‘Battisti quebrou a confiança do Brasil’, diz ministro de Temer
O governo federal também fala em "saída suspeita do Brasil", e "melhora na relação diplomática com a Itália"; o ministro da Justiça, Torquato Jardim, confirmou que o governo decidiu mandar o italiano Cesare Battisti ao seu país de origem e disse que é um "ato de soberania", podendo ser tomado a qualquer tempo
247 - "Quebra de confiança". Esse é um dos argumentos do governo federal para extraditar Cesare Battisti para a Itália. O Executivo também fala em "saída suspeita do Brasil" e "melhora na relação diplomática com a Itália".
Em entrevista à BBC Brasil, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, confirmou a decisão e disse que este é um "ato de soberania", podendo ser tomado a qualquer tempo. Jardim recomenda que Michel Temer aguarde a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux sobre um habeas corpus preventivo apresentado pela defesa de Battisti.
A intenção é evitar que STF derrube a decisão de Temer. "A Itália nunca abriu mão disso. Os italianos não perdoam o Brasil por não mandar o Battisti de volta. Para eles, é uma questão de sangue. É um entrave nas relações Brasil-Itália e na relação com a União Europeia como um todo", diz o ministro.
Battisti foi preso na semana passada em Corumbá, Mato Grosso do Sul, ao tentar cruzar a fronteira com a Bolívia. Beneficiário de um decreto do ex-presidente Lula que concedeu asilo político, negando sua extradição para a Itália, Battisti não estava impedido de deixar o Brasil, mas, para o atual governo brasileiro, a "circunstância" da saída do país e o dinheiro acima do limite que ele levava representaram uma "quebra de confiança". Ele teve apreendidos US$ 6 mil e 1.300 euros.
"Ele quebrou a relação de confiança para permanecer no Brasil. Tentou sair do Brasil sem motivo aparente. Ele disse que ia comprar material de pesca, mas quebrou a confiança porque praticou ato ilegal e deixava o Brasil, com dinheiro acima do limite, sem motivo aparente", justificou o ministro.
