Armando Boito: com apoio da classe média, Lava Jato atendeu aos EUA

O cientista político, professor e escritor Armando Boito Junior expôs em entrevista à TV 247 fragmentos da sua recém-lançada obra "Reforma e Crise Política no Brasil, os Conflitos de Classe nos governos do PT"; no livro, ele analisa os governos petistas em suas múltiplas dimensões e o desmembramento da crise política; "Com o apoio da classe média, Lava Jato atendeu aos EUA", denuncia; assista

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TV 247 - O cientista político, professor da Unicamp e escritor Armando Boito Junior expôs fragmentos da sua recém-lançada obra "Reforma e Crise Política no Brasil, os Conflitos de Classe nos governos do PT", em entrevista concedida à TV 247. Na conversa com o jornalista Paulo Moreira Leite, ele analisa os governos petistas em suas múltiplas dimensões e o desmembramento da crise política.

O sociólogo diz que há pistas para entender a reduzida resistência contra o golpe de 2016. "A ex-presidente Dilma subestimou o perigo das manifestações pró-golpe durante um bom tempo, confiando a mobilização da defesa do governo nas mãos do sistema jurídico. Outro fator da desestruturação do governo foi o forte ajuste fiscal implementando em sua gestão", relembra.

Esmiuçando a questão golpe de Estado, Boito afirma que o primeiro setor que foi derrubado com a operação Lava Jato foi a da construção pesada. "Este segmento foi jogado para escanteio logo no início da crise, existia corrupção sim com as construturas, mas as investigações foram seletivas, não punindo esquemas nas multinacionais responsáveis pelas obras de trens e metrôs", observa.  

Ele afirma que a Lava Jato promoveu uma instrumentalização política do combate à corrupção. "A operação apoiou-se na classe média, mas atendeu aos interesses do capital externo. A Lava Jato foi subsidiada pelo departamento de justiça dos EUA", expõe. 

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Boito afirma que o início do cerco contra o PT começou com a Ação Penal 470, também conhecido como 'Mensalão', e expõe as contradições no discurso do empresariado brasileiro. 

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"Em 2005, Paulo Skaf, que já era presidente da Fiesp, disse que o Mensalão deveria ser superado pela agenda de desenvolvimento. Dez anos depois, o mesmo Skaf diz que o central da questão era o combate à corrupção, sendo um dos personagens principais do impeachment", compara. 

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