Associação apoia delegado que deu entrevista sobre 'mensalão'

Luiz Flávio Zampronha, que coordenou as investigações sobre o escândalo, fez críticas ao Ministério Público e ao procurador-geral da República em entrevistas recentes e desagradou a Comunicação Social da PF, que apresentou representação contra ele; ADPF protesta

Associação apoia delegado que deu entrevista sobre 'mensalão'
Associação apoia delegado que deu entrevista sobre 'mensalão' (Foto: Sérgio Lima/Folhapress )
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247 - A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) publicou nota nesta quinta-feira para "manifestar sua indignação" contra a atitude do chefe da Comunicação Social da Polícia Federal, delegado Humberto Prisco Neto, que representou contra o delegado Luís Flávio Zampronha na Corregedoria-Geral depois de Zampronha conceder entrevistas aos jornais Estadão e Folha de S.Paulo sobre o processo do 'mensalão'.

O delegado disse ao Estadão que seu trabalho foi cerceado pelo Ministério Público, que não permitiu nem a cooperação internacional para a coleta de provas (relembre aqui). Zampronha disse que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, falhou ao não denunciar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por lavagem de dinheiro, mas sim por formação de quadrilha – o que seria “motivo de piada” na PF – e corrupção ativa. 

A sinceridade do delegado não parece ter agradado à Comunicação Social da Polícia Federal. "A ADPF está estarrecida com o episódio e defende que o delegado Zampronha não precisaria de autorização superior para se manifestar sobre uma investigação já concluída", protesta a nota da ADPF, que segue na íntegra abaixo:

NOTA DE REPÚDIO
16/08/2012 - 18:32
ADPF se manifesta contra ato de censura do chefe da Comunicação Social da Polícia Federal

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) vem a público manifestar sua indignação contra a atitude do chefe da Comunicação Social da Polícia Federal, delegado Humberto Prisco Neto, o qual representou contra o delegado Luís Flávio Zampronha, na Corregedoria-Geral, por este ter se manifestado nos jornais Estadão e Folha de São Paulo sobre o processo do Mensalão.

A ADPF está estarrecida com o episódio e defende que o delegado Zampronha não precisaria de autorização superior para se manifestar sobre uma investigação já concluída, cujo processo está em fase de julgamento sem segredo de Justiça, sobre um assunto que está sendo amplamente discutido em todo o Brasil.

Ademais, o delegado Zampronha se manifestou junto aos veículos de comunicação na condição de associado e cidadão livre para externar sua opinião. Em nenhum momento o delegado Zampronha falou em nome da instituição Polícia Federal.

A ADPF lamenta que nos dias de hoje, a Comunicação Social da Polícia Federal não atue como uma facilitadora do contato da imprensa – porta-voz dos anseios da sociedade – com a instituição. Muito pelo contrário, a Comunicação Social da Polícia Federal vem dificultando e inibindo a manifestação de seus membros, inclusive prejudicando a divulgação de dados e operações que enaltecem o trabalho da instituição.

A ADPF prestará toda assistência jurídica necessária ao delegado Luís Flávio Zampronha e conclama os delegados federais a não aceitarem esse tipo censura completamente desarrazoada em pleno Estado Democrático de Direito.

Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF)

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