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Benedita da Silva: terceirização veio resgatar trabalho escravo

Deputada federal cuja principal luta está voltada aos direitos das mulheres e das empregadas domésticas, Benedita da Silva (PT-RJ) afirma em entrevista ao 247 que o projeto da terceirização irrestrita sancionado por Michel Temer nesta sexta-feira 31 vai prejudicar principalmente as mulheres negras; "Além de perder os direitos, o trabalhador também ficará sem nenhuma estabilidade. Como é que um trabalhador nessas condições pode ajudar o país a crescer? Impossível", alerta; a parlamentar defende ainda a candidatura do ex-presidente Lula para 2018 e a Lava Jato "sem seletividade"; assista

Deputada federal cuja principal luta está voltada aos direitos das mulheres e das empregadas domésticas, Benedita da Silva (PT-RJ) afirma em entrevista ao 247 que o projeto da terceirização irrestrita sancionado por Michel Temer nesta sexta-feira 31 vai prejudicar principalmente as mulheres negras; "Além de perder os direitos, o trabalhador também ficará sem nenhuma estabilidade. Como é que um trabalhador nessas condições pode ajudar o país a crescer? Impossível", alerta; a parlamentar defende ainda a candidatura do ex-presidente Lula para 2018 e a Lava Jato "sem seletividade"; assista (Foto: Gisele Federicce)

Por Gisele Federicce, 247 – O projeto de lei da terceirização aprovado pelos deputados no dia 23 e sancionado por Michel Temer nesta sexta-feira 31 prejudica principalmente as mulheres e, dentro desse grupo, as mulheres negras, alerta a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), em entrevista ao 247.

O texto de 1998, apresentado durante o governo Fernando Henrique Cardoso, permite a terceirização em qualquer atividade dentro de uma empresa, inclusive pública, e estende o contrato de trabalho temporário de 90 para 180 dias. Os defensores afirmam que a nova lei gerará mais empregos, enquanto os opositores da proposta lembram que a condição desses empregos será precária, com menso direitos garantidos e menos estabilidade.

"Além de perder os direitos, o trabalhador também ficará sem nenhuma estabilidade. Porque eles vão contratar por 90 dias, que podem ser renovados para 180 dias. Aí o patrão – que eu nem chamo mais de patrão, mas de empregador – pode te dispensar e contratar outro. E daí você não sabe mais o que vai ser da sua vida. Como é que um trabalhador nessas condições pode ajudar o país a crescer? Impossível", ressalta Benedita da Silva.

Com uma atuação marcada no parlamento pela luta aos direitos das mulheres negras e das empregadas domésticas, ela diz ainda que a nova regra vai de encontro a esse grupo, "que há pouco tempo teve a regulamentação da sua categoria".

"A terceirização vai prejudicar mais de 7,5 milhões de trabalhadoras domésticas. Nós já sabemos que a mulher, no mercado de trabalho, recebe menos que o homem, e a mulher negra recebe menos ainda. Então essa terceirização ela veio exatamente para resgatar o trabalho escravo", critica (assista ao vídeo acima).

A deputada também dispara críticas contra o projeto da reforma da Previdência apresentado pelo governo Michel Temer e que deve ser colocado em votação em abril. Ela volta a citar o direito conquistado recentemente pelos trabalhadores domésticos e lamenta: "Agora que o Brasil conseguiu finalmente esse avanço, mulheres que já trabalham há 20, 30 anos terão que trabalhar até 65 anos. Ou seja, vão lidar novamente com o cenário de que irão morrer sem se aposentar".

A parlamentar destaca que a PEC da Previdência proposta por Temer atinge principalmente os mais pobres. Milhares de brasileiros foram às ruas do Brasil nesta sexta e no dia 15 de março em protesto contra as duas medidas do governo Temer e a retirada de direitos trabalhistas.

'Perseguição contra Lula está sendo prejudicial ao Brasil'

Presente na inauguração da transposição do rio São Francisco em Monteiro, na Paraíba, onde estiveram os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Benedita disse que as pessoas consideram Lula o pai e Dilma, a mãe da transposição.

Para ela, a perseguição contra Lula "é seletiva e está sendo prejudicial ao Brasil". Ela destacou que foi Lula quem "criou os mecanismos e deu os maiores instrumentos de combate à corrupção" para que, por exemplo, uma investigação como a Lava Jato existisse. Assista:

 

Ela defendeu também que a Lava Jato prossiga, mas não "seletivamente". "Por que fazer toda essa investigação midiática? É para dizer lá fora que aqui a corrupção só tem uma cara, só tem um nome?", questiona.

A deputada destaca as consequências da operação na economia: "parou a obra da transposição, pararam os estaleiros, as fábricas". "Queremos que a Lava Jato bote para fora tudo o que ela sabe, ela não pode ser partidária, nem seletiva do ponto de vista da lei e da Justiça". Confira:

 

Há dez dias, a deputada experimentou uma emoção especial: foi homenageada junto a nomes como Martin Luther King, Muhammad Ali e Barack Obama pela Organização das Nações Unidas por seu trabalho de combate ao racismo. Sua foto foi exposta no Salão dos Visitantes, na sede da ONU em Nova York. "Foi uma grande honra. Chorei, me emocionei demais", contou ao 247.