir este líder popular de sua influência e participação nas eleições deste ano. Agora, a prisão pode ofuscar o Lula do cenário político ou preservar ou aumentar a sua influência diante da disputa eleitoral?", questiona (Foto: Leonardo Lucena)

247 - "Com a entrega do ex-presidente à Polícia Federal, um novo capítulo da incerteza brasileira começa", avalia o sociólogo argentino Ariel Goldstein.

"É uma jogada não sem riscos para os fatores de poder, que tentam excluir este líder popular de sua influência e participação nas eleições deste ano. Agora, a prisão pode ofuscar o Lula do cenário político ou preservar ou aumentar a sua influência diante da disputa eleitoral?", questiona.

"Aqueles que exerceram as pressões para que ele estivesse na situação atual esperam que sua prisão diminua seu peso na campanha e no resultado eleitoral. No entanto, a resposta a esta pergunta não é dada de antemão, mas virá de uma batalha de forças que acaba de começar. A incerteza, mais uma vez, domina o cenário brasileiro", acrescenta.

De acordo com o estudioso, "a direita tem apenas um candidato de crescente popularidade, mas no qual ela não confia, o ex-militar aposentado Jair Bolsonaro". "Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, o candidato do centro liberal que o establishment espera ter, não sobe nas pesquisas. O mesmo poderia ser dito do potencial de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda de Temer", afirma.

O analista continua seu raciocínio dizendo que "Bolsonaro, com a sua 'incorreção política' e a agenda anti-feminista, em defesa dos militares, porte de armas e dos valores tradicionais, incorpora apoio em áreas rurais e de classe média, que querem voltar atrás nas mudanças feitas durante os governos do PT".

"Além disso, Bolsonaro está destinado a crescer, porque representa o exato reverso do projeto nacional-popular que até recentemente governava o Brasil, hoje em crise. É com base no colapso deste projeto petista e na afirmação de uma ordem de exceção que a extrema direita encontra espaço para seu crescimento", continua.

Segundo o estudioso, "a impopularidade do governo de Michel Temer, por sua vez, o impede de exercer grande influência no desenvolvimento da eleição. Age, ao contrário, através dos fatores de poder".

"Por outro lado, o veterano Lula, como demonstrou em inúmeras ocasiões, tem a vontade de resistência e a capacidade de luta de poucos políticos. Se há algo que Lula sempre descartou, apesar das semelhanças no nível das pressões que sofreram e na dimensão popular das suas lideranças, é a saída do suicídio exercida por Vargas em agosto de 1954. Portanto, um novo capítulo e uma nova batalha se abrem nesse clima de incerteza".