Bolsonaro dirá nesta terça à ONU que seu governo, com 136 mil mortes até agora, "venceu" a pandemia
Jair Bolsonaro fará o tradicional discurso dos presidentes brasileiros na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça. Este ano será virtual. Nele, dirá que seu governo, com 136 mil mortes por coronavírus, atrás apenas dos EUA, "venceu" a pandemia. Ele também tentará convencer o mundo que o agronegócio do Brasil, voltado para soja e milho, "alimenta o mundo"
247 - Em discurso gravado esta semana, Jair Bolsonaro defenderá nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, que o seu governo teve um desempenho satisfatório no combate ao coronavírus. Ele também dirá que ajudou milhares de pessoas fora do Brasil graças ao agronegócio nacional. O País é alvo de ameaças de boicote em sua economia devido ao desmatamento dos biomas. A informação foi publicada em reportagem da BBC.
Brasil é a segunda nação do mundo com o maior número de mortes (136 mil) provocadas pelo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos (204 mil). Também ocupa a terceira posição em número de casos (4,5 milhões). As duas primeiras colocações são dos EUA (7 milhões) e Índia (5,5 milhões).
Bolsonaro tem dito que se tivesse continuado a fazer demarcações de terra indígena, a produção de alimentos não seria possível. "A ONU queria que nós passássemos de 14% para 20% de território demarcado. Falei-lhes: 'Não'. Nós não podemos sufocar aquilo que nós temos aqui que tem nos garantido a nossa segurança alimentar bem como a de mais de um bilhão de habitantes do mundo", disse ele na sexta-feira, 18, em Sinop (MT).
Durante o seu pronunciamento gravado para a ONU, Bolsonaro deve afirmar que a economia brasileira seguiu em funcionamento nesta pandemia e as perspectivas de recessão do país não são tão graves quanto as de outras nações emergentes. Neste contexto, ele vai destacar a sua resistência em determinar a paralisação das atividades econômicas e o auxílio-emergencial de R$ 600 mensais recebido por mais de 60 milhões de brasileiros como alternativas para a economia.
"Bolsonaro vai defender sua atuação na pandemia e sugerir que as críticas a ela eram mera perseguição política", disse a professora de relações internacionais Elaini da Silva, da PUC-SP.
"Eu apostaria em uma atitude mais defensiva e menos virulenta. Digamos que um repeteco com menos brilho até porque ninguém deve dar muita importância ao discurso dele", afirmou o embaixador Paulo Roberto de Almeida.